The Boys estreou no passado dia 26 de julho, em streaming, na Amazon Prime. A série segue uma equipa de vigilantes que tenta vingar-se de super-heróis que abusam dos seus poderes e fama.

Antes de sequer disponibilizar os oito episódios da primeira temporada, a Amazon já tinha confirmado uma segunda. A crença da empresa revelou-se acertada pelas reações positivas, tanto de espetadores como de críticos.

Jennifer Salke, responsável da Amazon Studios, anunciou que a série “superou as previsões de audiência nas primeiras duas semanas”. Neste curto período de tempo, The Boys é uma das séries originais da Amazon mais vistas de sempre.

O sucesso da série não é por acaso. Realização, argumento e atuações impecáveis, ideias fortes e profundas sobre alguns dos dilemas da nossa sociedade e, ainda, uma sátira ótima de superheróis. Elementos suficientes para captar toda a nossa atenção.

Espalha-Factos explica-te melhor o que faz de The Boys uma das séries do momento.

O lado negro do culto a celebridades

O isco da série é a sátira de super-heróis que dominam a nossa cultura, atualmente. No entanto, à medida que os episódios avançam, The Boys deixa o humor negro para segundo plano e dedica-se à análise de alguns dos maiores problemas da fama e do negócio que a rodeia.

A primeira temporada aborda como a sedução do dinheiro e notoriedade corrompe a bússola moral de pessoas bem intencionadas. As figuras super-heróicas são a representação máxima do bom samaritano e, mesmo assim, cometem atrocidades para preservar a sua carreira de sucesso.

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O mais intrigante é a rejeição da linha linear do Bem contra o Mal. Todas as personagens, protagonistas e antagonistas, super-heróis ou humanos normais, têm falhas e sangue nas mãos (tanto metafórico como literal). Cada uma das figuras corruptas de The Boys tem motivos que levaram ao degredo dos seus valores morais e vivem em arrependimento. Até o grande vilão da série, Homelander (Antony Starr), é apenas uma vítima do sistema. Não justifica os seus atos, mas torna-os compreensíveis e realistas.

Preconceito, fundamentalismo, fanatismo religioso e o movimento #MeToo são outros temas que se relacionam com o problema principal em The Boys. O projeto da Amazon é pertinente por oferecer um retrato cinicamente verdadeiro da sociedade ocidental e das questões que a perturbam.The Boys

Sem medo de arriscar

A sátira pode ter um papel secundário, mas The Boys, na sua essência, é uma tragicomédia negra. Os espetadores podem esperar situações ridículas ou chocantes, surreais ou perturbadoras, sempre com uma atitude brincalhona por parte da série. Os criadores estão cientes que o que estão a fazer é inusitado e não têm problemas em explorar o limite do bom gosto.

A escrita inteligente e divertida de The Boys consegue balancear excecionalmente  os momentos cómicos e sérios . Uma discussão forte entre duas personagens deixa sempre escapar pérolas de diálogo que ficam na cabeça. A banda sonora complementa bem os visuais apresentados e dá personalidade própria à série.

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O elenco não tem um único elemento fraco e todos os elementos principais têm oportunidade de brilhar. Não obstante, Karl Urban como Billy Butcher, Jack Quaid como Hughie, Erin Moriarty como Starlight e Antony Starr no papel do já mencionado Homelander destacam-se no meio de tanto talento. O quarteto fantástico de atores obtém o nosso investimento emocional muito facilmente, através das interpretações irrepreensíveis das personagens.

A cinematografia é, talvez, a parte mais fraca de The Boys. Não há nada mal feito e existem momentos audiovisuais interessantes, porém não oferece nada de novo ou particularmente impressionante. Algumas cenas de ação também têm uma edição e coordenação banais.

The Boys

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Críticos e fãs rendidos, expetativas superadas e uma segunda temporada a caminho. The Boys conquistou um espaço importante num ano recheado de filmes e séries de grande destaque. A Amazon conseguiu uma combinação de sucesso entre humor inteligente, personagens cativantes e análises pertinentes a questões atuais.

A série é uma reflexão profunda sobre a América dos super-heróis. De certa forma, é esse o epicentro cultural da aldeia global onde hoje habitamos. Por isso, The Boys é na verdade uma reflexão sobre todos nós. A sua mensagem merece ser ouvida com toda a atenção.

The Boys: Primeira Temporada
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