Um manuscrito perdido com a continuação do célebre romance A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, foi descoberto nos arquivos do autor britânico que se encontravam na sua antiga casa em Bracciano (Itália).

Intitulada The Clockwork Condition, a obra, com cerca de 200 páginas, foi escrita entre 1972 e 1973, já depois do sucesso da versão cinematográfica de Stanley Kubrick.

Descrito pelo próprio autor como uma “declaração filosófica sobre a condição humana contemporânea”, o manuscrito recém-descoberto desenvolve as temáticas abordadas em A Laranja Mecânica, publicado pela primeira vez em 1962, e explora a polémica causada pela adaptação do romance para o grande ecrã nove anos depois.

Foto: Fnac

Comparável aos clássicos da literatura como 1984 ou Admirável Mundo Novo, o romance de Anthony Burgess é um retrato de uma sociedade futurista em que o protagonista Alex DeLarge e o seu grupo de amigos cometem uma série de crimes violentos que suscitam uma resposta igualmente agressiva por parte de um governo totalitário.

Não só o livro, mas também a adaptação cinematográfica de Stanley Kubrick deram muito que falar, questionando-se se o lançamento do filme, em 1971, estaria na origem da onda de violência que teve lugar nessa altura, acabando este último por ser retirado de circulação no Reino Unido.

Inacabada, a sequela do romance permaneceu esquecida durante décadas, até ser entregue, após a morte do escritor em 1993, à International Anthony Burgess Foundation, em Manchester (Inglaterra), juntamente com o restante espólio.

Em declarações ao The Guardian, o diretor da fundação Andrew Biswell notou que o manuscrito descoberto “traz uma nova luz à obra de Burgess, de Kubrick, e à controvérsia à volta do romance”.

“Este manuscrito fornece um contexto sobre o trabalho mais famoso de Anthony Burgess e amplifica as suas ideias sobre crime, punição e os possíveis efeitos corruptores da cultura visual”, acrescentou.

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