A versão live-action de O Rei Leão chega aos cinemas a 18 de julho, mas o Espalha-Factos assistiu ao primeiro visionamento da longa metragem. A nova versão da história da Disney é fiel à versão de 1994, mas não tão boa.

Protagonizada por Donald Glover e Beyoncé Knowles-Carter, a nova roupagem do clássico intemporal segue – literalmente – as pisadas do anterior. As cenas estão colocadas de forma idêntica e, em alguns momentos, existem até diálogos e falas que são totalmente iguais à versão original. Nada errado aí. Excepto, talvez, o facto de… Se foi feito de novo, tinha que ter alguma novidade, não? Pois, infelizmente não tem.

O mais recente filme da Disney é muito bom, mas falta-lhe o fator novidade. Apesar dos efeitos especiais serem do mais fenomenal que se tem visto ultimamente no cinema (e irá render-lhe uma nomeação e possível vitória nos Oscars de 2020, não há dúvidas) a recente versão não acrescenta nada à história já conhecida.

Ao contrário do que aconteceu com Maléfica (o filme protagonizado por Angelina Jolie que ganhará em breve um sequela), Dumbo ou até Cinderella, a nova versão de O Rei Leão é quase uma cópia do filme de 1994, com a diferença de se tratar de um live-action. Os diálogos repetem-se e as cenas, por vezes, são totalmente iguais à versão original.

Apesar de conquistar e de ser, provavelmente, o melhor remake que a Disney já realizou até aqui, quando o filme acaba é impossível não nos perguntarmos qual o objetivo ao refazer o filme. Para os tempos que correm no cinema, a resposta parece-me óbvia: dinheiro. Se existe campo onde a Disney domina por completo é no cinema, seja com Star Wars, com o Marvel Cinematic Universe, com os filmes originais e da Pixar, como agora – mais recentemente – com os remakes. Porém, enquanto os live-actions anteriores nos deixam com a sensação de que os filmes realmente tinham uma nova perspetiva para mostrar, O Rei Leão é simplesmente feito em cima de um molde antigo.

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Beyoncé Knowles-Carter é Nala na nova versão do clássico

Para além da ausência de novidades na nova roupagem da obra, o excesso de Beyoncé também não ajuda. Beyoncé é, sem qualquer sombra de dúvidas, uma artista muito completa. Seja na área da música – onde domina (e aqui não é exceção) – ou no cinema, Beyoncé não costuma deixar a desejar. No entanto, o hype criado pela Disney à volta da sua presença no filme foi totalmente absurda para a presença que realmente teve na longa metragem.

É incontestável que ter Beyoncé a encabeçar o elenco de um filme é de louvar, afinal trata-se de uma das maiores artistas do século e com mais influência junto do público, todavia, O Rei Leão é sobre Simba, a personagem de Donald Glover (também conhecido como Childish Gambino). Entende-se que, ao nível promocional, a escolha tenha recaído sobre Beyoncé para tornar o filme mais atrativo, ainda assim, a personagem não o justifica.

Musicalmente, O Rei Leão é incrível. Não apresenta novas músicas inesquecíveis – como A Bela e o Monstro, em 2017 – mas ouvir os clássicos na voz do elenco é uma experiência que vale muito a pena. A longa-metragem inicia-se, à semelhança do original, com Circle of Life, e tudo o que se segue é igualmente arrepiante.

No cômputo geral, a nova versão de O Rei Leão cumpre o seu propósito, apesar de não ser tão boa como a versão original. Falta-lhe algo de novo para além do novo visual. Esperava-se algum background de personagens como Scar ou Mufasa, mas em vez disso, fomos presenteados com as mesmas cenas de há 25 anos. Ainda assim, é sem dúvida um dos melhores live-actions da Disney até à data.

Título original: The Lion King
Realização: Jon Favreau
Argumento: Jeff Nathanson
Elenco: Donald Glover, Beyoncé Knowles-Carter, Seth Rogan, Chiwetel Ejiofor, Alfre Woodard, Billy Eichner
Género: Animação, Aventura, Drama
Duração: 118 minutos

Já vimos 'O Rei Leão' e é (quase) tudo o que queríamos
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