A mais recente docu-series da NetflixOs Últimos Czares estreou no passado dia 3 de julho. A série, de seis episódios, realizada por Adrian McDowall e protagonizada por Robert Jack, Susanna Herbert, Ben Cartwright, vem recolhendo críticas heterogéneas. Como não podia deixar de ser, o Espalha-Factos acompanhou o novo original da Netflix e deixa aqui a sua análise.

Em Os Últimos Czares vemos a fascinante história da dinastia Romanov. A série foca-se no Imperador Nicholas II, mostrando todos os acontecimentos que culminaram no assassinato da sua família pelos Bolcheviques. Vemos a sua coroação, o tempo passado com Rasputin (o auto-proclamado Santo), o início da I Guerra Mundial e as enormes disparidades entre a realidade da população geral e a vida esplendorosa da realeza.

Os Últimos Czares

Imperador Nicholas II e a Imperatriz Alexandra | Fonte: Russia Beyond

Um casting perfeito e uma mixórdia de estilos

Os Últimos Czares é uma série luxuosa, com um elenco escolhido a dedo. Nesta comparação entre os atores da série e aqueles que interpretaram, podemos ver este cuidado – para além das parecenças, o figurino também é uma das caixas onde podemos pôr um visto certeiro. A docu-series é, por isto, uma experiência bastante vívida. Somos transportados ao início do século XX e à grandeza da dinastia Romanov. As dramatizações são bem conseguidas, com um tom, em momentos, bastante moderno.

Por outro lado, a série tropeça em si própria. É composta por dramatizações da vida real, reencenações faladas, imagens e filmagens de arquivos e, por cima disto tudo, um narrador, o que torna a série confusa e sem a consistência que merecia e que a pudesse vir a pôr no patamar de séries como  The Crown.

A (falta de) atenção ao detalhe

Apesar de belíssimas decisões no que toca ao elenco e o cuidado com o figurino, há várias falhas no que toca os cenários e adereços do set, sendo a mais flagrante de todas encontrada logo na primeira cena – ao situar geográfica e cronologicamente a série (Moscovo, 1905), a imagem escolhida como backdrop desta primeira cena é a Praça Vermelha com o Mausoléu de Lenine, que só viria a morrer vinte anos depois.

Outra queixa comum é o sotaque coloquial britânico e as cenas demasiado curtas, que tornam difícil a aproximação do espectador à personagem. Ao mesmo tempo, os atores brilham em cena e mostram de relance a profundidade da história de cada personagem.

os ultimos czares

Grigori Rasputin e a Imperatriz Alexandra | Fonte: The Daily Beast

Ao fim ao cabo, Os Últimos Czares é uma experiência indispensável para os amantes de história que têm vindo a devorar as docu-series. Peca nalguns critérios, mas brilha pelas atuações, pela capacidade de transportar o espectador a outra época e pela inserção de testemunhos variados acerca da história da família de Nicholas II e do seu sangrento desfecho.

Netflix ainda não se pronunciou acerca da renovação para uma segunda temporada. No entanto, sendo que a história dos Romanov acaba no último episódio, a prospeção de uma nova temporada, provavelmente, residiria no rescaldo do assassinato da família pelos Bolcheviques.

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