Do acesso rápido à Ribeira à experiência de 360º sobre o Porto, passando por um novo Centro de Congressos e um restaurante permanente, o renovado Pavilhão Rosa Mota apresenta-se como um espaço polivalente. Com inauguração prevista para início de outubro, o agora Super Bock Arena assume a capacidade para atrair todo o tipo de eventos.

A três meses da abertura oficial, o consórcio Círculo de Cristal (responsável pela obra), promoveu uma visita de imprensa onde os jornalistas tiveram a oportunidade de conhecer o ponto de situação da obra. No comando da iniciativa estiveram Jorge Silva, da PEV Entertainment, e Filipe Azevedo, da construtora Lúcios.

Segundo Jorge Silva, o Pavilhão proporcionará aos visitantes a oportunidade de subirem até à cúpula do edifício, ou seja, ao “quarto piso”. O representante da PEV Entertainment explica que esta se trata de uma “experiência radical” onde será possível “ter uma noção exata do que é o Porto”. Tudo isto graças a uma visão de 360 graus.

Em declarações ao Espalha-Factos, revela também que numa questão de “segundos” passará a ser possível deslocar-se do Super Bock Arena para a Ribeira. Esta ligação será possível através de “escadas rolantes ou elevador”.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

Igual por fora, transformado por dentro

Para quem visita os jardins que submergem o Super Bock Arena, este poderá parecer igual ao que era aquando do início dos trabalhos de requalificação. É essa a intenção. Para o consórcio responsável pela obra, o projeto só poderia respeitar a identidade da arquitetura exterior original. No entanto, e porque as “surpresas” também acontecem, Filipe Azevedo explica que a intenção de manter a caixilharia original não foi possível, tendo esta sido substituída.

Se por fora a obra se mantém praticamente intocável, por dentro a história muda de figura. Uma das grandes novidades é a criação de um Centro de Congressos. Servindo anteriormente para arrumos e casas de banho, o piso -1 será agora uma “mais-valia” para a cidade.

Neste sentido, foi necessário um rebaixamento do piso e seis meses de escavações para a construção de um auditório em anfiteatro com capacidade para 500 pessoas. O espaço contará ainda com quatro salas planas, cada uma com 100 lugares, e ainda uma zona de exposição com uma área de 617 m2.

Também neste piso será criado um restaurante com vista para o lago e para os jardins. Terá uma área interior e uma esplanada com funcionamento regular durante o dia. Está ainda previsto um food court de apoio à atividade.

Mas as novidades não se ficam por aqui. O renovado Pavilhão Rosa Mota conta com novas valências: espaços lounge, sistemas de bancada telescópicas, acesso dedicado a artistas, atletas e palestrantes e wi-fi em toda a sala, entre outras.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

Um projeto polivalente

Conhecidas as novidades do piso subterrâneo, seguiam-se as da sala principal. Este “mexer numa obra emblemática” equacionou-se como o maior “desafio” da obra para Filipe Azevedo.

O espaço, que também se encontra em fase de requalificação, apresenta bancadas amovíveis que permitem personalizar os eventos mediante o conceito que for delineado e o número de pessoas previsto.

De acordo com o número de espectadores, a sala poderá atingir um máximo de 5.500 lugares sentados. Quando é necessária uma maior disponibilidade, as bancadas do piso 0 são retiradas, permitindo que o público esteja de pé e a lotação atinja as oito mil pessoas.

Nos pisos 1 e 3 encontram-se as bancadas fixas. Já no segundo foram construídos 23 camarotes, com 16 lugares cada. O conforto dos cidadãos de mobilidade reduzida também foi assegurado. Estes espectadores terão à sua disposição um número de lugares próprios superior ao exigido por lei e um elevador próprio que apenas será partilhado com profissionais do espaço para questões de logística.

A ideia de polivalência foi por inúmeras vezes reforçada. O Pavilhão Rosa Mota quer efetivamente estabelecer-se como um local central com capacidade para receber vários eventos culturais, desportivos e empresariais de grandes dimensões.

A arquitetura circular é apontada como propícia à realização de concertos com palcos dispostos no centro da sala. Também a circularidade do pavilhão é vista como facilitadora de eventos desportivos, como o hóquei, permitindo ao espectador ter uma boa visão em qualquer lugar.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

A prioridade na sustentabilidade

A preocupação ambiental foi um dos aspetos prioritários na renovação do Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota. Foram implementados sistemas que garantam uma maior eficiência energética e uma correta utilização dos recursos.

Uma das soluções passa pela utilização da água do lago dos jardins para a refrigeração natural das máquinas de controlo de temperatura. Desta forma, os consumos energéticos e os gastos de água serão reduzidos em cerca de 40%.

Outra das alterações prende-se com a substituição dos vidros existentes na cúpula por vidros duplos termolaminados pelo interior e temperados pelo exterior. Esta é uma forma de tornar o edifício eficiente ao nível energético.

No que à iluminação diz respeito, foram adotados sistemas de iluminação eficiente como a utilização de lâmpadas LED. O espaço estará ainda dotado de climatização como forma de controlo das condições térmicas.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

(Finalmente) de braços abertos à música

Para Jorge Silva, o Pavilhão Rosa Mota era “um espaço muito bonito, mas disfuncional”. Esta disfuncionalidade é evidenciada no contexto musical, sendo que, ao longo dos anos, os concertos realizados sofriam de más condições de acústica, revela.

Neste sentido, e como a música é vista como um fator imprescindível à continuidade do espaço, foi necessário dotar a sala de espetáculos de boas condições sonoras. Ao longo de toda a estrutura foi aplicada uma cama de lã de rocha com mais de 40 centímetros e ainda uma tela acústica que irá cobrir os gomos da cúpula. Para que tal aconteça, a cúpula central será completamente tapada, deixando de ser visível pelo interior.

Os 768 óculos que fazem parte da cúpula do edifício irão manter-se semelhantes. Ainda assim, e tendo em conta que os concertos e outros eventos necessitam de uma iluminação natural nula, o espaço está dotado para que todos os óculos sejam totalmente tapados sempre que necessário.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

Eu acredito que esta será a nova centralidade do Porto

Após a visita guiada e consequente resposta às questões dos jornalistas, Jorge Silva conversou com o Espalha-Factos e destacou as potencialidades do Pavilhão para o Norte do país.

Sem qualquer hesitação, Jorge Silva afirma que o Super Bock Arena “tem de ser” o principal centro de espetáculos do Norte. Reconhecendo o trabalho de salas como os pavilhões Multiusos de Gondomar e Guimarães, acredita que a localização, as funcionalidades e a capacidade tecnológica da sala portuense lhe conferem um estatuto privilegiado.

Quando questionado sobre se este espaço poderia descentralizar alguns eventos de Lisboa para o Porto, o representante da PEV Entertainment confirma que sim e acrescenta: “eu acredito que esta será a nova centralidade do Porto”.

Esta centralidade é reforçada pela criação de duas estações de metro nas imediações e pela construção de novas unidades hoteleiras, “a partir do momento em que o Super Bock Arena começou a ser comunicado, já vamos ter uma série de hotéis aqui à volta”. No entanto, uma das novidades que não constam nas informações até então divulgadas é a construção de “escadas rolantes ou elevador” que ligue rapidamente este espaço à Ribeira.

Finalmente, Jorge Silva esclarece que o nome de “Pavilhão Rosa Mota” se manteve por uma questão de respeito. “O Porto respeita as suas personagens e a Rosa Mota é alguém que nos diz muito e que queremos preservar”.

Pavilhão Rosa Mota

Fotografia: Juliana Silva

A requalificação do Super Bock Arena tinha um orçamento previsto de “oito a oito milhões e meio” de euros, mas segundo Filipe Azevedo estes números serão muito provavelmente superados. De acordo com a organização, as obras terminam no final de setembro, com a inauguração do espaço a ter lugar em inícios de outubro, sem data prevista.