Adaptar os cartazes dos festivais às exigências do público parece uma coisa fácil e que tende a acontecer naturalmente. Mas o que acontece quando um espaço de música, predominantemente dedicado à música electrónica e experimental, como o Sónar, se vê tomado de assalto pelas sonoridades urbanas?

A resposta parece simples: balançar o cartaz e não perder a essência do festival, que são esses mesmos sons experimentais e com base electrónica. Contudo, temos visto como os sons urbanos têm ganho espaço nos cartazes dos festivais. Em jeito de balanço dos três dias de Sónar Festival, o Espalha-Factos procurou a opinião de alguns festivaleiros sobre essa mudança e a resposta à pergunta: o que procuram na electrónica que traz o Sónar Festival?

Fonte: Festival Sónar

Para Carlos Rodriguez, são os artistas de primeira linha e os sons mais experimentais e que não são tão conhecidos, aquilo que procura. Explica-nos que o Sónar não é um espaço onde tu apenas vais ver os teus artistas favoritos, senão também um local onde descobres outros tantos interessantes e que não conhecias. Cláudia, acrescenta-nos que a qualidade de som e o jogo de luzes, são factores que também importam.

Já no caso de Miguel Ramos, o ambiente é um factor importante. Conta-nos que por comparação ao Primavera Sound, o ambiente que se vive é muito melhor. Descreve-nos que as pessoas estão mais dispostas a estar no festival, são mais simpáticas e estão no recinto pela música e não para “aparecer”. Sobre a divisão do cartaz, diz-nos que o subtitulo é musica avanzada y electronica, pelo que crê que ambas as partes estão representadas por igual.

César Cortés é um dos maiores defensores, dentro do seu grupo, da importância da electrónica num festival como o Sónar. Explica-nos que neste festival, é a electrónica que tem mais importância e que a esse estilo de música se vão adossando outras coisas. Conta também que ainda existe muita gente que vê o cartaz e continua sem conhecer os nomes que lá estão, pelo carácter experimental que tem o Sónar mas que, contudo, continuam a comprar o passe.

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Por fim, descobrimos Fran, que nos condensa um pouco as opiniões anteriores e que vale a pena ler: o Sónar joga mais com o tema das músicas experimentais e com os novos sons – a empresa que gere o festival chama-se Advanced Music – e por isso é normal que funcione um pouco mais em torno da electrónica. O público elege este festival porque é uma festa com as sonoridades que saem mais da norma – do mainstream – e daí a sua graça. Ao final é um evento que sabes que independentemente do line up que tenha, vai sempre funcionar, porque os sons e os artistas são de alta qualidade.