Alba Farelo tem apenas 22 anos e apresenta-se de momento como uma das figuras de maior destaque na cena de música urbana internacional. O Espalha-Factos esteve à conversa com Bad Gyal no festival Sónar 2019.

Fonte: Festival Sónar

Espalha-Factos – Há muitas coisas que gostaríamos de saber, mas comecemos por Santa Maria, a tua nova canção. Acabou de entrar nos charts, toda a gente fala sobre isso e ouve-se o tema em todo o lado. Como te sentes com o feedback que o público te está a dar desta nova canção?

Bad Gyal – Pois muito bem, na verdade. Estou muito contente porque na verdade não esperava tanta boa recepção, está a ter um monte de views e não sei, não o esperava. E estou muito contente porque realmente é uma canção diferente daquilo que fiz até agora, é explicita, entendo que existam pessoas a quem poderá incomodar ou o que seja, mas não sei, surpreende-me e deixa-me muito feliz que esteja a funcionar tão bem.

EF – No seguimento desta tua canção, que já a tocaste em alguns concertos antes que tivesse saído o videoclip na tua tour fora de Espanha, como lidas – tendo a idade que tens – com essa projecção? Como geres essas expectativas?

BG – Pois na verdade não te vou mentir e sim sinto alguma pressão, agora neste momento, em fazer tudo bem. Quero fazer tudo super bem e no final penso sempre em esforçar-me, que me saíam melhor as coisas, em melhorar, em esforçar-me mais. Por isso é um pouco stressante e pressiona um pouco, mas creio que é o mínimo: se a vida te dá esta oportunidade de poder ter todas estas oportunidades à tua frente, pois eu creio que tenho que estar à altura e trabalhar muitíssimo para que seja sempre assim.

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EF – E agora voltas à cidade de onde saíste. Que importância tem o concerto do Sónar e o voltar a Barcelona?

BG – Muita importância. Já fazia tempo que estávamos pensando em fazer um upgrade do show, em melhorar em vários aspectos e agora conseguimos fazê-lo. Era uma coisa que estava fora do contrato discográfico, foi uma decisão puramente minha e da minha equipa desde Barcelona, gerimos tudo isso e contámos com muito mais coisas que não contávamos até agora: coreografa, uma direcção artística – onde eu dei um pouco a ideia daquilo que queria fazer no espectáculo e as pessoas que trabalharam nele, escolhemos porque acreditamos que entenderam bem a minha ideia e aquilo que queria fazer e assim foi – e o Sónar é muito importante porque é na minha cidade. Por esse motivo decidimos apresentá-lo aqui, também faz muito tempo que não canto porque aqui e sei que as pessoas querem muito ver-me e por isso também saíram duas canções novas até ao concerto: Santa Maria, Hookah e assim também creio que é um bom momento para mostrar o que vem aí e as novas canções que saíram. Existirão essas canções, canções antigas, canções que ainda não saíram, canções que oiço eu e que passo quando saio à noite, que sei que o público não as conhece e sei que vai gostar delas. Ver-me-ão a dançar muito também e é como se todos os aspectos de Bad Gyal se tenham unido neste concerto e que os meus fãs possam ver tudo o que gosto. Adoro seleccionar música, adoro descobrir música de muitas partes do mundo – e que creio que a maioria das pessoas aqui não ouve habitualmente -, adoro dançar, adoro cantar e adoro esta nova etapa em que estou com a minha música. Uma etapa que me está a dar a oportunidade de viajar, de estar com todas estas canções novas e que são uma evolução – não são iguais ao que fazia antes -, mas estou muito contente com elas e creio que é o momento perfeito para mostrar tudo isto.

EF – Falas muitas vezes das culturas que te influenciam. Contudo, há também uma cultura por detrás do ícone Bad Gyal – as pessoas quando pensam em ti associam-te a um determinado conjunto de coisas -, de que forma vês essa cultura urbana que antes era vista como uma coisa marginal e que agora foi convertida numa tendência?

BG – Eu sou fiel ao meu estilo e isso é uma coisa que também poderás ver no concerto. O styling também o penso eu com uma stylist, mas o design das peças foi feito por mim. E com isso também me refiro que toda a roupa sempre esteve muito conectada com a minha personalidade desde que era muito pequena. Creio que quando começo a ver que toda a gente está a utilizar uma tendência, pois já estou eu a partir para outra coisa que me inspira. Estou sempre à procura de coisas que goste e com isso dar aos meus fãs muitas referências: muitos looks, muito cabelo, muito material desse porque é uma coisa que gosto. Já que sou uma artista, penso que é algo com o qual posso jogar e trabalhar com as diferentes equipas: o team glam de cabelo e maquilhagem, a stylist que escolhi, todos vamos ao mesmo e estamos sempre em constante inspiração. Por exemplo: eu mudo imensas vezes de cabelo e de momento sinto que as pessoas ainda não o aceitaram bem. Oiço muitas sugestões que mude e não entendem muito as mudanças, mas creio que possivelmente daqui a uns tempos é uma coisa que se converterá em moda e são coisas que as pessoas têm que assimilar.

EF – Comentaste a forma como estás envolvida em todas as etapas do processo. Tu crês que isso é uma marca que te diferencia das demais artistas do teu “estilo”?

BG – Sim. Hoje em dia praticamente todos os artistas urbanos que estão na indústria mais a sério, que é onde eu me tento meter agora – noutro nível – nenhum deles quase escreve as suas canções. O artista hoje em dia tem muitas prioridades e muito trabalho, mas eu não posso separar de mim. Sou uma pessoa que tem muitas inquietudes desde pequena, quando tinha 14 anos e descobri a música jamaicana e fui consciente do que era, guardava todas as canções numa playlist e tinha 300 canções de dancehall, eu quis estudar design de moda porque não haverei de tratar do design daquilo que estou a vestir? Vejo-o como uma oportunidade e não como uma obrigação, não tenho que procurar alguém que me faça tudo, vejo-o como uma oportunidade e como gosto disso, sei que me diferencia. Por exemplo: eu e as minhas bailarinas temos uma química quando dançamos que não parece que estamos a fazer uma coreografia, dançamos com a mesma energia com que dançamos quando saímos numa discoteca. Sinto uma gigante paixão por trabalhar cada um desses pontos.

EF – Por fim, no ano passado estiveste em Portugal e voltarás este ano para um concerto em Lisboa. Conta-me o que é que conheces de Portugal, o que é que mais gostas e que expectativas tens para o teu concerto de outubro?

BG – Não conheço muito na verdade. Estive duas vezes e foi só cantar e voltei. Mas sei que a comida está óptima, a minha família foi a Portugal de carro e todos voltaram gordos. Está ao lado de Espanha, a gastronomia é idêntica e creio que se sente no público também, creio que é um público similar ao público espanhol. Penso também que exista muita multiculturalidade em Lisboa, gostaria de poder estar mais tempo para ver melhor isso.