O maior prémio da língua portuguesa foi atribuído esta terça-feira (21 de maio) ao cantor, compositor e autor Chico Buarque, um dos grandes nomes da cultura contemporânea brasileira.

O Prémio Camões, atribuído anualmente desde 1989, celebra figuras de relevo da lusofonia, escolhendo alguém que se tenha destacado no enriquecimento da nossa literatura e cultura partilhada.

Criado numa parceria entre Portugal e Brasil, o prémio é atribuído de forma alternada em cada um destes países.

Chico Buarque de Hollanda (DARYAN DORNELLES/Bravo/Dedoc)

Este ano a cerimónia decorreu na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro. Um júri formado por seis professores universitários e autores de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique anunciou a atribuição do prémio a Chico Buarque, figura contemporânea mas desde já incontornável do panorama cultural em língua portuguesa.

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Buarque é autor de livros de poesia, contos e romances que tem publicado de forma mais regular desde os anos 90. A sua bibliografia inclui Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009) e O Irmão Alemão (2014), assim como a famosa peça musical Ópera do Malandro (1978).

Chico Buarque

Foto: divulgação

Prémio Camões: autores galardoados

Chico Buarque torna-se o 13.º vencedor brasileiro do Prémio Camões, quebrando o equilíbrio entre autores portugueses e brasileiros conseguido em 2017 com a atribuição do prémio a Manuel Alegre, que se juntou a um leque de ilustres portugueses que inclui José Saramago (1995), Eduardo Lourenço (1996), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Agustina Bessa-Luís (2004), e António Lobo Antunes (2007).

O primeiro vencedor do prémio é também ele português e em 1989 o prémio foi atribuído a Miguel Torga.

Chico Buarque junta-se assim à categoria de grandes nomes brasileiros vencedores deste prémio que inclui Jorge Amado (1994), Rubem Fonseca (2003), João Ubaldo Ribeiro (2008) e Raduan Nassar (2016).

O prémio foi pela primeira vez atribuído a um autor africano em 1991 com o moçambicano José Craveirinha, país que também já viu Mia Couto ser premiado com este galardão 2013.

O primeiro Prémio Camões atribuído a um autor angolano foi para Pepetela em 1997, e a estreia de Cabo-Verde viria em 2009, com a vitória de Arménio Vieira. O prémio, que o ano passado tinha sido atribuído em Portugal ao autor cabo-verdiano Germano Almeida, regressa a Portugal em 2020.

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