Tudo tem um fim, até mesmo o NOS Alive que faz com que três dias sejam todo um verão lento e relaxado. Os banhos de sol em Algés acabam e os milhares de pessoas com quem partilhamos a música deixam de estar ao nosso lado. O último dia teve como cabeças de cartaz Bon Iver e Smashing Pumpkins, ainda que os restantes palcos estivessem à altura.

IDLES arrebatadores e donos de si mesmos

Estendemos o corpo ao sol quando ele ainda ia alto e o Clubbing nos fazia passar o tempo com a eletrónica que se merece. Gavin James foi dos primeiros nomes a demover o público (pouco) “alive” e arrastou-o até ao Palco Sagres, onde muitos exclamavam “então este é o daquela música da rádio”. O britânico Tom Walker subiu ao palco principal onde impressionou a enchente que aí se concentrava – foi um bom soundtrack para o jantar.

O motor custou a aquecer, mas o carro engatou imediatamente com IDLES. Caso para dizer que rebentaram com tudo, inclusive com os nossos ouvidos. A banda de post-punk deixou suor, sangue e lágrimas em palco ao vir apresentar Joy as an Act of Resistance. Um momento de crowdsurfing de Mark Bowen e um Joe Talbot a oferecer a alma aos presentes.

Voltamos à casa onde fomos felizes com Bon Iver

A agitação à frente do Palco NOS dava-se pelo regresso tão aguardado de Bon Iver, apesar de não haver muito de novo para dar aos fãs. Isso não foi motivo para deceções, pelo contrário – a banda norte-americana ofereceu um início de noite bonito mas contido. Justin Vernon e a restante banda mostraram-se sempre tímidos atrás dos seus instrumentos e o público estava ligeiramente deslocado de atenções. O intimismo da música, apesar de mais diluído com o último disco 22, A Million, fez a diferença num palco avassalador como aquele. É sempre bom voltar a casa com os êxitos dos Bon Iver pelos quais nos apaixonamos, apesar da distância sentida entre banda e público.

Após o grande concerto da noite, muitos se dividiam: ora correram para ainda apanhar Marina (anteriormente Marina & The Diamonds), que deu um banho de pop ao Palco Sagres com os seus bailarinos a ajudarem a compor o cenário de pseudo aula de aeróbica que acontecia naquela tenda. Ora esperaram largos minutos para Smashing Pumpkins, que tinham muitos fãs à sua espera, não fossem eles uma banda de culto de uma geração (ou várias).

Thom Yorke levou-nos ao santuário da distopia

A igreja montou-se no Palco Sagres para receber o sagrado Thom Yorke. De longe um dos concertos mais envolventes do festival e que juntou milhares dentro e fora da tenda, que estava a abarrotar. Assim que Yorke entra em palco e os sintetizadores frenéticos começam a fazer o seu trabalho, temos a certeza que entramos no vórtex. Sentimos a distopia arrepiante com os falsetes de Yorke a penetrar os nossos ouvidos e o corpo a mexer inevitavelmente às ordens da sua dança convulsiva. Dawn Chorus, a balada em que todos respeitaram o silêncio, e Default, dos Atoms For Peace, agitaram as águas já no encore. Foi-nos trazido o santuário e com o divino Yorke tivemos a comunhão de domingo.

Chegou ao fim mais uma edição do NOS Alive e cá estaremos para 2020, com Da Weasel já confirmados.

Fotografias de Tomás Almeida.