O cinema português já é um cidadão do mundo. Pela primeira vez desde o início do Festival de Locarno, esta arte lusa vai ser representada por seis filmes. Destes, três estão a concurso para ganhar o mais ambicionado dos prémios: o famoso Leopardo de Ouro.

Pedro Costa, Basil da Cunha e João Nicolau são os realizadores cujas obras têm a oportunidade de saírem da Suíça premiadas como melhor filme, ainda este mês de Agosto.

Na cidade de Locarno, todos os anos, são reveladas e premiadas algumas das obras-primas mundiais da sétima arte. E a representação portuguesa nesta mostra já é uma constante. Contudo, 2019 é o ano em que o talento português está em realce.

Os três “escolhidos”

Vitalina Varela, de Pedro Costa, concorre a melhor filme. A produção conta a história de uma cabo-verdiana que chega a Portugal, três dias após a morte do marido. A sua estreia mundial decorre a 14 de Agosto, neste mesmo festival.

Já João Nicolau entra em competição com Technoboss, a história de um sexagenário que enfrenta o início da velhice ao volante de um carro e ao som das suas criações. O filme “vai a palco” dia 11, com Miguel Lobo Antunes e Luísa Cruz como protagonistas.

O fim do mundo é a última possibilidade do Leopardo de Ouro acabar em terras lusas. A longa-metragem luso-descendente foi filmada na Amadora e conta a história de Spirra, “um jovem que acaba de sair de um colégio interno e se encontra de novo com os amigos na Reboleira”. A obra é da autoria de Basil da Cunha e vai ser exibida em Locarno a 13 de agosto.

No total, são 17 os candidatos à principal categoria de Locarno. Os favoritos para melhor filme são During Revolution de Maya KhouryLes enfants d’Isadora de Damien Manivel e The Last Black Man in San Francisco de Joe Talbot. O último já é conhecido como um dos filmes mais aclamados pela crítica americana este ano.

Apesar de a presença portuguesa no festival suíço não ser novidade, o Leopardo de Ouro só foi atribuído a um filme português uma vez. Foi em 1987, com Bobo que José Álvaro de Morais conseguiu a proeza. Agora é a vez de Costa, Cunha e Nicolau tentarem a sua sorte.

Esperar por mais…

Os prémios podem, contudo, não acabar por aqui, uma vez que Portugal tem outras metragens a concurso, em diferentes categorias. Na secção Pardi di Domani,  vai ser mostrada a coprodução portuguesa Vulcão: O que sonha um lago?. Na secção Cineastas do Presente, Maya Kosa e Sérgio da Costa dão a conhecer a sua obra L’île aux oiseaux.

E como nem só de competição se faz o Festival de Cinema de Locarno, o documentário português Prazer Camaradas! também vai ter o seu momento de fama. A 10 de agosto, as experiências pessoais de quem viveu o pós-25 de Abril são trazidas ao ecrã, pelas mãos de José Filipe Costa.

O 72.º Festival de Cinema de Locarno conta com 50 curtas e 29 longas-metragens, exibidas em quatro secções competitivas distintas. A edição deste ano do festival suiço iniciou-se na quarta-feira (8) e prolonga-se até 17 de Agosto, na cidade que lhe confere o nome.

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