Entre tantos outros fatores, a década de 1960 ficou marcada pelos movimentos “contracultura” que acabaram a funcionar como combustível para as mais diversas revoluções e protestos contra o status quo. Talvez seja na música onde encontramos a parte mais notável dessa época.

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por mais rebelde que o rock já fosse na década anterior, este género musical era unicamente um ponto de quebra no meio de um ambiente cultural totalmente conservador cujos ouvidos ainda não estavam preparados para um mainstream que contestava esse espaço.

Fonte: “Miss Vivian Marinelli giving lesson in dancing the Charleston to basketball players of Washington, D.C” por National Photo Company Collection (CC PDM)

Foi na década seguinte que começámos a ver o rock tomar a forma que o levou à época de ouro. Era impossível, a partir dali, ignorar as dualidades e desigualdades, principalmente a partir dos norte-americanos, em âmbito interno e externo, com o preconceito racial a ter força de lei no sul do país, e com a futilidade da guerra do Vietname no seu pior. Foram fatores que acabaram por se infiltrar nas temáticas de músicas, filmes, peças de teatro e tantas outras formas de mídia, muito contra os líderes da nação, por conta de uma juventude verdadeiramente rebelde.

É nesse contexto de quebra de paradigma que surge Jimi Hendrix. Nascido na costa oeste dos Estados Unidos, Hendrix usou a sua fama no sul do país, em Tennessee, para se lançar em Nova York. Acabou por chegar a Londres, e depois espalhou-se pelo resto do mundo com o seu estilo de tocar guitarra mais notável do que nunca.

Hoje, Hendrix é encontrado como legado bem além das variáveis mais pesadas e psicadélicas de rock ‘n’ roll que ele acabou por ajudar a criar. Da música propriamente dita até jogos de casinos online autorizados em Portugal, é quase impossível fugir da sua zona de influência.

Fonte: “Jimi-Hendrix-1967-Helsinki” por Hannu Lindroos (CC PDM)

Talvez a única arte que ainda não tenha feito jus ao seu supremo talento e virtuosidade tenha sido o cinema. Obras biográficas lançadas em 2000 e 2013, além de reproduções como personagem secundário em filmes que falam sobre o “caldeirão” que foi a década de 1960 na música, possuem enormes falhas não só técnicas como também de guião, e até na fidelidade das histórias contadas.

Mas o mais importante é obviamente o legado deixado por Jimi na música nos seus curtos 27 anos de vida, interrompidos por um incidente onde a mistura entre álcool e remédios para dormir levou ao seu óbito. Ainda havia muito a ser criado e lançado por Hendrix se ele estivesse vivo após 1970, assim como também para servir de testemunha às várias bandas e artistas que carregam sua influência.

Talvez o principal seria ver que ele abriu as portas do rock para artistas que fugiam do molde pré-estabelecido pela divisão racial que existia nos Estados Unidos. O músico negro e altamente inspirado por artistas de blues e jazz que estavam quase esquecidos por aqueles que criaram fortunas com suas obras, serviu como ponte para integrar esses polos culturais antes muito bem demarcados e separados entre si, apesar de seu encaixe um com o outro ser mais do que perceptível.

É assim que Jimi Hendrix vive. E o mundo agradece.