Após a polémica rejeição por parte da Amazon, A Rainy Day in New York, a mais recente produção de Woody Allen, será lançado em Itália às mãos da distribuidora Lucky Red, de acordo com a revista Variety.

No seguimento da estreia agendada para 3 de outubro de 2019, especula-se que o filme terá a sua primeira exibição no Venice Film Festival em setembro, sendo, posteriormente, lançado por companhias locais ao longo da Europa.

A origem da rejeição por parte da multinacional prende-se com os alegados crimes de violência sexual cometidos por Allen contra a sua filha Dylan Farrow desde infância, acusações que ressurgiram face à criação do movimento Time’s Up.

Woody Allen com Mia Farrow e os filhos, Dylan e Ronan Farrow (1992). Fonte: CNN

A Rainy Day in New York, concluído em 2018, é uma comédia romântica que inclui um vasto elenco de caras conhecidas, como Timothée Chalamet, Elle Fanning, Selena Gomez e Jude Law. Apesar do enredo ser ainda pouco conhecido, tudo indica que retrate a jornada de dois jovens que vão passar um fim-de-semana a Nova Iorque.

À luz do presente historial, torna-se clara a reticência da Amazon na distribuição do filme, tendo em conta que este inclui um romance entre as personagens interpretadas por Law e Fanning, casal marcado por uma larga diferença de idades.

No verão passado, a empresa rejeitou um contrato, que abarcava a produção de quatro filmes em parceria com Allen. Em resposta, o realizador levantou um processo contra a Amazon no valor de, pelo menos, 61 milhões de euros.

Timothée Chalamet, Selena Gomez e Woody Allen na produção de ‘A Rainy Day in New York’. Fonte: The Woody Allen Pages

Aquando da emergência do movimento #MeToo, Allen tornou-se uma presença tóxica em Hollywood, levando ao distanciamento de muitos atores e produtoras que trabalhavam com o cineasta. Gomez e Chalamet doaram os seus salários de A Rainy Day in New York a instituições que apoiam o movimento Time’s Up, enquanto Law apenas descreve a rejeição do filme como uma “grande pena”.

Recentemente, o realizador voltou a sofrer repercussões ao ver o seu livro de memórias rejeitado por quatro das principais editoras americanas, segundo adianta o jornal The New York Times.

Os diretores executivos das empresas afirmaram que “apesar de continuar a ser uma figura cultural importante, os riscos comerciais de publicar as suas memórias eram demasiado desanimadores”.

Woody Allen prepara, agora, o lançamento de um novo filme, em parceria com a sede espanhola da Mediapro, que, no passado, financiou obras de sucesso do cineasta, como Vicky Cristina Barcelona e Meia-Noite em Paris.