Donald Trump  acabou no sábado (29) com o bloqueio imposto às empresas americanas, que não podiam negociar com a empresa tecnológica Huawei.

A relação entre os Estados Unidos da América e a China não tem sido favorável. Como consequência, a marca chinesa Huawei tem sofrido represálias. A empresa tem sido acusada pelos EUA de usar os seus equipamentos como espionagem para a China.

Estado de “emergência nacional” e proibições de Trump

A 16 de maio o Presidente norte-americano declarou “emergência nacional” e emitiu uma ordem que proibia as empresas do país de usarem equipamentos de telecomunicações de empresas estrangeiras consideradas de risco. A principal acusada era a Huawei.

Esta proibição devia-se ao facto de a Casa Branca estar a explorar vulnerabilidades nos serviços tecnológicos de informação e comunicação, alegadamente usados para espionagem.

No mesmo mês, a Huawei foi colocada na “lista negra” estadunidense. Como consequência estava a impossibilidade de as empresas norte-americanas venderem os seus produtos à marca. Isto levaria ao corte do acesso da marca às peças essenciais fabricadas nos EUA, que possibilitavam a produção dos equipamentos.

Bloqueio de Washington ao 5G

Washington tem feito pressão para que mais países excluam a Huawei da construção de infraestruturas para redes 5G. Como argumento usa a acusação de espionagem.

Portugal não foi exceção à pressão, mas não aderiu ao apelo. O mesmo não aconteceu com países como Austrália, Nova Zelândia e Japão, que rapidamente reagiram.

Em comunicado, a Huawei afirmou que restringir a empresa “de fazer negócios nos EUA não tornará os EUA mais seguros ou mais fortes”, apenas “atrasando os EUA na implementação do 5G e, eventualmente, prejudicando os interesses das empresas e consumidores”.

Como resposta, a cinco de junho a empresa de tecnologia estabeleceu um acordo com a companhia de telecomunicações MTS, tendo por base o desenvolvimento da rede de nova geração 5G na Rússia.

Presidente da Rússia e Presidente da Huawei

Créditos: Observador

Google, Intel e Facebook dizem adeus à Huawei

A 19 de maio, a empresa Google suspendeu os negócios com a Huawei, que passam por uma transferência de produtos de hardware e software.

Mas mais empresas, como as fabricantes de chips Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom, se juntaram à causa e comunicaram que todas as entregas à marca estavam suspensas.

O corte com a Google provoca à Huawei uma perda de acesso a atualizações do Android e o acesso a aplicações e serviços como a Google PlayStore e o Gmail.

Smartphone Huawei sem acesso a aplicações Google

Créditos: diyphotography.net

Mais tarde (sete de junho) também o Facebook desautorizou a pré-instalação de aplicações nos telemóveis Huawei. As aplicações em causa eram Facebook, WhatsApp e Instagram.

Isto pode ter como consequência a queda de vendas de smartphones da Huawei. Isto porque nas versões futuras as aplicações não virão instaladas e não será possível fazer download através da Google PlayStore.

Em Portugal, depois de devidamente informados sobre a situação, os consumidores mantêm a confiança na Huawei, afirma o responsável da área de consumo da Huawei Portugal, Tiago Flores.

Trump termina o bloqueio

A 29 de junho Trump acabou com o bloqueio às empresas, permitindo a venda de produtos à Huawei.

O anúncio foi feito no final da reunião com o Presidente chinês Xi Jinping, com o objetivo de resolver os conflitos que se têm agravado entre os países.

O Presidente Chinês afirma que, independentemente dos conflitos, há “um fator básico que permanece inalterado: a China e os Estados Unidos beneficiam da cooperação”.

As preocupações no que toca à espionagem por parte da Huawei remontam a 2012, num relatório publicado pelo Congresso dos EUA.

Apesar de, nesse mesmo ano, a Casa Branca ter divulgado um documento que afirmou não existirem provas de espionagem, a empresa continua a deparar-se com acusações.

Já em março deste ano, a empresa, em declaração à Lusa, fez referência a estas, afirmando que “A Huawei não permite e nunca permitirá a existência de qualquer partilha indevida de dados através dos seus equipamentos”.