Após uma longa pausa de seis anos, os Vampire Weekend batem à nossa porta e apresentam-nos Father of the Bride. Abrindo-a, somos recebidos por uma festa primaveril cujo porta voz é Ezra Koenig. Ausente está Rostam Batmanglij e, assim, novas caras (Greta Morgan, Brian Jones, Garet Ray e Will Canzoneri) cumprimentam-nos.

Rever os Vampire Weekend com um maior elenco é algo antitético. Estamos a falar de uma banda com uma discografia que está repleta de músicas short but sweet, complementadoras inclusive da duração dos seus dois primeiros álbuns, Vampire Weekend e Contra, ambos reservados no que toca a tempo de antena. Adicionalmente, não é só a banda que se expandiu: Father of the Bride é composto por dezoito músicas ao longo de uma hora de duração – números inéditos para os “vampiros”.

Tendo em conta o tempo de espera, parece haver grande margem de erro para os Vampire Weekend. No entanto, Father of the Bride não se incomoda com o quanto demorou a nascer: quer aproveitar o momento. Acompanhemos, então.

Hold You Now (com Danielle Haim) é um perfeito início do disco. A inclusão de um coro é inteligente e bela e definem bem os ânimos de Father of the Bride. São também ouvidas guitarras num registo menos comum para Vampire Weekend, como também se verifica noutras ocasiões do álbum – há vestígios de Fleetwood Mac e Grateful Dead aqui e acolá, murmurinhos estes que substituem o anterior espírito afrobeat subjacente nas influências de Ezra, com um charme de quem não se cansa de ouvir Graceland de Paul Simon.

Assim é inaugurada a brilhante primeira metade do álbum. A brisa fresca que é Harmony Hall é contrastante com Bambina, que prima pela sua divertida variedade.

Destacam-se também This Life, um mergulho em influências soft-rock, mais tarde revisitado por Stranger, e Unbearably White, na qual se abrem as janelas e deixa-se um sossego cool entrar.

Em adição, é impossível ignorar How Long?, um jogo de doces melodias genial que é capaz de ficar retido nos ouvidos por horas e horas. Melhor ainda é Sympathy, uma peça que faz do flamenco o seu melhor amigo e apanha qualquer um desprevenido – nunca se esperaria ouvir isto dos Vampire Weekend. É verdadeiramente estupendo.

Danielle acompanha Ezra em mais duas canções – Married in a Gold Rush e We Belong Together. São as duas bonitas, havendo uma produção talvez um pouco grosseira demais na percussão de We Belong Together. Não é uma união de vozes extraordinária, mas é mais do que bem vinda.

Desse mesmo modo temos Steve Lacy a marcar lugar em Sunflower e Flower Moon. É de sublinhar as brincadeiras sónicas como o uso de vocoder e as camadas de instrumentação que há em Flower Moon que enriquecem profundamente o que se ouve.

Há ainda uma porção de faixas de curta duração que no contexto geral podem ser encarados como interlúdios. Rich Man é uma mensagem política um pouco tongue in cheek com uma melodia orquestrada por violinos.

Infelizmente, Sunflower consegue tornar-se repetitiva e 2021 é facilmente descartada. Não quer isto dizer que se tratam de canções fracas, meramente terão maior dificuldade em provocar uma reação do ouvinte, tal como Spring SnowMy Mistake – duas peças interessantes que no panorama geral do álbum pouco fazem.

Caso fossem expandidas, Big Blue Jerusalem, New York, Berlin poderiam ser ainda mais apetitosas. Independentemente de tal, a sua forma final é de aproveitar na mesma.

No que toca às letras, Ezra abandona a sua abordagem pesada em referências e em versos picturesque e opta por simplificar as coisas, às vezes de modo eficaz e por outras de modo simplista mas eficiente para construir uma música.

De modo a não deixar de lado outros aspetos negativos a referir, a produção neste álbum é por vezes questionável. Há um excesso de concentração da voz de Ezra no lado esquerdo ou direito da faixa – a técnica com o nome de panning (tal é mais percetível com headphones) -, e nem sempre os instrumentos parecem ter distância e profundidade entre si o suficiente.

Dito isto, Father of the Bride é um banquete delicioso e amigável, capaz de satisfazer diversos e variados gostos. Há nele bons pratos em quantia e qualidade suficiente para querermos mais tarde repetir a experiência.

No universo de Vampire Weekend, é na sua atitude que este disco mais se diferencia. Enquanto que todos os álbuns da banda até agora foram uma visita a um passado que não é nosso, preenchido por nostalgia adolescente e emoções à flor da pele num mundo moderno, este álbum foca-se no agora e no sentimento que dele advém.

Os seis anos de espera valeram a pena? Depende da perspetiva. Talvez os seis anos nunca colocaram a si mesmos o objetivo de virem valer a pena e talvez Ezra nem procure responder a essa pergunta. Não obstante, uma coisa é certa: os Vampire Weekend conseguiram criar mais um ótimo álbum.

Pontuação: 8.5/10