“Planeta ou Plástico?” foi esta a escolha que a National Geographic propôs aos espectadores presentes na Casa da Música, no Porto. Na Sala Suggia de um dos espaços emblemáticos da Invicta, a National Geographic Summit 2019 veio chamar a atenção para o impacto que o plástico está a ter na Terra. Ao longo da tarde de segunda-feira (29), cinco oradores de renome discutiram o problema e apresentaram soluções para mudar o futuro.

“O Plástico está a sufocar o planeta!” – foram as palavras que ecoaram nos primeiros minutos da National Geographic Summit 2019. O evento, organizado anualmente pelo canal, tem por objetivo chamar a atenção para o ambiente e desafios que este enfrenta.  E este ano não foi exceção. Tal como João Moreira, jornalista da SIC e apresentador desta edição, referiu “A National Geographic promove pequenas ações tangíveis de grande impacto”.

A introdução ao tema contou, também, com a Diretora Geral da National Geographic Europa e AfricaDeborah Armstrong – e o Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto, que enfatizou o propósito da presença de todos ali: “(…) mudar o mundo, porque, se não o fizermos, o mundo continuará, mas não será connosco.”

Fotografia: Margarida Morais

“O oceano não é grande demais para falhar”

A primeira parte do evento foi mais direcionada para a identificação do problema. Em cerca de duas horas, foi explorado o impacto que a utilização de plásticos descartáveis tem na sustentabilidade terrestre. Através de três testemunhos distintos, foi retratada a biodiversidade presente no nosso planeta e de que forma as nossas ações e consumos a afetam cada vez mais.

Brian Skerri, foto-jornalista dos oceanos, e uma das principais vozes da conservação marinha, apresentou-se como um contador de histórias e um apaixonado pelos mar. “O oceano está muito pouco explorado, é o sítio perfeito para contadores de histórias trabalharem (…) O que estou a tentar captar é a poesia que existe no mar.” Contudo, esse amor – que o próprio apelidou de vício – está em risco. Através de diversas fotografias que demonstram o quanto a atividade humana, especialmente devido à utilização de plástico, têm afetado a vida marinha, Skerri alertou para o problema.

O fotógrafo contou, também, algumas histórias que o mesmo apelidou de “horríveis”. Desde tartarugas presas em redes de plástico no Sri Lanka, dia após dia, à quase extinção de algumas espécies de atum devido ao seu consumo excessivo. E, salientou, que apesar da beleza do oceano ser algo que o fascina, a fotografia não serve apenas para captar esse aspeto. A fotografia capta a emoção do público e a emoção alerta para o problema.

Fotografia: Margarida Morais

Os efeitos do plástico foram igualmente explorados por Lucy Hawkes. Da sua experiência em ciclos migratórios, a ecologista fisiológica salienta que todos nós, em certa altura do ano, estamos “na rota de voo de alguns dos mais espetaculares animais atletas”. Qual é o desafio? Segundo a oradora, “eles dependem de nós para manter os ecossistemas à volta do planeta saudáveis”.

Paula Sobral trouxe uma visão semelhante, mesmo que vinda de um pólo científico distinto. “(…) os padrões de consumo são insustentáveis na nossa sociedade”, alertou a especialista em microplásticos. A cientista explicou que apesar de sabermos que a poluição por plástico existe, as pessoas só agora começaram a perceber que o seu impacto nos oceanos, na saúde e na vida, em geral, é uma ameaça enorme e descontrolada. E deixou claro que é preciso agir, porque, como Skerri disse, “O oceano não é grande demais para falhar”.

Fotografia: Margarida Morais

“Então… O que posso eu fazer?”

Não foi apenas de problemas que se fez a National Geographic Summit 2019. Na segunda parte do evento, Jamie Butterworth e Claire Sancelot vieram apresentar soluções.

Butterworth, especialista em economia circular e ex-CEO da Fundação Elen MacArthur, focou-se nas mudanças que podem ser feitas a nível corporativo. Depois de alertar para o facto de que apenas 20% do investimento inicial é recuperado na atual visão económica linear, referiu diversas alternativas para reduzir o desperdício e aumentar o retorno financeiro. Evitar “packaging” desnecessário, optar por reutilizar produtos ao invés de reciclar e investir em tecnologia capaz de detetar e prevenir o desperdício foram mostradas como algumas das possíveis soluções.

Fotografia: Margarida Morais

Este “homem de visão” – como João Moleira o descreveu – deixou um alerta aos líderes económicos: “Recomendo a qualquer grande líder corporativo que não ouviu falar da economia circular (…) para saber como a aplicar ao seu negócio.” Afinal, se os “plásticos são o sintoma final de uma economia linear”, mudar o modelo aplicado traduz-se em reduzir o seu consumo e, como referido previamente por Paula Sobral, reduzir o seu efeito nefasto para o planeta.

A última palestra do dia foi dada pela ativista do movimento “Desperdício Zero”. Depois de um caloroso “Boa tarde”, em português, a oradora questionou “Então… O que posso eu fazer?” Dirigindo-se ao cidadão comum, Claire Sancelot explicou o seu estilo de vida e como, através de pequenas alterações, todos nós podemos contribuir para uma Terra mais livre de plástico.

Fotografia: Margarida Morais

De forma intimista, a francesa deixou alguns pontos-chave, com dicas simples e acessíveis. Combater o desperdício alimentar, comprar menos, optar por produtos reutilizáveis e reduzir o consumo, incluindo o de produtos de origem animal, foram algumas das soluções apresentadas. Até porque, tal como a própria admitiu, “As pessoas querem mudar, mas precisam de ter soluções”. 

Assim, numa tarde de reflexão, destinada a abrir consciências e criar um compromisso, a National Geographic deixou claro: “Perante a questão ‘Planeta ou Plástico?’, nós escolhemos o Planeta”.

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