Capa do álbum.

IGOR: a transformação profunda de Tyler, The Creator

Mais uma voltinha, mais uma personalidade extravagante que nasce com Tyler, The Creator. Em 2019, batiza-se como IGOR que é também o nome do mais recente disco do rapper americano. Chega de surpresa e com uma peruca loira. Uma salada russa em forma de álbum e tudo pela curadoria de Tyler.

IGOR chega de rompante e com uma peruca loira

Tyler, The Creator não faz a coisa por menos. Playboi Carti, Solange, Kanye West e Pharrell são só alguns dos nomes que aparecem em IGOR. Depois da metamorfose infinita que caracteriza o artista, chega um álbum que coloca pontos de interrogação na mente dos fãs. Houve o Tyler mais bruto em Goblin, um brincalhão em Wolf e um Tyler em ascensão com Cherry Bomb, mas Flower Boy mudou o rumo da aventura.

IGOR começa por aparecer em posts enigmáticos no Instagram de Tyler, contudo após ser desmistificado entendemos que, lá no fundo, é mais um pequeno tesouro do mesmo. Nota-se inseguro e distintivo começando com IGOR’S THEME, uma música mais agressiva mas curiosamente com um Tyler mais cantor e menos rapper. A orelhuda EARFQUAKE segue-se e toda a internet já a sabe entoar. É sentida, catchy e a fasquia eleva-se com Playboi Carti.

Tyler, ainda és tu?

Se tivesse de definir IGOR talvez seria um híbrido de Cherry Bomb e Flower Boy, mas comparações nunca são justas. A narrativa é diferente e Tyler também está diferente. Talvez o que falte neste disco sejam respostas. É inconclusivo e não tão assertivo como os restantes.

Segue-se I THINK e reparamos que o experimentalismo do rapper afinal dá frutos fresquinhos. As músicas são mais suas e menos de quem as ouve, resultando num som menos acessível a quem esperava outro Flower Boy. Os sons de veraneio prosseguem, no entanto, com A BOY IS A GUN, onde os back vocals demonstram maior presença e impacto. RUNNING OUT OF TIME chega de forma mais nostálgica e com a voz high pitched do artista em destaque. Enfim, é Tyler, The Creator na sua melhor forma a solidificar as suas ideias mais lunáticas.

Mas é esta singularidade que o norte-americano consegue impor em qualquer trabalho que faz. IGOR é um sincero break-up album que arranca os suspiros mais profundos do coração de Tyler. NEW MAGIC WAND demonstra esta confusão de emoções onde a escuridão dos synths mais tarde dá lugar à ligeireza e calma a que nos habituou. Kanye West puxa os cordelinhos a PUPPET e que duo maravilha que eles fazem.

O surrealismo volta com WHAT’S GOOD e somos apanhados constantemente de surpresa com as mudanças de ritmo no meio das músicas. Realmente esse coração está confuso, Tyler. GONE, GONE / THANK YOU inicia a descida para o fim, apesar de nunca realmente terminar. Contudo nota-se que ele se começa a conformar com a sua situação e a paz volta a instalar-se. I DON’T LOVE YOU ANYMORE resulta com a simplicidade de Tyler a cuspir todos os seus sentimentos, mas tudo culmina com ARE WE STILL FRIENDS?. É um (semi) final em grande onde podemos repousar depois de 40 minutos de ebulição criativa.

Isto é Tyler, The Creator em mutação pronto para a sua próxima aventura sónica e amorosa até. Embora ainda seja reconhecível, verifica-se o shift e a suspensão em que este disco nos deixa. Mas tal não é mau, é apenas uma evolução. IGOR veio para dar continuidade ao seu enorme legado.

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