O mítico e inesquecível festival Bons Sons regressou para a 10ª (e muito particular) edição. A aldeia de Cem Soldos voltou a ver a sua maior enchente com o festival e um cartaz que sabe homenagear tudo o que o Bons Sons é desde que começou. No primeiro dia, os Fogo Fogo incendiaram o Palco Lopes Graça e mesmo com a chuva a ameaçar, nada parou a chama.

O cruzamento entre os titãs da música portuguesa e os nomes emergentes permanece sagrado. A banda não teve truques na manga para conseguir tirar os pés da aldeia do chão. A simplicidade reinou e o objetivo era claro: fazer dançar. Quer em em Cabo Verde quer em Cem Soldos, todos os caminhos vão dar ao funaná.

A mestria dos Fogo Fogo nota-se quando todo o público tenta, de alguma forma, replicar danças mais complexas que o típico mexer de pés. Trouxeram o disco homónimo a palco, mas vieram com a intenção de deixar rasto do seu novo EP, Dia Não. Além dos dois, Nha Cutelo fez as delícias com Oh Minina.

Até os mais tímidos e os mais velhos que habitam a aldeia não resistiram ao charme dos ares cabo-verdianos. O projecto Fogo Fogo leva a cabo uma renovação da música nacional evocando a vibratilidade que Lisboa e as suas influências emanam. No interior, naquela aldeia perdida, vimos as velhas paredes serem preenchidas de futuro, de novidade e de infinitos encontros da cultura portuguesa.

Fotografias de Tiago Filipe