Brienne of Tarth, a cavaleira que todos admiramos, é uma das personagens mais marcantes da saga de George R. R. Martin que termina a sua adaptação televisiva este domingo. O Espalha-Factos não podia deixar de tentar descobrir as origens verídicas desta guerreira para que saibas exatamente onde te inspirar.

Já sabemos que a Guerra dos Tronos (GoT) tem imensas famílias sedentas de chegar ao trono do sétimo reino, que tem dragões e criaturas assustadoras (como os White Walkers) – todas elas com algum tipo de inspiração ligada ao mundo real onde vivemos. Ser Brienne of Tarth não é exceção e a sua inspiração é uma das figuras históricas mais conhecidas da humanidade: Joana D’Arc.

Fonte: Giphy

Heroínas num mundo de homens

A Guerra das Rosas em Inglaterra foi a maior inspiração para George R.R. Martin construir a mais conhecida saga da atualidade. Muitas figuras históricas revelaram ter paralelos com personagens de GoT e a cavaleira Brienne não foge à regra. Apesar das semelhanças óbvias entre as duas mulheres, as origens sociais começam por ser diferentes. Joana D’Arc nasceu numa família pobre, com pai agricultor. Já Brienne, por seu lado, tem sangue nobre, nascida na casa Tarth.

As semelhanças são demasiadas para que se possa ignorá-las: são as duas mulheres lutadoras que desafiaram as convenções estabelecidas, escolheram ser guerreiras em dois mundos onde apenas os homens o poderiam ser, os seus códigos morais são inquebráveis e tiveram ambas papéis políticos importantes e marcantes nas suas respetivas sociedades.

Joana D’Arc nasceu em 1412, em França. Poucos anos após o seu nascimento o rei inglês Henrique V decidiu invadir França e reclamar para si um território que julgava ser seu. O seu país estava envolto em desgraça quando Joana cresceu e se tornou mulher – Henrique V tinha casado com uma princesa francesa, morrendo e deixando o seu filho (Henrique Junior) a governar. Aproveitando a morte do seu pai e a fragilidade do reino inglês, França decide reclamar de novo o que é seu e eleger um rei francês para o trono.

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Estátua de Joana D’Arc, em Paris | Foto: Pixabay

Conta a história que Joana D’Arc tinha visões religiosas que lhe diziam que ela seria a salvação do seu país. Com apenas 17 anos, cortou o cabelo para parecer um homem, colocou a armadura aos ombros e cavalgou até ao então herdeiro francês, Carlos VII.

Um fim trágico

Joana D’Arc tornou-se na mão direita e leal companheira de Carlos VII, jurando defendê-lo até à morte e ajudá-lo a chegar ao trono. O que a movia era uma grande crença religiosa, ao contrário de Brienne – quando jura proteger e ajudar Renly Baratheon, Brienne fá-lo por honra, para cumprir o seu juramento e talvez movida por algum tipo de sentimento romântico.

Carlos VII conseguiu, com a preciosa ajuda de Joana D’Arc, chegar ao trono e ser coroado rei – ao contrário de Renly – mas a guerreira teve um final trágico. Após conquistar o trono, Carlos VII envia a sua mão direita numa expedição de defesa contra os assustadores borgonheses mas esta acaba por ser capturada. É depois comprada pelos Ingleses e após muita tortura acaba por ser queimada viva acusada de bruxaria (esperemos que este não seja o fim de Ser Brienne).

Durante todo este tempo, Carlos VII nunca tentou salvá-la, apesar de toda a bravura e lealdade que Joana teve para com ele (ao contrário de Brienne que contou com a ajuda, não de um rei, mas de um cavaleiro chamado Jamie Lannister).

Fonte: Giphy

Uma mulher inspiradora nunca vem só

George R. R. Martin, o próprio, já afirmou em várias entrevistas que Joana D’Arc não foi a única inspiração para a construção da corajosa Brienne.

Diz também ter-se inspirado nas corajosas rainhas da história escosesa, tais como Leonor da Aquitânia bem como Xena, a Princesa Guerreira. Brienne é também única na maneira como foi desenhada: não se apresenta com uma armadura em forma de biquíni, nem como uma guerreira sensual. É sim alta, com uma estatura acima da média e veste uma armadura da cabeça aos pés.

Brienne of Tarth, temporada 8. Fonte: IMDb/HBO

Tal como Joana D’Arc, Brienne of Tarth tem uma tendência para lutar as guerras de outros: seja Renly, Catelyn ou Sansa Stark. A sua lealdade é o que a move e o seu serviço é total. Esperemos que a certa altura Brienne comece a travar as suas próprias batalhas e se assuma como a guerreira que é. Ou poderá sofrer as consequências.

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