Esta é a pergunta a que surgiu depois de analisar as matérias-primas das novas cápsulas de café da Delta. O Espalha-Factos responde às questões que têm sido levantadas nos últimos dias.

No dia 16 de maio, a Delta apresentou as novas cápsulas de café “amigas do ambiente” anunciando que contêm 0% de plástico e que são 100% sustentáveis. Também referiram que eram feitas de à base produtos vegetais: cana-de-açúcar, mandioca e milho.

Mas o que é verdade ou não nas características apresentadas? De facto, as cápsulas tem 0% de plástico, mas aquele a que a marca se refere é o plástico de “base petroquímica”, ou seja, plástico com origem no petróleo. Contudo, um dos principais elementos presente nas cápsulas é o BioPBS, que se traduz por polibutileno succinato de origem biológica. Este é, na verdade, um bioplástico, obtido a partir da fermentação das matérias vegetais, dando origem ao ácido succínico.

LÊ TAMBÉM: FEIRA DO LIVRO DE LISBOA: SACO DE PAPEL E PISO RECICLADO NA EDIÇÃO MAIS VERDE DE SEMPRE

Apesar de as cápsulas serem biodegradáveis num curto espaço de tempo – tal como a Delta afirma ao P3 – o problema está no facto de o plástico BioPBS apenas se degradar em compostagem industrial e não em compostores domésticos. A alternativa apresentada pela Delta revela-se pouco sustentável para a realidade portuguesa, uma vez que não existem compostores industriais no país.

Dado que a decomposição fora dos compostores industriais é mais demorada, as cápsulas não estão de acordo com as normas estabelecidas pela União Europeia, tal como é referido por Carmen Lima, da Quercus, ao P3. As regras europeias ditam um prazo de seis meses para que 90% dos resíduos em compostagem industrial sejam degradados.