O desastre nuclear de Chernobil, que aconteceu a 26 de abril de 1986,  já foi tema de muito filmes, documentários, séries (documentais e de ficção) e até de vídeojogos (ex: Call of Duty 4: Modern Warfare e S.T.A.L.K.E.R.). Além disso, é possível consultar no YouTube inúmeros vídeos/documentários feitos de forma independente por pessoas que se admitem fascinadas pelo pior acidente nuclear da História.

Mas 33 anos depois, o fascínio por Chernobil não esmoreceu. A HBO, o gigante da televisão americana, e a Sky, a companhia britânica de televisão, telemóveis e internet, juntaram forças para nos trazer a minissérie  Chernobyl, que ao longo de cinco episódios promete abordar de forma mais profunda o desastre que se originou a partir nuclear do reactor 4 e que fez com que aproximadamente 50.000 pessoas fossem evacuadas da cidade ucraniana de Pripyat, onde viviam, maioritariamente, as famílias dos trabalhadores da fábrica.

O criador de Chernobyl é um verdadeiro camaleão. Depois de escrever os argumentos de A Ressaca II e A Ressaca III, Craig Mazin  virou-se para um tema mais sério… e real. Kary Antholis, presidente da HBO Miniseries, disse em 2017, ano em que a minissérie foi anunciada, que os executivos da HBO ficaram logo “convencidos de que este conto de terror e redenção demasiado real precisava de ser contado”.

A cada segunda-feira, sai um novo episódio da série na HBO Portugal. Os dois primeiros já estão disponíveis.

Chernobyl “vai enfurecer os nossos espectadores”

Citado pelo portal Deadline, Kary Antholis descreve Chernobyl da seguinte forma: “Vai comunicar – e enfurecer – com os nossos espectadores”.

Mas se já foram criadas várias obras sobre Chernobil, valerá a pena mais outra? Gary Davey, director-geral da Sky, considera que sim e explica porquê: “Em Chernobyl, Craig Mazin conseguiu algo único: não há guião que se compare ao dele, que combina as perspetivas viscerais, trágicas e heróicas por detrás deste acontecimento devastador”.

Com Chernobyl, Mazin pretende contar a história dos homens e mulheres que se sacrificaram para que os acontecimentos não se tornassem ainda mais desastrosos. O argumento também dá conta de oficiais do governo soviético que não compreendiam as graves consequências do desastre, tomando decisões que ia contra análises científicas.

Jared Harris em ‘Chernobyl’. Fonte: HBO

O elenco é composto por estrelas como Jared Harris (Mad Men e The Terror), Stellan Skarsgård (Ninfomaníaca e Mamma Mia) e Emily Watson (Embriagado de Amor e Dragão Vermelho). Harris interpreta Valery Legasov, Diretor-adjunto do Instituto Kurchatov de Energia Atómica e uma das primeiras pessoas a serem chamadas para ajudar a arranjar uma solução para conter a radiação. Legasov tem pela frente Boris Scherbina (Skarsgård), Vice-presidente do Conselho de Ministros e chefe do Bureau for Fuel and Energy, que foi destacado pelo Kremlin para liderar os inquéritos ao desastre. Watson interpreta uma personagem ficcional: Ulana Khomyuk é cientista do Instituo Bielorrusso para a Energia Nuclear e torna-se parte da equipa que investiga Chernobil.

Sair para nunca mais voltar

Quando nada o fazia prever, o reator nuclear 4 de Chernobil explodiu na madrugada de 25 para 26 de abril de 1986. O acidente ocorreu numa altura em que se realizavam testes que simulavam falhas de energia. Entre outros factores, a explosão terá acontecido devido a falhas do design do interior do reator. A consequência mais grave foi a rápida propagação da radiação pelas zonas em volta da central nuclear.

A pouco mais de 100 km de Kiev, Pripyat era uma cidade onde viviam 50.000 pessoas, quase todas elas relacionadas com os trabalhadores da central. De um dia para o outro, as suas vidas sofreram um grande revés: foram evacuadas a pensar, por indicação do governo soviético, que provavelmente voltariam a casa, o que nunca chegou a acontecer.

Ainda que com menos intensidade, os efeitos da radiação ainda hoje se fazem sentir na zona de Pripyat, mas isso não é motivo forte o suficiente para afastar alguns turistas que se aventuram para visitar uma cidade que agora é completamente deserta. A Pripyat são feitas excursões com guias e com um contadores Geiger, que medem os níveis de radiação.