Maria do Céu Guerra é a melhor atriz de teatro da Europa. A atriz portuguesa ganhou o prémio do Festival Internacional de Teatro – Actor of Europe. A notícia foi avançada na quarta-feira, naquele que é considerado pelo governo “um dia particularmente feliz para a cultura portuguesa“.

Actress of Europe é o nome do prémio que é atribuído desde 2003, com o “objetivo de reconhecer o percurso artístico de uma personalidade do teatro e o contributo criativo para a memória coletiva da civilização europeia“, segundo o Festival.

O comité do Festival Internacional de Teatro – Actor of Europe justificou a sua escolha, afirmando que a 16.ª edição do prémio “reconhece o enorme mérito de trabalho teatral e humanista de uma das figuras maiores do Teatro e da Cultura em Portugal“.

Portugal celebra Maria do Céu Guerra

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Entrega do Prémio SPA Melhor Atriz a Maria do Céu Guerra, pelo seu papel em Os Gatos Não Têm Vertigens. Foto SPA.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, descreve Maria do Céu Guerra como uma “figura maior da cultura portuguesa, atriz várias vezes premiada e homenageada, não só pelo seu percurso artístico mas também pelos valores humanistas da sua intervenção pública“.

Para a governante, o prémio não vem só reconhecer o seu trabalho enquanto atriz e encenadoramas também o seu papel na vida cultural portuguesa e, em especial, a sua dedicação permanente e incansável ao Teatro A Barraca, que fundou em 1975, e cuja história e percurso são, dos seus, inseparáveis“.

Ainda em Portugal A Barraca referiu num comunicado que o prémio Actress of Europe  “reconhece o enorme mérito de trabalho teatral e humanista de uma das figuras maiores do Teatro e da Cultura em Portugal“.

Maria do Céu Guerra, nome que dispensa apresentações

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Maria do Céu Guerra, um retrato

Alfacinha de gema, nascida a 26 de maio de 1943, Maria do Céu Guerra de Oliveira e Silva conheceu o gosto pelo teatro nos seus tempos de faculdade. Enquanto se licenciava em Filologia Romântica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fundou a Casa da Comédia, a sua primeira companhia de teatro.

Foi na Casa da Comédia que se estreou em 1965, na peça “Deseja-se Mulher”, de Almada Negreiros, encenada por Fernando Amado.

O resto, como costumam dizer é história. Antes de 1970 Maria do Céu Guerra profissionalizou-se no Teatro Experimental de Cascais e trabalhou de perto com o encenador Carlos Avilez. Nessa mesma década continuou a escrever o seu nome no teatro português, colaborando com Laura Alves e Adolfo Marsillach até regressar à companhia que fundou, A Casa da Comédia, para trabalhar com Morais e Castro e Luís de Lima.

Após o 25 de abril, em 1975, fundou a companhia de teatro que desde então tem sido sinónimo com o seu nome, A Barraca, onde tem centrado a sua atividade teatral. Levou A Barraca dos quatro cantos de Portugal ao  Brasil com peças como “D. João VI” (1978), de Hélder Costa, “Calamity Jane” (1986), com textos, adaptação e dramaturgia da atriz e de Hélder Costa, “A Cantora Careca” (1992), de Eugene Ionesco, e “O Avarento” (1994), de Molière, entre outras.

Do teatro ao cinema, onde se estreou também em 1974 com “O Mal-Amado” até mais recentemente em 2015 com “Os Gatos não têm vertigens”, que lhe valeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz de Cinema e o Prémio Sophia para a Melhor Atriz.

Em janeiro deste ano recebeu o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural.