Depois de Malapata, Diogo Morgado regressou à realização com o filme Solum, que chega esta quinta-feira (1) às salas de cinema. O Espalha-Factos esteve presente na antestreia no Cinema São Jorge.

A história, assinada também pelo ator português, acontece numa ilha deserta e exótica, que é nada mais, nada menos, que o pano de fundo de um reality-show que dá nome ao filme. Os concorrentes são abandonados na ilha com pouco mais do que aquilo que consideram essencial para a sua sobrevivência, sendo que o último a desistir (se o fizer) é quem triunfará como vencedor.

Diogo Morgado esteve presente, em setembro, na Comic Com Portugal, onde apresentou ao público português as primeiras imagens do seu mais recente projeto, que só viria a chegar ao grande ecrã muitos meses mais tarde. Segundo o realizador, Solum é um projeto muito pessoal e que “traduz uma paixão”. Apesar de não ter tido o financiamento do Estado – ao contrário de muitos filmes portugueses que chegam às salas de cinema – Solum foi gravado em Portugal e filmado, maioritariamente, por uma equipa de portugueses.

Portugal não é só futebol

Estas foram as palavras com que Diogo Morgado iniciou um pequeno discurso antes do visionamento do filme. A ideia de Solum era, portanto, mostrar que o cinema português pode ser muito mais do que aquilo a que estamos habituados. E é verdade, sim. Num ano em que Snu – o filme sobre o romance entre Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro – lidera o posto de filme português mais visto, com cerca de 60 mil espectadores, era de esperar que o cinema português encontrasse no filme de Patrícia Sequeira uma nova direção. Diogo Morgado faz precisamente o oposto. E não, não o fez bem.

Solum pode ser visto como uma crítica aos nossos costumes. Como uma espécie de movimento revolucionário sobre a forma como temos tratado o nosso planeta – ou seja – todo o ambiente do filme é passado numa era pós-apocalítica, mas a verdade é que nunca fica claro o que realmente aconteceu. A longa metragem pretende criticar vários aspetos, mas no fim acaba sem fundamentar essa mesma crítica.

Portugal não é só futebol, é um facto. Mas Portugal não é só um país com filmes sobre cultura, sobre o fado ou sobre romances. Em 2017 chegou ao grande ecrã o filme Perdidos, de Sérgio Graciano, que apesar de não ser nenhuma obra-prima, cumpriu a sua função ao mostrar que o cinema português ainda tem muito a ser explorado, se conseguir o orçamento certo. Solum planeava-se com o mesmo objetivo, mas não cumpriu.

Tudo o que é mau neste filme são coisas que o dinheiro podia comprar, tudo o que é bom neste filme, são coisas que o dinheiro não compra“, disse Diogo Morgado, a finalizar a antestreia.

O dinheiro não compra um bom enredo, bons diálogos ou boas interpretações

É verdade que o projeto teve pouco financiamento e que é uma proposta arrojada – afinal fazer ficção científica sem grandes meios técnicos não é tarefa fácil – mas há coisas que o dinheiro não compra. Coisas como um bom enredo, bons diálogos ou boas interpretações. E tudo isso falhou em Solum. Boas ideias não se compram. A proposta apresentada por Diogo Morgado bebe, quase na sua totalidade, de Hunger Games. Mas a grande diferença entre a saga criada por Suzanne Collins e o filme criado por Diogo e Pedro Morgado é que é possível vibrar com as personagens, criar empatia com o mundo e o universo criado pela primeira.

Em Solum – que aparentemente significa Exclusivo, o que não tem muito a ver com o filme – é impossível ficar em sintonia com as personagens, pois não há espaço para tal. Toda a edição da obra é controlada por um ambiente pesado, perseguida por uma banda sonora que não deixa o espectador descansar. É uma experiência emocionalmente desgastante e até, em alguns momentos, sonolenta.

Apesar de tudo, não se fica indiferente à ideia principal de Diogo Morgado. A ideia de transmitir que o cinema pode ir por vários caminhos e que, de facto, é possível. E sim, é possível. É possível construir bons filmes de ficção científica, é possível construir bons filmes de ação… É possível. É uma realidade que o investimento orçamental será sempre um impedimento para grandes projetos cinematográficos, mas como disse o ator, há coisas que o dinheiro não compra. Mas em Solum, infelizmente, nem com 300 milhões de euros. O enredo é fraco e pouco original. É uma prova que o cinema pode traçar novas rotas, mas não deu o primeiro passo… E ficou pelo caminho.

Título Original: Solum

Realização: Diogo Morgado

Argumento: Diogo Morgado e Pedro Morgado

Elenco: Maria Botelho Moniz, Catarina Mira, Francisco Froes, Carlos Carvalho, Cláudia Semedo, Gonzalo Ramos, Anna Ludmilla

Género: Thriller, Ficção Científica

Duração: 95 minutos

‘Solum’: A tentativa de ficção científica de Diogo Morgado
3.5Valor Total
Votação do Leitor 29 Votos
4.1