O nome é Daenerys Targaryen, uma das mais – senão a mais  popular e icónica personagem de Uma Canção de Gelo e Fogo. Ser a mãe de dragões e intocada pelo fogo pode tornar isto tudo mais difícil de acreditar, mas Daenerys não vem só do imaginário de George R.R. Martin, vem também da mais infame família real inglesa, os Tudor.

Em Guerra dos Tronos, não em Uma Canção de Gelo e Fogo, Daenerys tenta fugir do seu passado mas não consegue, e poderá estar uma Rainha Louca por nascer.

Daenerys Targaryen e Elizabeth Tudor

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Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Fonte: HBO

Elizabeth I, tal como Daenerys, “a última dos Targaryen“, foi a última a levar o nome Tudor ao trono inglês.

A mãe de Daenerys, Rhaella Targaryen, morreu a dar à luz, enquanto uma tempestade rasgava os céus em Pedra do Dragão – e assim nasceu Daenerys, nascida da tormenta. Já Elizabeth viu a sua mãe, a infame Ana Bolena, a ser executada sob os crimes de adultério e incesto.

Duas rainhas. Enquanto uma tinha cabelos prateados e olhos violeta que não deixavam dúvidas de quem era, a outra exibia um cabelo ruivo como o fogo que a identificava como uma Tudor.

A beleza de Daenerys persegue-a por todo o mundo de Uma Canção de Gelo e Fogo, desde Meereen a Porto Real, mas Elizabeth não se deixou ficar atrás. Por toda a Europa era considerada a perfeita representação de uma rainha do Renascimento. Ambas encontram na beleza uma arma política, legitimando os seus reinados e aproveitando-se dos seus inimigos. Eram desejadas e homens dobravam-lhes os joelhos em juras de lealdade, não só pelo dever, mas por amor.

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Daenerys e Elizaberth, mães apenas para o povo

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Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Fonte: HBO

Daenerys, para salvar a vida de Khal Drogo, dá a vida do filho que carregava no ventre. Depois disso é sentenciada a não ser capaz de dar à luz.

Em vez de crianças, deu “à luz” três dragões e ficou conhecida como A Mãe dos Dragões e mais tarde torna-se Mysa, ou seja, a mãe para os milhares que salvou da escravatura. Mesmo destinada a não ter filhos, Daenerys tornou-se uma mãe para o seu povo.

Elizabeth entreteve propostas diplomáticas de casamento, mas nunca aceitou nenhuma. A incapacidade de abdicar da sua liberdade e do seu poder real ao tornar-se mulher de alguém foi a razão. Ao recusar casamentos eliminou a possibilidade de ter filhos que dessem à família Tudor um herdeiro. No lugar disso declarou-se mãe do povo inglês.

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Viserys Targaryen e Mary Tudor

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Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Fonte: HBO

Mary, irmã mais velha de Elizabeth, e Viserys, irmão de Daenerys. Ambos traumatizados pela perda da sua herança e reivindicação ao trono.

Mary culpou Elizabeth pela desgraça e morte da sua mãe e Elizabeth muitas vezes viu a vida em risco durante o reinado da irmã. Mary não foi uma rainha popular e quando viu o seu reinado chegar ao fim aprisionou a irmã. A sua morte deu a liberdade a Elizabeth.

Quando foi a vez de Elizabeth chegar ao trono inglês, muitas tinham sido as lições a retirar do reinado da irmã e nunca cometeu os mesmos erros.

Daenerys aprendeu com Viserys, o seu irmão maldoso. E isso foi crucial para o desenvolvimento da personagem. O irmão que a vendeu ao troco de um exército de dothraki para conquistar os Sete Reinos e que sempre a tentou subjugar para não a ver como ameaça ao trono.

É por isso que acaba morto, às mãos do marido de Daenerys, Khal Drogo, “coroado” com ouro derretido. É a morte de Viserys que permite a Dany deixar para trás o seu lado de princesa receosa e assumir-se como Khaleesi.

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O amor e lealdade usados como armas políticas

Daenerys Queen

Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Fonte: HBO

Ambas as rainhas se rodearam de figuras fortes, leais e apaixonadas. Daenerys Targaryen encontrou apoio em figuras como Jorah Mormont, Barristan Selmy, Daario Naharis. Elizabeth Tudor rodeou-se de William Cecil, Rober Dudley e o seu amante Robert Devereux.

Até estas personagens são semelhantes. William Cecil e Barristan Selmy foram os conselheiros mais velhos das respetivas rainhas e só a sua morte os fez parar de as servir.

Robert Dudley, conde de Leicester, era o favorito da rainha Tudor e acredita-se que havia um sentimento mais forte por detrás da sua lealdade. Fez de tudo para pedir a mão da rainha de Inglaterra. Jorah Mormont, o mais fiel de todos os servos de Daenerys, fez tudo pela sua Khaleesi. Não apenas por ser leal, mas porque sempre a amou.

Mais tarde no reinado da rainha Tudor apareceu na sua corte um jovem e atraente conde, Robert Devereux. A sua relação é muito semelhante à que Daenerys teve com o seu amante Daario Naharis, com uma diferença. Robert Devereux acabaria por liderar uma rebelião contra a sua rainha e ser executado por traição… talvez agora vejas Daario com outra atenção.

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O reinado de Daenerys, mãe dos dragões e de Elizabeth, mãe de Inglaterra

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Daenerys Targaryen em Game of Thrones. Fonte: HBO

Elizabeth I, a última dos Tudor, foi celebrada pela Inglaterra protestante e admirada como uma figura religiosa. Uma religião que não acreditava em santos, e outras figuras que não fossem Jesus Cristo ou Deus fizeram com que o povo inglês a adorasse como se fosse sobrenatural. Assim, o culto de Elizabeth I nasceu.

Daenerys Targaryen não é só uma rainha. “Daenerys Nascida-da-Tormenta da Casa Targaryen, legítima herdeira do Trono de Ferro, legítima Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Protetora dos Sete Reinos, a Mãe de Dragões, a Khaleesi do Grande Mar de Erva, a Não-queimada, a Quebradora de Correntes.”

A aura que a rodeia, a última Targaryen que devolveu dragões e magia a um mundo que se via perdido. Daenerys, também à imagem de Elizabeth, é adorada num culto, e não é por acaso que pode ser o Príncipe que foi prometido pelo Senhor da Luz para derrotar a Grande Noite.

Elizabeth I, primeira do seu nome e a última da linhagem Tudor. Daenerys, primeira do seu nome e a última da linhagem Targaryen. Duas mulheres que lutam para cumprir o seu destino, são das personagens mais fortes que se sentaram num trono. São delas as caras quando pensamos nos Tudor ou em Guerra dos Tronos. São transcendentes e duas das mais icónicas rainhas não só do imaginário de George R.R. Martin, como da História da Humanidade.

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