Fotografia: José Avelar - Museu de Lisboa

‘Édipo – Cegos Que Guiam Cegos’: um clássico que podes ver no Teatro Romano este mês

A tragédia clássica Édipo, de Sófocles, está em cena no Museu de Lisboa – Teatro Romano de 4 a 21 de julho, com a Companhia Teatro Livre, que inclui Diogo Lopes e Sandra Celas nos principais papéis. O Espalha-Factos assistiu ao ensaio geral e diz-te porque vale a pena saíres de casa e ires ver este clássico.

A história é conhecida. A tragédia de Édipo faz parte de toda a cultura ocidental desde que foi escrita por Sófocles no século V a.C., sendo uma das obras mais famosas do dramaturgo: o filho destinado a matar o pai e casar com a própria mãe, uma metáfora sobre a inevitabilidade do destino. O texto continuou a ser representado pelo romanos, que construíram o teatro romano de Lisboa no século I a.C., onde esta história volta a ganhar vida.

Fotografia: José Avelar – Museu de Lisboa

Vestir o papel

Édipo – Cegos que guiam cegos é encenada por Beto Coville, que dirige a Companhia Teatro Livre nesta apresentação da tragédia grega. O elenco inclui vários nomes conhecidos do público português como Sandra Celas no papel de Jocasta e Diogo Lopes no papel de Édipo, assim como Eurico Lopes e Luísa Ortigoso.

Os figurinos de Valentim Quaresma são parte essencial da visão de Beto Coville. As roupas pretas, simples, simultaneamente inspiradas no tempo do teatro e da peça mas com elementos modernos, contemporâneos, como acessórios dourados e estilizados de metal e outros de pele. A caracterização é feita com uma maquilhagem simples, de olhos lineados a preto, e tanto esta como os figurinos conseguem tanto transparecer a inspiração greco-latina do local e do texto, como a modernidade dos nossos dias.

Fotografia: José Avelar – Museu de Lisboa

Luzes, música… ação

As ruínas são o cenário e os bastidores, enquanto o palco é um simples estrado preto. Houve, de facto, um esforço para interferir de forma mínima com as ruínas arqueológicas. Ao mesmo tempo estas são o ingrediente que torna esta peça uma experiência diferenciada, visto que o próprio público estará sentado dentro do antigo teatro, tendo assim uma experiência imersiva e transportadora, apesar de não ter cenários nem adereços para além daqueles que constituem o figurino das personagens e de uma lanterna ao fundo. É com as luzes, então, que esta peça nos guia visualmente ao longo da peça. A cor vermelha, algum azul e amarelo, e o branco no final, cujo desvanecimento marca o fim da peça.

A música, a cargo de Nuno Pereira, cria atmosfera com instrumentos da antiguidade e que nos transportampara o tempo da tragédia, dando vida e emoção à peça com 2500 anos.

Fotografia: José Avelar – Museu de Lisboa

Trazer o teatro de volta ao Teatro

Esta é uma das quatro a seis peças que o Museu de Lisboa – Teatro Romano recebe por ano, de forma a dar vida e uso ao sítio arqueológico no coração de Lisboa. Estas são sempre de autores clássicos – desta vez, a escolha foi Sófocles, um autor grego que também teria sido interpretado naquele teatro romano, o mais antigo encontrado em Portugal. De certa forma, este torna-se portanto o local ideal para assistir a Édipo, uma das maiores tragédias do maior dramaturgo da Grécia Antiga, e é a oportunidade única de assisti-la num espaço para a qual foi escrita e também de ver resgatada a vocação original do Teatro Romano.

Devido às limitações óbvias de um espaço como o Teatro Romano, os lugares são limitados. Os bilhetes custam 5 euros e é obrigatório reserva prévia através de e-mail ou telefone. A peça estará em cena de quinta a domingo, até dia 21 de julho, pelas 21h30.

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