A RTP2 interrompe a longa sequência de séries europeias para estrear, esta quarta-feira (17), uma produção norte-americana sobre a vida de Nelson Mandela. Chama-se Madiba, tem seis episódios, e foi lançada internacionalmente pelo canal afro-americano BET.

O veterano Laurence Fishburne, conhecido pelos papéis em Matrix ou na série CSI, desempenha o papel do herói sul-africano, numa série que não se vai focar apenas no antigo presidente. A BET explica que o enredo “também homenageia os muitos homens e mulheres menos conhecidos que se sacrificaram e sofreram com ele para perseguir o desígnio de liberdade para a África do Sul“.

Madiba será ainda um retrato realista da vida na época do apartheid e da ação violenta do governo para conter, a todo o custo, os protestos anti-racistas. Seis horas de muita informação histórica em forma de ficção, de acordo com a descrição divulgada pelo canal que produziu este drama baseado em factos reais.

A CNN classifica-a como uma minissérie “à moda antiga”, explicando que Madiba cobre um período de décadas que se inicia com a juventude de Mandela e passa pelo último desejo do pai, de que estudasse e tivesse uma educação, prosseguindo depois pelos seus amadurecimento e afirmação política. Relata também a ascensão à liderança do ANC, a consequente prisão e regresso à liberdade, bem como a vitória do sistema que o oprimiu.

madiba

A série, na qual surgem outras personagens históricas como Oliver Tambo (Orlando Jones) e Walter Sisulu (David Harewood), deixa claro que Mandela pagou um terrível preço a nível pessoal, nomeadamente no que diz respeito à sua família e relações, inclusivamente com a dura esposa Winnie (Terry Pheto).

Uma boa surpresa ou Hollywood piedosa?

Hanh Nguyen, crítico do Indiewire, sublinha que Laurence Fishburne traz ao papel de Mandela a necessária “firmeza“, ao mesmo tempo que “transmite também uma tristeza de partir o coração, um fervor tenaz e algum calculismo“. E, desvalorizando as óbvias diferenças físicas, o site sublinha que o ator norte-americano “incorpora bem o espírito de Mandela“.

Madiba foi filmada na África do Sul e é baseada em duas autobiografias de Mandela. Representa, de acordo com o canal noticioso, “um drama histórico que podia ter sido transmitido por um canal de distribuição nacional e que representa uma boa surpresa por parte da BET“.

O Indiewire classifica a série como “obrigatória para todos os que questionam os limites da natureza humana para perseguir uma causa – em nome da liberdade ou mesmo em nome do nacionalismo“, clarificando que “a paixão, como qualquer ferramenta, pode ser usada para o bem e para o mal“.

Mike Hale, do New York Times, não tem um olhar tão simpático e critica a série por “preferir a explicação à ação” e por ter um guião que “é reverente sem ser inspiracional“. Descreve-a ainda como tendo um “visual artificial” que corresponde ao “tradicional estilo de Hollywood piedosa“.