Comemora-se este sábado o Dia Mundial da Criança, e os membros da equipa de Cinema do Espalha-Factos aproveitaram a ocasião para revisitar os filmes de animação que mais marcaram as suas infâncias.

Esta não foi só uma lista que foi compilada. Foi também um exercício de memória que nos fez relembrar, mais uma vez, que nunca somos velhos demais para gostar de filmes animados.

Toy Story, por Diogo Magalhães | 1995

Fonte: IMDb

Um dos maiores elogios que podem ser feitos a Toy Story, além de ser o melhor filme de animação alguma vez criado, é o feito da obra em conseguir conciliar vários géneros de cinema ao longo de “apenas” 1h20: a história dos brinquedos do Andy que ganham vida consegue fazer rir, chorar, ter medo e suspirar.

A amizade é um dos grandes temas de Toy Story. A cumplicidade que se vai instalando entre Woody e Buzz mostra-nos que há sempre a possibilidade de sermos amigos e de trabalharmos com alguém que não é completamente igual a nós. “Sou teu amigo, sim”, já se cantava na versão portuguesa de uma das melhores músicas da Disney.

Para alguém como eu, que nasceu no início da última década de 90, Toy Story é mais que um filme. É também uma máquina do tempo que me transporta para uma era em que “brincar” significava juntar os amigos e brincar às escondidas e à apanhada, e não ficarmos cada um no seu lugar, afastados por barreiras tecnológicas. E isto é ainda mais pertinente em 2019 do que foi em alguma altura.

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Hércules, por Matilde Dias | 1997

Fonte: IMDb

Hércules é uma produção da Disney do final dos anos 90, com toda a opulência e comédia típicas de qualquer clássico de infância. O filme narra a história de Hércules, um simples rapaz com uma força extraordinária, que se esforça por encontrar o seu lugar, após descobrir que é filho de Zeus.

Desde a banda sonora em tons gospel aos fantásticos cenários, Hércules afirma-se como uma interessante narrativa introspetiva que nos faz sonhar mais alto, mesmo quando todas as hipóteses estão contra nós.

A jóia do filme são, sem dúvida, as personagens, dotadas de uma surpreendente complexidade. Hades é um dos melhores vilões alguma vez criados pela Disney, misturando fortes traços de ironia, com uma figura que não peca por falta de ambição ou malvadez. Megara mostra-se reticente ao apaixonar-se por Hércules, devido a desilusões passadas, e sacrifica-se por aqueles que ama, afastando-se do habitual estereótipo de “donzela indefesa”. Phil sonha em treinar um grande herói, cuja figura ficasse imortalizada nas estrelas, e, o momento em que este finalmente consegue, ainda me aquece o coração passados tantos anos.

Hércules cheira às noites de verão, em que não parecia existir mais nada para além de uma boa maratona de filmes no Disney Channel e um copo de sumo. É, de facto, uma obra que envelhece bastante bem e que, ainda hoje, merece muito mais repetições do que as estritamente necessárias.

Lilo & Stitch, por Matilde Castro | 2002

Fonte: IMDb

Dois negativos dão sempre positivo. Lilo e Stitch são dois mini furacões mal comportados que por onde passam deixam rasto. Ainda assim, acabam por encontrar um num outro uma amizade como nunca tiveram. Também eu fui uma pequena Lilo com uma requintada tendência para asneira e um sonho de vir a ter um cão. De certo modo, Stitch foi também o meu amigo de quatro patas. Com eles surfei no Pacífico, comi gelados em Kaua’i e até fui raptada por aliens!

Quase duas décadas mais tarde, percebo agora que esta não deixa de ser uma história triste de perda e solidão. Mas é também uma lição sobre a diferença, aceitação e amizade. Afinal, os amigos são a família que escolhemos – e ninguém pode ficar para trás.

O Castelo Andante, por Maggie Silva | 2004

Fonte: IMDb

O Castelo Andante foi a obra que Hayao Miyazaki realizou no seguimento do triunfo mundial de A Viagem de Chihiro (2001). Howl’s Moving Castle, no inglês, é um conto de fadas que se situa numa Europa reimaginada, atormentada pelo peso da guerra e suas consequências. O conflito armado que percorre a narrativa não é identificado, mas sente-se como uma ameaça bem real, que testa o idílico da paisagem pintada a aguarela.

Um filme sobre magia e feitiçaria, marcado pelas cores vibrantes e pelo aperfeiçoamento do estilo do estúdio. Uma adaptação de um romance da autoria da escritora britânica Diana Wynne Jones, a animação é o exemplo perfeito da contaminação entre ocidente e oriente que pauta toda a obra do cineasta nipónico. É também um testemunho sobre humanidade, e sobre as suas ramificações.

Com o fantástico como motivo, focamo-nos no moto central do filme: um coração é um fardo pesado. Uma aventura que nos ensina a ver para lá das primeiras impressões, e a lutar por valores basilares, quando os mesmos se encontram em risco. Um ensaio sobre vaidade, aparências e a essência das virtudes humanas. Uma obra que tem tanto de fantasioso como de realista. Um equilíbrio perfeito para um conto com muito coração, maldições à parte.

A Noiva Cadáver, por Kenia Nunes | 2005

Fonte: IMDb

Realizado por Tim Burton e estreado em 2005, A Noiva Cadáver é um filme de animação stop-motion que narra a história de Victor Van Dort, o filho de novos ricos e Victoria Everglot, a filha de aristocratas falidos, cujo destino reside num casamento arranjado. Quando o ensaio para o casamento não corre bem, Victor refugia-se numa floresta onde encontra Emily, uma mulher vestida de noiva só que com um pequeno detalhe – a noiva é um cadáver que o leva para a Terra dos Mortos.

Apesar da sinopse do filme não parecer muito amigável para os mais pequenos, o filme é divertido, com vários momentos musicais, animação impecável, e personagens amigáveis. O filme é protagonizado pelas vozes de Johnny Depp e Helena Bonham-Carter, vozes essas que marcaram a minha infância, de tantas vezes que as ouvi ao ver este filme.