Esta segunda-feira, dia 6 de maio, a IKEA inaugurou a sua primeira loja no bairro histórico La Madeleine, no centro de Paris. O novo espaço oferece soluções de design especialmente projetadas para os donos das pequenas casas parisienses, que consideram que as lojas tradicionais, nos arredores da cidade, os dissuadem de comprar produtos da marca.

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Paris vista de Montmartre

Face à crescente competição no mercado e à mudança dos hábitos de consumo dos clientes da marca, que cada vez mais preferem o conforto das compras online, a IKEA adaptou o seu modelo de negócio e o resultado foi um espaço diferente.

«La Madeleine é um laboratório de testes de inovação para nós. Queremos servir as pessoas que conhecem e adoram a IKEA mas que acham que a IKEA está demasiado longe», disse à Reuters Jesper Brodin, diretor executivo do grupo Ingka, que detém a maioria das lojas IKEA.

A gigante sueca opera quatro lojas nos subúrbios de Paris e tem um serviço que permite aos clientes das áreas centrais viajar de autocarro gratuitamente até essas lojas. Mas para quem quer trazer para casa móveis de maior dimensão, as coisas complicam-se.

«Nós sabemos há muitos anos que há muitas pessoas que vivem no centro de Paris e que não têm carro ou não têm tempo suficiente para interagir com a IKEA nas grandes lojas, então esta é uma declaração de amor para elas», revelou à agência France-Presse.

UMA LOJA PARA TODOS OS PARISIENSES

A poucos metros da avenida dos Campos Elísios, a loja de La Madeleine tem 5.400m², distribuídos por dois pisos, sendo quatro vezes menor do que as típicas megalojas da Ikea. No entanto, é o palco de experimentação de um tipo de lojas que deixam para trás o self-service dos estabelecimentos nos arredores da cidade e, ao invés, se deslocam para o centro dela, com serviços sobretudo dependentes do meio digital.

Lá não se vê prateleiras e corredores cheios de móveis por montar. A concept store atende às necessidades dos clientes parisienses, que querem inspirar-se em soluções de decoração para espaços minúsculos (muito comuns em Paris), mas que não querem fazer um milhão de viagens loja-casa-casa-loja para mobilar o seu lar.

«Estamos a tentar alcançar as inúmeras pessoas com carteiras leves, normalmente com pequenos espaços, mas grandes sonhos e necessidades, que vivem no centro da cidade», acrescentou.

NOVA LOJA, NOVAS FORMAS DE IR ÀS COMPRAS

Toda a gama de produtos IKEA é apresentada no local (graças às ferramentas digitais), a maioria está exposta em loja, mas só uma pequena porção está disponível imediatamente após a compra. Estes últimos itens, que não podem ser levados da loja, podem ser comprados online e entregues ao domicílio ou em 350 pontos de recolha para encomendas até 20kg.  

A empresa já tem outras lojas nos centros de diversas cidades, mas o estabelecimento parisiense é o único a apresentar uma oferta completa dos produtos da IKEA. As restantes lojas situadas no centro de grandes cidades europeias apenas fornecem uma só linha de produtos. É o caso de uma loja madrilena especializada em mobiliário de sala de estar, de um showroom de cozinhas em Estocolmo ou de uma loja londrina que oferece planeamento personalizado para renovações.

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Foto: icondigital|Pixabay

LOCAIS PARA ENCHER A BARRIGA, WORKSHOPS E EXPOSIÇÕES

No piso térreo, uma praça de alimentação contempla um salad bar, um restaurante e uma mercearia. Aproveitando a tendência crescente das oficinas, a loja também oferece aulas de yoga, culinária ou Feng Shui e, ainda, workshops temáticos, que abrangem tópicos como reparação de móveis, renovação de divisões e cozinha sem desperdício. O novo espaço também será casa de várias exposições de arte.

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MAIS E-COMMERCE, MAIS LOJAS URBANAS, MENOS POLUIÇÃO

O grupo Ingka procura investir no comércio eletrónico e na inserção de lojas no centro das cidades. É um bom caminho a seguir para a IKEA, que espera ser autossustentável do ponto de vista energético até 2020.

Na cerimónia de abertura, Brodin declarou: «Se [a loja de] La Madeleine for bem-sucedida, abriremos mais lojas [deste tipo] em França, mas também nos EUA, no Japão…».

Na loja de Paris, o grupo também planeia testar, dentro de um ano, serviços de aluguer de móveis para servir a clientela menos leal e mais consciente a nível ambiental. O mesmo acontecerá nos restantes mercados principais da marca.