Muitas pessoas não entenderão como é que um nome anunciado a breves 15 dias de um festival como o NOS Alive gerou tanta felicidade noutras tantas. Grace Jones vai atuar ao vivo em Portugal e apresentamos um resumé da vida da super estrela.

Beverly Grace Jones de seu nome, nascida na Jamaica há 71 anos e radicada nos Estados Unidos da América. Modelo, atriz, cantora, não necessariamente por esta ordem, marcou uma geração que usufruiu, nos anos setenta, da abertura que os anos sessenta trouxeram ao mundo.

A beleza do seu rosto angular, as pernas esguias e o estilo excêntrico, tornaram-na um ícone da moda no arranque da década de 1970. Nas passerelles de Paris brilhou mas foi nas discotecas que ganhavam cada vez mais fãs que se tornou a verdadeira musa.

A carreira musical de Jones começa com o estrondoso sucesso de Portfolio (1977), disco que inicia a trilogia disco da artista e que apresenta, entre outros sucessos, uma versão completamente inovadora do clássico francês de Edith Piaf, La Vie En Rose.

Sucederam-se Fame (1978) e Muse (1979) que cimentaram o enorme sucesso que a artista jamaicana estava a ter.  Na viragem para os anos oitenta, a irrequieta Grace Jones reinventou-se uma vez mais. Warm Leatherette (1980) e Nightclubbing (1981) deixavam-se contagiar pela som da época e esteticamente a artista adotava um estilo muito próprio.

Por essa altura chama a atenção de Andy Warhol e passa a ser a sua musa e foi fotografada e pintada inúmeras vezes pelo artista pop. O apelo surge, compreensivelmente, pelo look atrevido, andrógeno e invulgar que a multifacetada artista exibia regularmente. Para muitos, continua a ser um ícone da moda e ainda recentemente se distinguiu na Paris Fashion Week.

De cigarro na boca e chapéu, de cabelo rapado ou com o corpo pintado pelo artista Keith Haring, Jones é ainda, aos 71 anos, um dos maiores ícones que a cultura pop desenhou.

Grace Jones e Keith Haring

Grace e a sétima arte

No cinema Grace Jones iniciou-se com um papel pouco relevante em Gordon’s War. É em Conan the Destroyer, que tem Arnold Schwarzenegger  no papel principal, que Grace se notabiliza no papel de Zula.

Nos anos oitenta mantém uma participação regular em filmes e séries de televisão. No entanto, é na gravação dos telediscos que se destaca. E sempre pelos mesmos motivos: audácia, sensualidade e até algum mistério. Chegou a ser nomeada para os MTV Music Awards na categoria de “Melhor Videoclipe Feminino”, em 1986, mas não ganhou.

Anos 90 e atualidade

Nos últimos anos Grace Jones esteve mais afastada dos estúdios. Além de algumas compilações apenas editou um disco de originais em 2008, Hurricane. No entanto, nunca abandonou o black power, o feminismo, as causas LGBTI. Também deu alguns concertos onde a sua potente voz, o look atrevido e a componente visual continuaram a fazer a diferença.

Em 2015 publicou I’ll Never Write My Memoirs, uma biografia onde conta a educação religiosa que recebeu em criança, fala sobre o filho que tem com o designer Jean-Paul Goude ou sobre as tricas que teve com o fundador da Elite Model Look, John Casablancas.

Grace Jones atua no NOS Alive, no dia 12 de julho, no palco Sagres. Nesse mesmo dia, os Vampire Weekend tocam no palco principal.