O espólio literário de William Shakespeare não é estranho a adaptações ao grande ecrã. De 13 a 20 de maio, o Centro Cultural de Belém vai celebrar o dramaturgo através do cinema, exibindo seis filmes baseados nas suas mais icónicas obras.

O conjunto de adaptações é representativo da interdisciplinaridade e impacto de Shakespeare na sétima arte, contando com um enquadramento temporal que se estende dos anos 50 aos 90. Desde filmes fiéis aos textos originais, a produções mais hollywoodescas, o projeto, que resulta de uma parceria entre o CCB e a produtora Midas filmes, fornece sessões para todos os gostos.

Fonte: CCB / Divulgação

A iniciativa insere-se no âmbito do Ciclo William Shakespeare, que decorre desde 16 de março, englobando vários teatros, workshops e pequenas conferências. As atividades irão prolongar-se até dia 12 de julho, sempre com o intuito de promover a literacia e a discussão do trabalho shakespeariano.

O bilhete que dá acesso às seis sessões custa 26€, sendo que cada filme tem o custo individual de 4,50€. Podes comprar os bilhetes online.

1. Ran – Os Senhores da Guerra (1986)

Ran é um filme de Akira Kurosawa que transpõe a famosa peça Rei Lear ao Japão medieval. O enredo centra-se nas partilhas de um velho guerreiro pelos três filhos, ação que desencadeia múltiplas disputas, culminando em tragicidade.

Kurosawa apresenta um minucioso estudo dos costumes japoneses do século XVI, que não falha a nível de mestria e audácia narrativas. O encanto visual é, certamente, o fator de destaque nesta produção, desenvolvida aquando do agravamento da cegueira do próprio realizador.

Inteligentes rasgos de humor e ironia encontram-se em todos os pequenos detalhes, combinação que valeu a Ran inúmeras premiações, incluindo um Oscar de melhor figurino.

Horário da sessão: 13 de maio às 21h

Fonte: IMDB

2. Macbeth (1971)

O filme de Roman Polanski afirma-se como uma das mais realistas adaptações cinematográficas de Macbeth, encapsulando o tom lúgubre e bárbaro que predomina, fortemente, no enredo original.

Macbeth narra a história de um lorde que tenta, a todo o custo, apoderar-se do trono escocês, com a ajuda de um trio de bruxas e da sua pérfida mulher. Todos os solilóquios, tão bem conhecidos pelo público, são representados de forma peculiar, tomando forma de devaneios mentais dos personagens.

Olhado de lado pelos críticos da altura, foi o tempo que se encarregou de consagrar Macbeth como um clássico do cinema, marcado pela sua visão crua da tragédia.

Horário da sessão: 14 de maio às 21h

Fonte: IMDB

3. Hamlet (1948)

Hamlet, realizado por Laurence Olivier, centra-se na sede de vingança de um príncipe dinamarquês que procura assassinar o tio, principal suspeito da morte do seu pai.

A realização de Olivier invoca o que há de cinematográfico nas peças de Shakespeare, tecendo cada movimento e nuance em função dos ângulos de câmara. O elenco, com prestações irrepreensíveis, é composto por vários atores cobiçados da época, incluindo Laurence no papel principal.

Hamlet não escapou à aclamação dos críticos, tendo arrecadado vários Oscars, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Ator, BAFTAS e o Leão de Ouro em Veneza.

Horário da sessão: 15 de maio às 21h

Fonte: Kreattivita

4. Sorrisos de uma Noite de Verão (1955)

Esta adaptação da peça Sonho de uma Noite de Verão marca uma das poucas comédias realizadas por Ingmar Bergman, influenciado por personalidades como Strindberg, Arthur Schnitzler e Oscar Wilde.

O romance, carregado de simbolismo, retrata os dramas amorosos da alta sociedade, repletos de drama, desilusão e amores efémeros. Por trás do humor, Bergman deixa transparecer alguns traços de seriedade, servindo-se de uma palete de cores dual para representar as figuras femininas e masculinas, ao mesmo tempo que apresenta tópicos de grande cariz emocional.

As filmagens, despojadas de qualquer tipo de artifícios, focam-se numa visão mais simplista e bucólica da essência de Shakespeare, estilo que catapultou Bergman para a esfera do cinema mundial.

Horário da sessão: 17 de maio às 21h

Fonte: The Criterion Collection

5. A Fera Amansada (1967)

A Fera Amansada, inspirada na obra de Shakespeare com o mesmo nome, é da autoria do cineasta italiano Franco Zeffirelli.

Franco desenvolve uma versão exemplar da história de duas irmãs, Katharina e Bianca filhas de um rico comerciante de Parma. Bianca é desejada por inúmeros pretendentes, enquanto Katharina é deixada de lado pelo seu temperamento instável.

Em jeito de desafio, o pai decreta que Bianca apenas poderá casar quando Katharina o fizer, oferecendo um dote a quem se aventurar a desposar a filha. Petruchio, um jovem falido, não tem nada a perder e decide embarcar neste romance improvável.

Zeffirelli aposta na opulência dos cenários e da narrativa, criando um exímio espetáculo visual, que prima pelo dramático.

Katharina e Petruchio são interpretados pelo par americano Elizabeth Taylor e Richard Burton, cujo relacionamento na vida real foi bastante badalado nos anos 60.

Horário da sessão: 18 de maio às 21h

Fonte: BBC

6. Romeu + Julieta (1996)

Baz Luhrmann é o realizador do filme mais recente desta exibição, inspirado no clássico shakesperiano Romeu e Julieta. A adaptação transporta o espectador para a solarenga Califórnia, local onde cresce o ódio entre as famílias Montague e Capuleto. Estas impedem o amor de Romeu e Julieta que, inevitavelmente, acaba em fatalidade.

Luhrman é uma lufada de ar fresco, reinventando a peça com tal atenção que consegue abordar a história de forma diferente, sem que perca o sentido. A presença da cultura americana dos anos 90, encabeçada pela música pop/rock, converteu o filme numa das adaptações de Shakespeare mais vistas na história do cinema.

A receção de Romeu + Julieta foi, sem dúvida, díspar, originando pareceres que oscilam entre o amor e o ódio. Apesar de tudo, o filme não deixa margem para dúvidas quanto à sua proeminência, afirmando-se como um marco incontornável da cultura pop.

Horário da sessão: 20 de maio às 21h

Fonte: IMDB