Esta segunda-feira assinala-se o Dia Mundial da Dança e o Espalha-Factos aproveitou o ensejo para salientar o trabalho realizado pelas “pequenas”, mas grandes, promessas da dança portuguesa.

Ballet Clássico

António Casalinho

Foi com 8 anos que António Casalinho iniciou o seu percurso na dança. O jovem experimentou um pouco de tudo, desde o sapateado às danças de salão, passando pelo jazz, mas foi em ballet que se especializou. A Annarella – Academia de Ballet e Dança, em Leiria, foi sua primeira escola e é onde atualmente frequenta várias aulas de diferentes estilos.

O bailarino competiu pela primeira vez no ano de 2012, no Leiria Dance Competition II. No entanto, só a partir do ano seguinte, é que os seus esforços deram frutos. Em 2013, António conquistou diversos prémios, entre eles, o de melhor bailarino, no NFDV, e o primeiro lugar (pré-competitivo) no Youth America Grand Prix (YAGP).

Após estas recompensas surgiram muitas outras. António já ganhou algumas das mais importantes distinções do mundo da dança nas categorias da sua idade e é considerado, por muitos, como um dos maiores talentos do ballet nacional e uma grande promessa a nível internacional.

António Casalinho

Foto: página oficial de António Casalinho no Facebook

Apesar do jovem bailarino já ser detentor de inúmeros prémios no ano de 2017, foi com a sua vitoriosa participação na terceira edição do programa Got Talent Portugal que conquistou o coração dos portugueses e lhes deu a conhecer o seu percurso na dança e o seu talento.

Em 2018, António Casalinho participou nas olimpíadas da dança, ou melhor dizendo, no mais antigo concurso de ballet do mundo, o Varna International Ballet Competition. Casalinho era o mais novo entre os bailarinos presentes e o único português, mas conseguiu arrecadar a medalha de ouro na categoria Júniores, bem como o prémio de bailarino mais promissor, mais jovem e o Grand Prix.

Embora o bailarino já seja reconhecido em Portugal e além-fronteiras, o ballet exige um esforço e um trabalho contínuo. Aos 15 anos, António já sonha com uma carreira profissional no mundo da dança e, para que tal se concretize, treina seis horas por dia, seis dias por semana.

António Casalinho

Foto: página oficial de António Casalinho no Facebook

Beatriz Domingues e João Pedro Pinho

A Beatriz Domingues iniciou o seu percurso na dança, mais especificamente no ballet clássico, aos 3 anos. Aos 16, sonha ser bailarina profissional e trabalha diariamente com esse mesmo objetivo.

O João Pedro tem 19 anos e, embora não tenha iniciado cedo a sua formação, a dança sempre foi a sua grande paixão.

Beatriz e João, antigos alunos da Artedança – Academia de Artes na Póvoa de Varzim, formaram uma dupla de sucesso. Em dezembro de 2017, participaram juntos no YAGP de Barcelona e venceram em Pas de Deux Contemporâneo, o que lhes garantiu um lugar na final em Nova Iorque.

Com esta participação concretizaram um dos seus maiores sonhos – foram-lhes atribuídas bolsas de estudo para escolas profissionais de dança no estrangeiro. Beatriz voou até Estugarda e estuda dança clássica na John Cranko Schule. João viajou até Florença, onde aprende dança contemporânea, na Opus Ballet.

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Foto: página oficial da Artedança – Academia de Artes no Facebook

Marcelino Sambé

Com apenas 24 anos, Marcelino Sambé, natural de Paço de Arcos, conta já com uma grande carreira no mundo da dança.

Aos seis anos o bailarino iniciou o seu percurso num grupo de dança africana no Centro Comunitário do Alto da Loba, aos nove ingressou na Escola de Dança do Conservatório Nacional e aos 15 já colecionava prémios em Nova Iorque, Moscovo, Berlim, Pequim e Lausanne.

Quando completou 18 anos, entrou para a The Royal Ballet Upper School, que lhe abriu portas para mais tarde ingressar na maior companhia de ballet do Reino Unido, The Royal Ballet, onde começou como bailarino, em 2014, e foi promovido, em 2017, a primeiro solista.

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Foto: Marcelino Sambé | USA-IBC Jackson, Ms. 2010

Marcelino já dançou nalgumas das mais importantes produções da companhia, tais como: O Quebra-Nozes, Romeu e Julieta e A Bela Adormecida.

Além de bailarino, Marcelino Sambé, é também coreógrafo. No ano de 2012, foi selecionado como um dos coreógrafos revelação do Reino Unido pelo Youth Dance England, a organização inglesa que distingue os jovens talentos da dança.

Segundo uma publicação, em 2018, da revista Forbes, Marcelino é um dos trinta jovens bailarinos, com menos de 30 anos, mais brilhantes da Europa.

E coincidência, ou não, o bailarino nasceu no Dia Mundial da Dança (29 de abril).

Marcelino Sambé

Foto: página oficial de Marcelino Sambé no Instagram

Diogo de Oliveira e Frederico Loureiro

Em comum os jovens bailarinos têm a escola onde se formaram, Domus Dança Porto, e um talento sem igual, que lhes valeu um lugar no top dos melhores do mundo.

Foto: Graça Bilelo | página oficial da EDD – Escola Domus Dança no Facebook

Na 16.ª edição do Youth America Grand Prix, os bailarinos brilharam em Nova Iorque e regressaram a Portugal com prémios e bolsas de estudo.

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Ballet Contemporâneo

Ricardo Runa

Ricardo Runa tem 27 anos e é fundador, diretor artístico e bailarino da primeira companhia jovem profissional portuguesa, a Kayzer Ballet, sediada na Covilhã.

Estudou na Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa e, mais tarde, dançou durante um ano na companhia Gwinnett Ballet Theatre.

Desde 2014, altura em que fundou a Kayzer Ballet, que se dedica de corpo e alma à formação de novos talentos e acompanha jovens bailarinos, que concluíram recentemente a sua formação e procuram experiência profissional.

Kayzer Ballet

Foto: Kayzer Ballet Season 2017- 2018 | Carlos Pimentel/página oficial da Kayzer Ballet no Facebook

No ano de 2016, a companhia covilhanense participou no programa Got Talent Portugal e conquistou um lugar na final do programa. Com esta participação a Kayzer Ballet conseguiu chegar a um maior número de pessoas e ganhar visibilidade.

Ao longo de todo o ano, a companhia de dança realiza diversos espetáculos de dança contemporânea.

Ricardo Runa Kayzer Ballet

Foto: página oficial de Ricardo Runa no Facebook

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Danças de Salão

João Relha

Foi no Alunos de Apolo, em Lisboa, que João Relha iniciou o seu percurso e se apaixonou pelas danças de salão.

Até janeiro de 2014, o dançarino, acompanhado pelo seu primeiro e único par até à altura, conquistou quatro títulos nacionais: foi duas vezes campeão de danças clássicas, uma vez vice-campeão e ainda venceu um campeonato de danças latinas.

Nesse mesmo ano, ao lado da dançarina Natacha Lopes, João sagrou-se campeão nacional das Dez Danças.

Aos 17 anos de idade, João Relha fez as malas e rumou inicialmente para Barcelona, onde se juntou a Maria de Jesús. Mais tarde, por achar que ambos não tinham o mesmo objetivo, João Pedro trocou Cascais por Łódź, na Polónia, e Maria pela Alicja Ciesielsk.

João Relha

Foto: divulgação

Em 2018, a dupla conquistou um honroso 14.º lugar na Taça do Mundo Adultos 10 Danças na Hungria.

Também em 2018, João Pedro e Alicja foram nomeados pela Federação Portuguesa de Dança Desportiva para representarem Portugal no Campeonato do Mundo, WDSF World Championship Standard Under 21, na Roménia.

Já este ano, em fevereiro, o par participou no Campeonato Nacional das 10 Danças e sagrou-se campeão na categoria de adultos. Segue-se agora o Europeu, na Eslováquia.

João Relha

Foto: Marcin Golkowski STUDIOPM

Hip-Hop

António Silva

António Silva, bailarino e coreógrafo, tem 30 anos e é oriundo do Porto.

Em 2010, foi o vencedor do UDO 2010 World Street Dance Championships, na categoria de solos de hip-hop. Este concurso, organizado pela United Dance Organization (UDO), no qual participaram cerca de 900 bailarinos de todo o mundo, decorreu em Londres. O vencedor levou consigo alguns dos bailarinos do seu grupo de street dance, NextLevel.

Vê a atuação:

António participou em 2015, de forma indireta no Got Talent Portugal. O artista coreografou as atuações do grupo Misfits Project, finalista do programa.

Ao longo da sua carreira, enquanto bailarino, António dançou para grandes artistas internacionais, tais como: Shakira, Jennifer Lopez, Robyn S e Boy Teddy.

António Silva Foto Página Oficial do Facebook

Foto: página oficial de António Silva no Facebook

Uns vão, outros ficam

Em busca de um sonho, são muitos os jovens dançarinos portugueses que fazem as malas e partem rumo ao estrangeiro, ao incerto e ao desconhecido. Nas malas levam horas de treinos e uma vontade imensa de fazer mais e melhor. Partem por que sabem que ficando não têm as mesmas oportunidades. Portugal é para eles pequeno, não lhes reconhece o talento. Ambicionam ir mais longe e poder viver da dança, o que lhes dá realmente prazer.

Mas nem todos vão, alguns ficam. E é desafiante ser-se bailarino em Portugal. Para cativar o público, os bailarinos “têm de fazer o que nunca foi feito” e lutar diariamente contra uma tendência assustadora, que coloca em causa o futuro dos espetáculos portugueses. Neste singelo dia, em que todo o mundo se rende aos encantos da dança, saudamos todos aqueles que se dedicam a esta modalidade.

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