Decorre até 18 de julho a 36.ª edição do Festival de Teatro de Almada, que se posiciona essencialmente em Almada, mas também em Lisboa e Cascais. Com uma programação eclética, o Festival recebe 38 espetáculos de teatro, música e dança, cuja origem  se estende da europeia, à africana e latino-americana. Neste artigo reunimos os principais destaques desta edição.

Uma das extensões do Festival de Almada a Lisboa acontece em As três sozinhas, que ocupa o espaço do Teatro Nacional D.Maria II entre 10 e 14 de julho. Anabela Almeida, Cláudia Gaiolas e Sílvia Filipe encarnam Medeia, Górgonas, Joana D´Arc, Frida Khalo, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir, Malala e tantas outras vozes, invocando uma lista infinita de mulheres, em torno de uma clareira na floresta, à noite. Podes ver nos dias 10 e 13 pelas 19h30, dias 11 e 12 pelas 21h30 e dia 14 pelas 16h30.

Bulle Ogier e Maria de Medeiros em ‘Um amor impossível’, de Christine Angot, com encenação de Célie Pauthe | Foto: página oficial do Festival de Almada no Facebook

O ano da 36.ª edição do Festival é em simultâneo o ano que assinala o centenário do nascimento de Primo Levi e da primeira adaptação de sempre para teatro, em Portugal, da sua obra Se isto é um homemPrimo Levi relatou com uma secura e honestidade dolorosas o testemunho de um sobrevivente do Holocausto, trazido pela primeira vez aos palcos portugueses com a encenação de Rogério de Carvalho. Está em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite nos dias 8, 10, 12, 16 e 18 pelas 18h30 e dias 9, 11, 15 e 17 pelas 21h30.

Cláudio da Silva em ‘Se isto é um homem’ | Foto: página oficial do Festival de Almada no Facebook

Já nos dias 10 e 11, estará em cena no Teatro Nacional D. Maria II a peça Macbettu, pelas 19h e 21h, respetivamente. Adaptada a partir de Macbeth, de William Shakespeare, e encenada por Alessandro Serra, é o primeiro espetáculo em língua sarda apresentado em Portugal, já tendo ganho inclusive o Prémio Ubu de 2017 para melhor espetáculo e melhor interpretação. No encontro de particularidades como a centralidade da coreografia e a exclusividade masculina no corpo de atores (tal como sucede no teatro isabelino), Macbeth é transformado em Macbettu, uma maléfica personagem de Sardenha, e a Bargagia toma o lugar da Escócia.

Um dos espetáculos mais aguardados desta edição é sem dúvida a peça Mary Said What She Said, que trará o aclamado encenador Robert Wilson e a excecional atriz francesa Isabelle Hupert a Portugal. O monólogo, escrito por Darryl Pinckney, remonta à véspera da execução da rainha Maria da Escócia e, apesar de apresentado em francês, vai ter legendas em português. A peça vai a cena nos próximos dias 12 e 13, pelas 21h, no Centro Cultural de Belém.

Isabelle Hupert em ‘Mary Said What She Said’ | Foto: página oficial do Festival de Almada no Facebook

Já na reta final do festival, a Companhia Nacional de Bailado apresenta o espetáculo Quinze bailarinos e tempo incerto, com João Penalva e Rui Lopes Graça. A 17 de julho, pelas 21h30, e dia 18, pelas 19h, o Teatro Municipal Joaquim Benite recebe a peça que procura “estimular a relação individual do espectador com a presença em palco de quinze bailarinos associados temporariamente a um cenário, luz e som, mas sem o fio condutor de uma narrativa”.

‘Quinze bailarinos e tempo incerto’ | Foto: página oficial do Festival de Almada no Facebook

Homenagem a Carlos Avilez

Como já é habitual, o Festival de Teatro de Almada homenageia a vida e obra dos maiores artistas ligados à temática do evento. Este ano, o escolhido é o ator e encenador português Carlos Avilez. Começou a pisar o palco em 1956, na Companhia Amélia Rey-Colaço – Robles Monteiro, passou pelo Teatro Experimental do Porto e entre outros, dirigiu o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC) e o Teatro Nacional D. Maria II e fundou, em 1965, o Teatro Experimental de Cascais (TEC).

Carlos Avilez/ Foto: página oficial do Festival de Almada no Facebook

Assim, a Escola Básica D. António da Costa, em Almada, recebe uma dupla exposição de homenagem ao encenador. Todos os dias até 18 de julho, entre as 15h e as 24h, decorre a Exposição de Homenagem (no  Átrio) e a Exposição Documental Vida e Obra de Carlos Avilez (na Sala Polivamente), ambas da conceção de José Manuel Castanheira.

Imagem: divulgação

Podes comprar a assinatura do festival, para não perderes nenhum espetáculo, ou obter mais informações através do site da Companhia de Teatro de Almada/Teatro Municipal Joaquim Benite, a organizadora do evento.

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