La Casa de Papel regressou à Netflix com uma terceira parte na sexta-feira (19).  O grupo de assaltantes mais conhecido da televisão voltou para uma nova aventura, com novos parceiros e ainda novos inimigos. A essência da série mantém-se e torna-se mais uma vez no perfeito binge-watch cheio de reviravoltas.

O artigo pode conter spoilers

O fenómeno espanhol que virou internacional tem agora o claro cunho da Netflix. A qualidade de imagem melhorou, a edição mudou e a banda sonora também está diferente. Nota-se que há mais recursos e sente-se uma ligeira diferença que não conseguimos especificar.

Ainda assim, a terceira parte de La Casa de Papel recupera as características que a tornaram tão adorada mundialmente. A forma como as personagens interagem mantém-se, todos têm as suas falhas e especificidades e isso torna-as mais reais. Para os fãs da série, é realmente possível matar saudades de Nairobi, Tóquio, Rio, Denver e dos restantes, que agora estão mudados após o primeiro assalto.

O tão característico genérico também volta após o primeiro episódio, com a mesma música de Cecilia Krull. Além disso, a genialidade do Professor e dos seus planos mantém-se, ainda que desta vez o plano não seja tão infalível. Isto significa mais tensão e ainda mais reviravoltas que nas partes anteriores.

Passado, presente e futuro

Berlim, Palermo e o Professor em La Casa de Papel

Berlim, Palermo e O Professor num dos flashbacks em La Casa de Papel (Fotografia: Netflix)

A nova temporada foca-se em tentar recuperar Rio, que foi capturado pela Polícia. Para isso, o grupo recorre a um antigo plano de Berlim: um assalto ao Banco Nacional de Espanha. Como passaram dois anos desde que vimos as personagens e há um plano antigo em jogo, há muitos flashbacks na narrativa.

A história de cada episódio é intercalada com informação sobre o passado que encaixa perfeitamente nos momentos do presente. A relação entre o Professor e Berlim é um dos principais focos desses flashbacks que nos levam ao planeamento de um ataque com pouca probabilidade de sobrevivência.

Apesar de existirem tantas viagens ao passado, pouco ficamos a perceber sobre o passado das novas personagens, quem são elas e o que fazem ali. Também não entramos no passado das antigas personagens, não há referência a nada anterior ao assalto à Casa da Moeda, só para o Professor, Berlim e Palermo.

Algumas vezes também viajamos no tempo para entender o que andaram os assaltantes a fazer após o primeiro golpe. O primeiro episódio serve para isso, mas não é eficaz. É um episódio de contexto, o mais diferente dos restantes e o pior desta temporada. Tudo parece acontecer lentamente e com um tom demasiado lamechas.

Se o início parece forçado, o resto nem por isso. Tudo volta rapidamente ao normal. Os episódios vão melhorando um após outro e o último é o melhor de todos, que acaba a deixar-nos com água na boca para a quarta parte.

Boom, Boom, Ciao

Najwa Nimri em La Casa de Papel

Najwa Nimri é Alicia Sierra em La Casa de Papel (Fotografia: Netflix)

Nesta temporada explora-se mais a sexualidade e as relações amorosas das personagens. Se antes o Professor tinha uma regra para que não houvesse relações entre os assaltantes, agora deixou de fazer sentido. Após o assalto, até se dividiram todos por casais. Por isso, há mais sentimentos envolvidos e torna-se tudo mais pessoal.

É interessante que seja o amor entre Tóquio e Rio que volte a juntar o grupo. No final, percebemos que é mesmo por amor que todos estão ali, mas não por amor romântico. É um compromisso entre família. Todos cometem erros, mas acabam sempre por se salvar uns aos outros.

A nova inspetora, Alicia Sierra (Najwa Nimri), usa de forma implacável os sentimentos dos assaltantes para os atingir onde dói mais: a sua família. E esta personagem é uma das melhores novidades da série.

Mais, maior e… melhor?

Jaime Lorente como Denver em La Casa de Papel

Jaime Lorente como Denver em La Casa de Papel (Fotografia: Netflix)

A terceira parte de La Casa de Papel não é muito diferente das temporadas anteriores. Sim, há mais reviravoltas, novas personagens e mais tensão. Mas no fundo, é só o que já conhecemos de La Casa de Papel elevado ao quadrado. Tudo aquilo que resultou anteriormente está lá, com mais intensidade.

Quem adora esta série será surpreendido, ficará agarrado ao ecrã e vai sentir-se muito entretido ao longo de oito episódios. Pode até deitar uma lágrima no episódio final e sentir que estas personagens mereciam melhor. Porque a série pede-nos um grande investimento emocional na história e se alinharmos tudo resulta na perfeição.

Comparando com as outras temporadas, a ação acontece mais rapidamente. Não há tantos momentos mortos. Os flashbacks levam-nos ao passado e convencem-nos da nossa ingenuidade. As novas personagens são cativantes, especialmente Alicia Sierra. O que acontece é emocionante e inesperado e queremos continuar a ver.

La Casa de Papel manteve a sua fórmula de sucesso e conseguiu criar uma nova história onde parecia não haver mais nada a explorar. Ainda que os primeiros episódios sejam cansativos, rapidamente nos deixam colados ao ecrã. A Netflix entende o potencial desta série e por enquanto está a conseguir mantê-lo.

O final ficou claramente em aberto para uma quarta parte, que já se sabe que vai acontecer. Afinal, as regras mudaram e o grupo quer começar uma guerra. Mas esticar a corda para além de uma quarta parte parece arriscado.

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La Casa de Papel: terceira parte
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