Tomás Wallenstein, Salvador Seabra, Manuel Palha, Francisco Ferreira e Domingos Coimbra; serão poucos os que não os conhecem como Capitão Fausto. Há dez anos, eles pediram a palavra e, entre gazelas e dias contados, puseram o país a rebentar com o seu sucesso.

Nesta segunda-feira (17), os rapazes de Alvalade celebram uma década de carreira. Sem concertos agendados para o restante mês de junho, comemoraram a data com uma foto antiga publicada nas redes sociais. Só voltam aos concertos em julho, com a já habitual presença nos festivais de verão. Só este ano, vão atuar no Super Bock Super Rock, no Vodafone Paredes de Coura e no Rock in Rio, entre outros.

Até lá, deixamos no Espalha-Factos a nossa homenagem a uma das mais importantes bandas portuguesas do momento, escolhendo as dez músicas que mais nos marcaram dentro de toda a sua discografia.

A Criança Mais Velha do Mundo‘ (Capitão Fausto EP, 2010)

Pouco se sabe sobre o primeiro lançamento dos Capitão Fausto, um EP homónimo onde adivinhavam o rock com sabor próprio, riffs de guitarra atrevidos e letras cheias de genica, características que viriam pautar a sua discografia. ‘A Criança Mais Velha do Mundo’, tal como outras músicas presentes no EP (Ela Não Acha Normal; O Que Há Para Ver), são o pontapé de saída para uma sonoridade que hoje nos é inconfundível.

Verdade‘ (Gazela, 2011)

Gazela, o primeiro álbum de estúdio do grupo lisboeta, chegou de rajada em 2011. Canção a canção, entre a popularidade de ‘Teresa‘ e a mística de ‘Gazela‘, estabeleceram-se firmes como uma das promessas da cena rock portuguesa.

Entre os destaques do disco está ‘Verdade‘, lançada em setembro de 2012 como single. Com ritmo assente e melodias que ainda hoje nos surgem naturalmente na memória, o tema reflete o sucesso inicial dos Capitão, quer na crítica nacional, quer na base de fãs que crescia gradualmente.

Zécid‘ (Gazela, 2011)

Mais um petisco do Gazela, onde o grupo assume a sua vertente psicadélica e festivaleira. “Não há bem-estar enquanto não há festa”, canta Tomás Wallenstein entre guitarras. O título da música celebra, muito descaradamente, o famoso cantautor português José Cid, que retribuiu o favor com o tema A Banda do Capitão Fausto.

Litoral‘ (Pesar o Sol, 2014)

O segundo trabalho dos Capitão Fausto surgiu em janeiro de 2014 e veio repleto de clássicos. Enquanto que o álbum de estreia os introduziu como promessas, Pesar o Sol veio cimentar o seu talento, a sua postura e a sua sonoridade.

E este disco tem um pouco de tudo, entre os versos introspetivos de ‘Nunca Faço Nem Metade‘, o feitio de ‘Maneiras Más‘ e malhas escritas a dedo como ‘Prefiro Que Não Concordem‘. A faixa Litoral engloba em si todos estes traços e resume o disco na perfeição.

Lameira‘ (Pesar o Sol, 2014)

Eis a maneira perfeita de acabar um álbum de rock psicadélico. Com ‘Lameira‘, a banda assume o nome que tem e torna-se capitã de uma nave espacial numa odisseia épica pelos motivos e vontades de Pesar o Sol. Um tema urgente e muito bem conseguido, que delicia particularmente quando escutado ao vivo.

Marcolino‘ (2014)

‘Marcolino’ não pertence aos Capitão, mas, de certa e curiosa maneira, está a eles intrinsecamente relacionado. Pequeno à parte: nem os próprios membros da banda sabem explicar a origem do seu nome, argumentando que “Capitão Fausto” apenas soava bem aos seus ouvidos.

De volta a Marcolino, esta faixa pertence a Fausto Bordalo Dias e foi editada em 1974. A versão da banda lisboeta surgiu 40 anos depois, a pedido da Antena 1. Talvez seja por partilharem o mesmo nome, com ou sem intenção, que o clássico de Fausto soa tão bem nas mãos dos lisboetas.

Corazón‘ (Capitão Fausto Têm os Dias Contados, 2016)

Têm os Dias Contados é editado dois anos depois de Pesar o Sol e marca uma diferença estilística notável por parte do grupo. O psicadelismo à anos 60 desvanece e dá lugar a um pop rock mais concentrado e a composições mais sofisticadas a todos os níveis.

No terceiro disco pairam temas mais derrotistas e introspetivos, como ‘Os Dias Contados‘ e ‘Amanhã Tou Melhor‘. Da mesma maneira, a banda assume a tristeza com uma certa ironia, própria da boa disposição que os caracteriza. ‘Corazón‘ comprova o argumento e oferece uma das melhores linhas do ano: “viva a vida de vegan em Portugal!”.

Alvalade Chama por Mim‘ (Capitão Fausto Têm os Dias Contados, 2016)

Há qualquer coisa de especial em todas as músicas que os Capitão escolhem para acabar um disco. Em ‘Alvalade Chama por Mim‘, fica a nostalgia de quem reconhece o final da juventude. “Nunca esquecer que a mocidade nunca mais nos vai servir”, ouve-se repetidamente. É dos momentos mais belos de toda a sua discografia.

Certeza‘ (A Invenção do Dia Claro, 2019)

A Invenção do Dia Claro surgiu em março deste ano e trouxe consigo mais um conjunto de canções cuidadas que vieram cimentar a nova identidade musical da banda lisboeta. ‘Sempre Bem’ e ‘Faço as Vontades’, os dois singles que anteciparam o lançamento do disco, tornaram-se clássicos de uma forma quase instantânea.

Gravado nos Red Bull Studios de São Paulo, no Brasil, o trabalho invoca os sentimentos explorados no disco anterior e põe à prática os dotes de compositor de Wallenstein. ‘Certeza’ é o reflexo da evolução da banda nos anos que passaram, adicionando um perfume tropical às melodias pop que hoje tão facilmente associamos ao grupo.

Amor, a Nossa Vida‘ (A Invenção do Dia Claro, 2019)

O terceiro single do último disco da banda é uma balada triste e romântica, desta vez com uma moda centrada no piano (não na guitarra) do vocalista. Mesmo após de uma década de reboliço e de constante crescimento, os Capitão Fausto continuam a soar a si próprios. Afinal, eles não vão saber mudar. Nem nós queremos que tal aconteça.