Dez edições de Bons Sons significam celebrações especiais para dar ao festival o que ele merece. A primeira dupla que subiu a palco em Cem Soldos foi Benjamim + Joana Espadinha. Não, não vieram apresentar nenhum disco em conjunto, mas foi uma aposta segura para cativar o público.

Desde clássicos de Auto Rádio, o disco de estreia de Benjamim, à renovada imagem musical de Joana Espadinha com O Material Tem Sempre Razão, tudo aconteceu naquela noite. Inclusive, Benjamim, que produziu esse mesmo disco de Espadinha sabia cada letra que saía da boca de Joana. Além de Zero a Zero, a colaboração de ambos para o Festival da Canção, foram entoadas as bonitas melodias de 1986, o disco de Benjamim com Barnaby Keen (sendo que Barnaby foi substituído pela cantora).

Apesar de estarem a juntar artistas improváveis, Benjamim e Joana já são cúmplices há muito. A amizade foi também um dos pontos de celebração. Benjamim electrificado ora ao piano, ora empunhando uma guitarra, enchia um palco que Joana tentava ocupar com a sua veia de performer. A combinação funcionou, mas algo não batia certo e talvez isso estivesse relacionado com a diferença de estilos e com a presença das vozes na música.

O peso e o espaço que cada artista ocupava era distinto e foi essa a razão para o desequilíbrio do concerto. Leva-me a Dançar foi o momento derradeiro em que Joana Espadinha provou ser uma embaixadora do pop dançante. Talvez com a interpretação intimista de Terra Firme, de Benjamim, tenhamos visto o máximo potencial dos dois músicos juntos . Sem dúvida que foi um início de festival “entertaining” e promissor com dois dos nomes mais emergentes da música portuguesa.

Fotografias de Tiago Filipe