Com os concertos de apresentação de Maus Êxitos na calha — esta sexta-feira (24) no Maus Hábitos, no Porto, e no sábado (25) no MusicBox, em Lisboa — o Espalha-Factos conversou com Alex D’Alva Teixeira para saber mais sobre o último disco dos D’Alva.

Numa tarde ensolarada com pássaros a chilrear nos jardins da Gulbenkian, fomos ao encontro de Alex Teixeira, que com Ben Monteiro perfaz os D’Alva. Desde a última vez que tivemos oportunidade de falar com um dos compositores deste projeto nacional, o segundo disco estava na iminência de sair.

Fotografia: Tomás Almeida / EF

Já passaram sensivelmente sete meses após o lançamento do álbum Maus Êxitos e por isso o Espalha-Factos quis saber um pouco mais sobre o disco em questão.

Antes de ouvirmos a música, é impossível ficar indiferente à capa. Nesse sentido, questionamos Alex sobre o processo criativo que levou a concebê-la. “O conceito foi pensado por Bráulio Amado, começa por contar. “Pedimos [ao Braúlio] para ouvir o álbum e depois ele teve a ideia de fazer uma composição fotográfica (…) Cada pessoa ou objeto representa uma canção do disco. Quase consegues fazer uma ‘preview’ visual antes sequer de ouvir”, explica Alex D’Alva Teixeira.

A frase “clichê” dos músicos

Das 12 canções que compõem Maus Êxitos, a primeira a ser revelada foi ‘Verdade Sem Consequência‘. Curiosamente esse tema serve como separador. Até a essa música, o álbum tem temas enérgicos de pop orelhuda e depois, o disco remete para um lado mais introspectivo.

Questionado sobre a eventual intencionalidade, Alex Teixeira comenta que os temas foram compostos sem ter qualquer conceito a supervisionar a sua construção. No entanto reconhece que a ordem das canções foi pensada.

“Se o disco tivesse sido editado em vinil, existe claramente um ‘lado A’ e ‘lado B’ dos Maus Êxitos. Há aquele clichê que os músicos dizem que os seus discos são uma viagem, mas connosco tem sido assim. Começamos num ponto e acabamos noutro. Até há certos aspetos sónicos que te fazem transportar e sentir certas coisas”, salienta.

“Às vezes eu sinto, que, nós portugueses, temos um bocado de vergonha”

Cinco anos depois de #batequebate, o primeiro álbum dos D’Alva, Alex considera que o público português já tem menos preconceito em ouvir alguma música pop que, por vezes, seja considerada como “guilty pleasure“. No entanto, Alex Teixeira revela que esse estigma está a desaparecer. “A pop já levou uma volta muito grande. Hoje em dia já toda a gente gosta da Carly Rae Jepsen e da Charli XCX. Se meteres a tocar a Wannabe das Spice Girls numa festa, toda a gente fica louca”, afirma.

Sobre este tópico, o músico recorda um episódio particular. “Já houve alguém que catalogou a nossa música como kitsch. Do género, é foleiro mas gostamos. Confesso que não achei muita piada a essa designação mas estou na boa”, revela Alex.

Questionado sobre o uso da guitarra de Carlos Paredes como sample na música Egoísta, Alex Teixeira justifica-se com a necessidade de fazer música atual. “Tentamos sempre explorar sons tradicionais para meter na pop contemporânea. [No tema Egoísta] foi a primeira tentativa e acabou por correr bem. Em tom de desabafo, o músico faz uma observação.

“Às vezes eu sinto, que, nós portugueses, temos um bocado de vergonha das nossa raízes e da nossa identidade cultural. Por exemplo: Sais à noite em Espanha. Primeiro está dar uma música super conhecida e depois, ouve-se um música de flamenco. Ou então, passas num bairro suburbano e o pessoal do ‘tuning’ está a ouvir flamenco nos seus carros. Claro que existe um respeito pelo fado mas não pertence tanto à nossa geração. Por outro lado, existe também exemplos brilhantes como é o caso do [mais recente disco do] Stereossauro [Bairro da Ponte] que consegue juntar o antigo com o moderno”.

Alex D’Alva Teixeira e Ben Ferreira apresentam Maus Êxitos ao vivo no Maus Hábitos, no Porto, a 24 de maio; no dia seguinte, vão até ao MusicBox, em Lisboa.

Relativamente a estes concertos, Alex promete que vai haver surpresas e garante que haverá um momento único.

Os bilhetes têm o preço de 5 euros e estão disponíveis na Ticketline, para o Porto, e na BOL, para Lisboa.