Ibiza retoma uma velha tradição das distribuidoras de cinema em Portugal: desencantar comédias francesas para ocupar espaço nos cartazes cinematográficos durante o verão. Contrariamente ao que aconteceu com apostas anteriores, este é um filme que falha no seu principal objetivo – fazer-nos rir.

Nesta história ambientada num cenário balnear, Philippe (Christian Clavier) e Carole (Mathilde Seigner), ambos recentemente divorciados, acabam de iniciar uma relação. Muito apaixonado, Philippe está disposto a tudo para conquistar os dois filhos adolescentes de Carole. Propõe então que a amada faça uma proposta ao filho: se conseguir passar nos exames nacionais e acabar o Ensino Secundário poderá escolher o local das próximas férias. A escolha é… Ibiza! O protagonista, habituado a férias mais tranquilas, vai ter de lidar com muito choque e cenários adversos.

Christian Clavier, uma cara familiar para todos os que acompanham o cinema comercial francês, é a primeira vítima deste filme tão fraco. Tem aqui uma performance absolutamente desinspirada em que parece voltar a fazer o mesmo papel que já o vimos fazer antes: o de velho burguês em ansiedade pós-moderna. Este Philippe podia ser, ao mesmo tempo, outra encarnação do pai de família de Que Mal Fiz Eu A Deus? ou o protagonista de De Braços Abertos, duas comédias eficazes e que, com argumentos melhores, deram brilho a Clavier, apesar de o ator representar aqui arquétipos muito semelhantes.

Ibiza - Christian Clavier

Fotografia: NOS Audiovisuais / Divulgação

A comédia realizada por Arnaud Lemort não é mais que um amontoado de clichés ultrapassados, em que a mulher é desastrada, neurótica, conduz mal e está obcecada com ter rugas e ter sido trocada por uma rapariga mais nova; os jovens são alienados da realidade e passam a vida agarrados ao telemóvel; o homem ressona, é trapalhão e sem capacidade para entender subtilezas.

Philippe e Carole são um casal que não entendemos. Não têm nada em comum: interesses, maneira de estar ou experiência de vida. A química é inexistente e, não raras vezes, parece que ambos estão só a fazer de conta que são um casal para não passarem as férias sozinhos. Afinal, porque é que gostam um do outro e querem estar juntos apesar da rejeição dos filhos? Não conseguimos esboçar um argumento.

Ibiza

Fotografia: NOS Audiovisuais / Divulgação

Ibiza enche-nos os olhos de praia e areia dourada, que resultam sempre no ecrã, filmadas em longos planos aéreos como um videoclip , mas tem mais facilidade em fazer-nos chorar do que rir. Quando tudo continua a falhar, quando não há qualquer ponto somado na comédia, até a jatos de fezes recorre como elemento cénico. É uma obra escatológica, vulgar, reles e previsível.

 

 

Crítica: 'Ibiza' não é uma praia, é um deserto de ideias
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