No estádio, no café ou no grupo do WhatsApp, a personagem do “treinador de bancada” está quase sempre presente. Se identificas este perfil – típico de tantos adeptos de desporto – em algum amigo ou familiar que está constantemente contra as decisões do verdadeiro treinador da sua equipa e acredita até que faria um melhor trabalho, o Avant Garde Caennaise é provavelmente o clube que deveria apoiar. A experiência é a que mais se aproxima de jogar uma das edições do “Football Manager” na realidade.

Mas afinal, o que é que liga o modesto Avant Garde Cennaise, emblema que milita nas mais baixas divisões do futebol francês, ao perfil de “treinador de bancada”? É precisamente o impacto que o(s) dito(s) treinador(es) de bancada têm na vida do clube. Ainda que Julien Le Pen seja o treinador principal da equipa e a oriente tanto em contexto de treino quanto de jogo, os adeptos têm influencia nas decisões que toma. Tudo isto com o auxílio de uma aplicação.

A realidade do Avant Garde Caennaise ganhou espaço mediático através de uma reportagem publicada pela BBC Sport. Os adeptos do clube recorrem a uma aplicação intitulada “United Managers” – é através dela que podem decidir a constituição do onze inicial, as substituições ao longo do desafio e ainda as opções táticas. A aplicação, de resto, transmite o jogo em tempo real e os “Umans”, designação atribuída aos utilizadores da aplicação, permite que os mesmos expressem as suas decisões. Le Pen, treinador da equipa, teve que se habituar ao “modus operandi” de um clube em que, segundo a direção, há uma relação direta entre o mérito e a escolha dos adeptos, daí fazer todo o sentido. Ainda que a imprevisibilidade dos resultados se mantivesse, para os utilizadores da Betfair este poderia ser um cenário idílico, dado que procurariam tomar as decisões que consideram melhores para a equipa obter o melhor desempenho possível. Importa referir que, a atuar com esta metodologia, o Avant Garde Caennaise conseguiu galgar pelo menos uma divisão, desfrutando do sucesso com o auxílio direto dos seus adeptos nessa época.

Adversários desconfortáveis

A situação fez com que os adversários reagissem. A primeira polémica esteve associada à questão da transmissão dos jogos em direto – os adversários exigiram uma recompensa financeira. No entanto, a maior entrave chegou em dezembro quando a Federação Francesa de Futebol instaurou um conjunto de normas que limitam o funcionamento do clube nos atuais moldes, ao proibir os clubes do escalão em causa de estabelecer parcerias com empresas externas que possam influenciar o desempenho das equipas ou colocar em causa a responsabilidade do treinador. Além disso, na sequência das queixas apresentadas pelos demais clubes, a transmissão de desafios está proibida sem que haja uma autorização expressa do organismo que rege e tutela a competição de forma mais direta.

Como forma de resposta à situação, o clube e a parceira United Managers, entidade também de nacionalidade gaulesa, prometeram reagir à situação que se verifica recorrendo aos meios legais disponíveis.

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Fotografia: Pexels