A$AP Rocky foi preso, em julho, na Suécia, acusado de agressão. Foi libertado esta sexta (2), por decisão do juiz, até ao veredicto final do caso. Compreende o caso e vê as reações aqui.

O rapper americano anunciou, no início do ano, a sua tour europeia. Continuaria a apresentar o seu álbum Testing (2018). Começou em Paris, no final de junho, e foi cancelada a meio de julho, após a detenção do Pretty Flako em Estocolmo, a 5 de julho.

A timeline:

A 30 de junho, a polícia é chamada, ao final da tarde, para o centro de Estocolmo. Os relatos dizem tratar-se de uma agressão e o agressor, ainda por identificar, é um artista famoso.

No dia seguinte, a TMZ já tem uma pequena compilação de vídeos amadores que mostram quatro homens, nos quais se inclui o rapper, a agredir violentamente outros dois.

No dia 2 de julho, o Pretty Flacko partilha dois vídeos no Instagram. Revela que dois homens o têm seguido e provocado nos últimos dias.

A detenção:

Nesse mesmo dia, toca no SMASH Festival, em Estocolmo. No final da noite, é preso. Com ele, dois membros da sua equipa, vistos no vídeo. Relatos referem que foi uma detenção voluntária.

Segundo a TMZ, a polícia sueca impediu que a embaixada norte-americana tivesse contacto com o artista e com a sua equipa. Isto foi comentado como tratando-se de uma violação dos procedimentos habituais e dos direitos dos três homens.

No dia 5 de julho, ficamos a saber pelo The New York Times que A$AP Rocky estará preso em Estocolmo durante mais duas semanas. As autoridades suecas investigam a queixa de agressão, procurando determinar se o caso será levado a tribunal. O prazo de detenção poderá ser extendido.

O advogado à data, Henrik Olsson Lilja, conta ao The Times que o seu cliente se encontra num centro de detenção após o juíz determinar haver receio de fuga. Garante que Rakim Mayers (nome de baptismo do rapper) agiu em legítima defesa.

Enquanto isto, A$AP Rocky falta aos concertos agendados para os dias sucedidos. Eventualmente, é anunciado que o resto da tour foi cancelada.

Na semana seguinte, o Departamento de Estado dos Estados Unidos envolve-se no caso. Pede que as embaixadas e os países trabalhem juntos para assegurar a liberdade de Rakim e dos seus companheiros.

Carl Risch, Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Consulares, parte para a Suécia a 19 de julho. O motivo não é revelado oficialmente.

O julgamento:

Entretanto, os procuradores suecos acusam formalmente Rakim de agressão. Afirmam que os atos em questão constituem um crime, independente da legítima defesa e da alegada provocação. Adicionaram que a acusação foi baseada não apenas no material disponível na internet, ao contrário da opinião popular. Além de vídeos, têm testemunhas que confirmaram a versão da vítima.

O julgamento começa a 30 de julho. A$AP Rocky apela à sua inocência. Além disso, o advogado trabalha na tentativa de dissolução de uma prova: segundo a procuradoria, a vítima foi atingida na cabeça com uma garrafa.

Os procuradores pedem uma sentença de 6 meses, mas o juíz na presidência do caso não está convencido. Ordena que A$AP Rocky e a sua equipa sejam libertados até à decisão final do caso.

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A$AP Rocky, Bladi e Thoto (os dois colegas) e um dos advogados no caso, Martin Persson © Fredrik Persson/EPA-EFE/SHUTTERS

É-lhes concedida autorização para sair do país. Estamos a 2 de agosto de 2019.

As reações populares:

Aos fãs do rapper de Harlem, juntaram-se celebridades: uniram-nos a hashtag #JusticeForRocky, que dispoletou várias petições.

Nas redes sociais, as opiniões certamente dividiram-se.

Alguns acreditam que as autoridades suecas apenas procuraram atenção. Justificam-no dizendo que um caso como o de A$AP Rocky não deveria demorar tanto tempo a ser resolvido. É também dito que os suecos estão a utilizar o caso de Rakim como um exemplo, para mostrar como se sentem em relação aos americanos ou até em relação a pessoas da etnia.

 

Do outro lado da moeda, a defesa da posição que as autoridades judiciais suecas tomaram. Os argumentos são a favor da independência dos poderes executivo e judicial e da igualdade de todos perante a lei.

De um lado, vemos uma (implícita) acusação de racismo aos suecos pela forma como estão a lidar com o Flacko. Do outro lado, encontramos quem critique as leis americanas por não serem eficazes o suficiente: “se os Estados Unidos tivessem as mesmas leis, haveriam muitos mais polícias na cadeia por alvejarem homens negros inocentes“.

Por fim, as críticas a Donald Trump: após tentar telefonar ao Primeiro-Ministro sueco para discutir o caso, sem sucesso, o Presidente é acusado de ter agido contra a lei e de tentativa de juntar o poder executivo com o poder judicial. Que a Suécia deixou claro não deixar que aconteça.

O envolvimento de Donald Trump:

O 45.º Presidente dos EUA foi um ávido defensor da liberdade do rapper americano durante o último mês.

Expressou-o através de um dos seus conhecidos hobbies: tweetar.

Fez chamadas ao Primeiro-Ministro sueco, apesar de sem efeito. E colaborou no caso com celebridades como Kanye West (seu amigo) ou Kim Kardashian (futura advogada).

Os fãs de Rakim brincam com a situação, referindo-se a Trump como um possível membro do A$AP Mob (grupo musical).

Os apoiantes de Trump aplaudem o gesto, acusando as autoridades suecas de agirem de forma anti-americana. A maioria dos comentários nos tweets do Presidente, no entanto, condenam as preocupações do Presidente. Alertam para situações como os emigrantes nas instalações fronteiriças ou as opções diplomáticas quanto ao Irão.

Trump voltou a recorrer ao Twitter para se expressar quanto à liberdade de Rakim, inclusive utilizando trocadilhos: “get home ASAP” (“as soon as possible” ou “o mais rápido possível”).

O Rakim está de volta a casa:

O Pretty Flacko voltou ao Instagram, após o último post no início de julho no qual exaltava Estocolmo.

As letras maiúsculas sugerem o entusiasmo pela liberdade. Agradece aos seus fãs, aos amigos e a todos aqueles que o apoiaram durante as últimas semanas. Refere ainda que se tratou de uma experiência difícil e uma prova de humildade. Rocky, Bladi e Thoto (os dois colegas) regressam às suas famílias.

Somam-se e multiplicam-se os comentários de outras celebridades, algumas ativamente envolvidas no caso nas últimas semanas. Dwayne Johnson (The Rock), Big Sean, Pharrell Williams, Michael Jordan ou até mesmo a página oficial do A$AP Mob.

Tyler, The Creator mostrou o seu apoio ao amigo, nas redes sociais, nomeadamente através de um detalhe na sua bio: “flacko is missed“. Agora, vemo-los em fotos e repetindo a frase “RAKIM IS COMING HOME!!!!!!!!“.

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RAKIM IS COMING HOME!!!!!!!!

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O veredicto final do caso é esperado no dia 14 de agosto.