O primeiro suspiro do coma dá-se no segundo dia do Bons Sons, a altas horas da noite, no Palco Zeca Afonso e com a ajuda do amigo Noiserv. Os leirienses First Breath After Coma levaram a Cem Soldos uma das maiores enchentes e um dos momentos mais envolventes do festival.

São muitos os palcos improvisados espalhados pela aldeia, mas não há nada que substitua o palco Zeca Afonso e a sua inclinação digna de Hollywood Bowl. A noite prometia e as pessoas cumpriram – First Breath After Coma + Noiserv era a esperança de salvar uma noite pouco coerente em cartaz. O post-punk, post-rock ou post-coisas que a banda de Leiria trouxe foi indubitavelmente o momento envolvente da noite.

Noiserv estava a um canto absorvido no seu mundo e nos seus brinquedos que fazem a delícia dos presentes. Porém, o destaque vai para a performance conjunta de uma banda e um artista profundamente diferentes, mas que resultam neste formato. Talvez seja o ambiente de misticismo que o Bons Sons transpira, talvez seja o público que suplica algo que os agarre a um palco.

NU, o novo disco dos First Breath, foi o mote do concerto ainda que pelo meio se tentasse incluir algum trabalho de Noiserv – uma inclusão que parecia resultar, mas acabou sendo pouco orgânica . Houve grunge q.b. (que é como quem diz “guitarradas com reverb”) e modulações de voz (assim estilo Bon Iver).

Podiam dar ares aos Explosions in The Sky – exato, a banda de onde tiraram o nome – mas a conversa durante o concerto é coisa extremamente tuga. Entre um problema na bateria e uma história sobre um mini-fã da banda, Noiserv falou pelos cotovelos e ali nos sentimos em família. Talvez seja essa a sensação que aquele palco acaba por nos dar: a sensação de comunhão com a natureza numa noite onde as estrelas brilharam tanto como os músicos.