Fotografia: Hugo Sousa (gnration)

Kevin Morby surpreende e conquista com o outro lado do rock

Kevin Morby subiu ao palco do Auditório Vitas em Braga, na passada segunda-feira (8), como parte da programação do ciclo [email protected] (uma iniciativa que leva a música a diferentes locais bracarenses).

Acompanhado por Hermon Mehari no trompete e por Waxahatchee num círculo de nuvens, rosas e intimidade, esgotou a capacidade de 500 pessoas e acabou por conquistá-las à medida que o concerto se desenrolava.

Depois de ter passado pelo festival Vodafone Paredes de Coura em 2018, o músico veio apresentar o seu quinto álbum de estúdio Oh My God a Portugal. Antes, esteve no Teatro São Luís, no domingo (7), na sequência da celebração dos 25 anos da Galeria Zé dos Bois (ZDB).

Kevin Morby – Hugo Sousa / gnration
“Como abordar a religião” por um não crente

Kevin Morby procurou confecionar um álbum cuidado, com um lirismo trabalhado e com a produção de Sam Cohen, como já é habitual nas suas composições.

Tendo em conta o seu passado próximo com a religião metodista praticada pelos seus pais, a sua visão do indizível sempre fora conturbada. Acaba, então, por se virar para esse universo e explora tudo o que dele brota…

Este álbum toca no quão absurdo e belo consegue ser o conceito de religião e coloca-o em toda uma panóplia de sentimentos, desde a tristeza ao seu oposto. Não deixa de aportar as consequências da transposição da religião no mundo, em conceções e associações culturais observáveis na comparação da guerra ao inferno, por exemplo. A vulnerabilidade deste projeto foi sentida com grande atenção pelo público.

Primeiro, sentou-se ao piano e saudou o público com ‘Oh My God’ (também a primeira faixa do álbum), um mantra repetido incessantemente até à chegada do trompete, uma composição que ilustra o quão omnipresente pode ser uma expressão, a carga inofensiva e concomitantemente opulenta que um vocábulo pode carregar.

Um concerto intimista

Depois de Kevin anunciar o tom do concerto, são as pequenas nuances de luzes que alimentam um panorama simplista e deixam espaço unicamente para apreciar o valor musical e lírico do artista. Desta vez, não trouxe a sua banda: não era um concerto de rock, como referira ao público. A sua ambição seria a de ser um contador de histórias, neste caso, uma história sobre a fé.

Procede com ‘Hail Mary’ numa oração com a sua guitarra; ‘Savannah’ deixa o público a sonhar no tempo e ‘Piss River’ fazia movimentar levemente os corpos tímidos de quem assistia à performance de um dos grandes do rock alternativo. As referências ao medo de Deus e à sua presença constante na vida de infância de Kevin continuam — “With the seven devils on my train line” — este pavor fascina-o em ‘Seven Devils’.

O outro lado de Kevin Morby

A partir do momento em que Kevin começa o reportório dos seus álbuns mais antigos, uma relação mais próxima com o público cresce. Depois de tocar ‘Crybaby’ e “Aboard My Train” do seu álbum de 2017 City Musicchama ao palco Waxahatchee (Katie Crutchfield), com quem já tinha trabalhado em tours anteriores. Conheceram-se a partir do seu mútuo carinho por Jason Molina, pelo que não podiam deixar de tocar a cover conjunta de ‘The Dark Don’t Hide It’.

De seguida, Kevin introduz a música que serviu de mote para este último álbum: Beautiful StrangersDirige-se à plateia e alerta que, independentemente do local onde vivem, ou de onde veem, serão estranhos bonitos aos seus olhos. Compôs a música em 2016, numa altura agitada pelos atentados de Paris, por uma divisão do mundo, uma mágoa crescente, segundo as palavras do cantautor. Dor essa que encapsulou na música e o fez prosseguir na composição deste álbum.

Kevin Morby e Waxahatchee- Hugo Sousa / gnration
A paixão por Portugal

Antes da última música da noite, Kevin falou da primeira vez que veio a Portugal em 2014, da primeira vez que pensou em vir a Portugal pela recomendação dos amigos, do primeiro concerto em Aveiro e da primeira estadia no Porto. Sente-se apaixonado pelo país e revela que ‘Dorothy’, música do seu terceiro álbum Singing Sawfoi inspirada na cidade portuense.

Volta ao palco e uma cover de Bob Dylan, da música ‘It Ain’t Me Babe’, faz jus a quem o compara à lenda do folk. Termina com ‘Parade’ e ‘Harlem River’, dois dos seus maiores hinos, porém promete voltar no próximo ano (parece não conseguir resistir aos encantos de Portugal).

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