O sul de Israel vive novos momentos de tensão, com a disputa entre os rebeldes palestinianos e as forças israelitas a subir de tom nos últimos dias. Em Telavive, contudo, os planos de preparação e ensaios para a Eurovisão permanecem inalterados. O mesmo não acontece com a venda de bilhetes, que continua abaixo do esperado. A organização culpa o conflito pela quebra na bilheteira.

De acordo com o jornal Haaretz, que cita produtores do evento, são esperados 5.000 visitantes na cidade, um número bastante abaixo do que foi registado nos anos anteriores e aquém das expectativas iniciais, que apontavam para dezenas de milhares de turistas a acorrerem à cidade israelita. Os preços dos hotéis, que tinham disparado para aproveitar a elevada procura esperada estão agora a baixar, como reação ao falhanço nas vendas.

Para já encontram-se na região os representantes da maioria das delegações e também a comunicação social, que tem estado a acompanhar os ensaios desde o dia 4. Andrey Kozhin, redator do portal russo Eurovision VK, admite ao EF ter tido “algumas preocupações” até esta segunda-feira, com o anunciar do cessar-fogo a ter servido para acalmar alguns anseios.

Acrescenta também que, na Rússia, “várias pessoas não quiseram vir a Israel” devido à situação tensa no país e às várias afirmações feitas pelo governo do país e pela organização ao longo do último ano, desde a vitória em Lisboa.

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Netta Barzilai foi a vencedora da Eurovisão 2018, em Lisboa. (Fotografia: Eurovision.tv)

A maior parte das delegações e dos participantes tem mantido as atividades normalmente, com a situação de segurança a não ser um tema central nas conversas entre os jornalistas presentes no local. O Comando de Frente Interna, citado pelo Haaretz, autorizou que os trabalhos de preparação prosseguissem, dado que até agora não houve qualquer ataque em Telavive ou na sua área metropolitana, o que poderia inviabilizar a continuidade do evento.

O cessar-fogo alcançado esta segunda-feira (6) com a intermediação do Egito e das Nações Unidas é apontado como “frágil“, depois deste fim-de-semana ter sido considerado o mais mortífero dos últimos cinco anos. Morreram 29 palestinianos e quatro israelitas, na sequência de um ataque com 700 rockets em 48 horas levado a cabo pelo Hamas contra território de Israel. Os rockets foram na sua maioria neutralizados. Em resposta, o Estado judaico contra-atacou com bombardeamentos, garantindo ter atingido “350 alvos militares” das forças palestinianas.

Bilhetes em desconto para evitar sala vazia

As baixas vendas de bilhetes, motivadas pela situação nacional, mas também pelos preços altos de cada ingresso – na semifinal, os bilhetes mais baratos ultrapassam os 120 euros – têm motivado alguns descontos e alterações de última hora.

A organização decidiu fazer uma parceria com a empresa de bicicletas Tel-O-Fun para vender dois bilhetes ao preço de um e, além disso, foi cancelada a venda de bilhetes VIP para as semifinais e aplicado um desconto de 10% em todos os ingressos.

Para efeitos de comparação: Em 2016, na Suécia, os preços dos bilhetes começavam nos 11 euros e acabavam nos 280. Em 2018, em Portugal, o ingresso mais barato custava 35 euros e o mais caro não ia além dos 299. O bilhete mais caro para a edição israelita está à venda, nos canais oficiais, por… 905 euros.