Nasceu como The Therapist e recentemente passou a Therapist. O Espalha-Factos foi conhecer o primeiro restaurante terapêutico em Portugal onde a saúde é servida na mesa e marcada com os especialistas em terapias não convencionais.

Enquanto se espera pelo almoço é uma boa oportunidade para receber uma massagem. Basta marcar e começar a experiência no Therapist numa das salas da clínica. Se a fome estiver a apertar, pode-se passar diretamente para a ementa criada por uma equipa multidisciplinar.

O projeto começou há dois anos, em março de 2017, com o nome The Therapist. Partiu da vontade e da experiência de Joana Teixeira, fundadora do espaço.

“Há cerca de 10 anos tive um problema de pele: acne cístico. Andei cerca de dois anos na dermatologia, tomei uma data de medicamentos e nada resolveu. Até que um dia decidi ir à medicina tradicional chinesa e num mês eu fiquei sem nada. A partir daí foi um crescendo de conhecimento através de workshops, fui mantendo a prática de terapias não convencionais e mudei a forma como comia. Comecei a perceber que não havia um espaço que juntasse isto tudo: o conhecimento, a alimentação e as terapias. E foi aí que começou.”

Foi ao perceber o impacto que a alimentação e a terapia teve na resolução de doenças que decidiu criar um espaço onde os clientes escolhessem de acordo com as suas necessidades.

PORQUE É QUE CAIU O THE?

Em março deste ano o conceito alterou e deixou cair o The. Joana Teixeira explica que quando o The Therapist foi criado a ideia era ter um centro de terapias não convencionais que, por acaso, tinha uma cafetaria e workshops.

Mas a crescente procura pela comida da cafetaria levou a equipa a perceber que o foco estava na alimentação. “Aumentámos o espaço do restaurante. Percebemos que o nosso papel nesta missão de querer ajudar o mundo e mudar mentalidades vai passar muito pela alimentação e daí a mudança do conceito para restaurante terapêutico”, conta.

A queda do The acabou por ser uma rutura com o antigo conceito e uma simplificação da comunicação: “Na altura o The Therapist simbolizava a relação entre o paciente e o terapeuta. Daí que ainda mantemos as bolinhas que estão no A [no logótipo]. Uma significa o formador ou a pessoa que atende e a outra o cliente. Portanto, não é só um, são vários os Therapist”, explica Joana.

Explicado o conceito, está na hora de passar à consulta.

MARCAÇÃO

Qualquer consulta deve ser marcada. Quer as de nutrição onde fazem uma avaliação e prescrição nutricional e de estilo de vida para melhorar a performance (45 euros), as de naturopatia que consiste numa análise ao organismo e tratamento com naturopatia, terapia quântica, homeopatia e alimentação (80 euros) e a acupuntura onde se usam técnicas da medicina chinesa para ajudar no detox do organismo (30-60 euros).

A medicina chinesa só funciona às terças e quintas. Já no que diz respeito às massagens (30-60 euros) – de shiatsu, osteopatia, deep tissue, desportiva ou relaxamento – há normalmente um terapeuta residente.

Os clientes têm ainda dúvidas sobre algumas terapias – como a terapia quântica, ainda pouco conhecida, que usa frequências para que o corpo se regenere por meios energéticos naturais proporcionando um maior nível de bem-estar – mas outras são mais comuns, como a nutrição ou a medicina chinesa.

A experiência terapêutica acontece dentro do Therapist, numa sala que transporta os clientes para fora da LX Factory: as plantas que estão do lado de fora fazem do interior um clima tropical e relaxante.

O espaço que agora tem uma decoração simples e acolhedora para as sessões terapêuticas era anteriormente uma agência de publicidade.

TRIAGEM

Evitar o cansaço, melhorar o humor e a boa disposição? O menu azul Mind. Ganhar força e energia? O menu rosa Power. Fortalecer o sistema imunitário? O menu amarelo Immunity. Melhorar a digestão e regular o sistema? O menu verde Detox.

São quatro menus, com diferentes nutrientes para o objetivo de cada cliente. Desde os antioxidantes, passando pelas gorduras boas, até aos probióticos, cabe tudo numa só ementa.

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Além dos menus, há pratos do dia em que todos os ingredientes são já por si terapêuticos. “Tentamos sempre incluir ingredientes que à sua maneira sejam terapêuticos, como por exemplo, um anti inflamatório – como é o caso do gengibre, da curcuma, da pimenta.”

Depois de os clientes – com aconselhamento dos “doutoures” Therapist – avaliarem as suas necessidades, é altura de deixar nas mãos dos terapeutas da cozinha a tarefa de curar pela alimentação.

A ementa é preparada por toda a equipa: a nutricionista, a equipa de cozinha, a equipa de sala e a equipa de gestão de redes sociais. “Hoje em dia tudo tem de ser instagramável e eu nisso sou um bocado “instanaba”, portanto preciso de ajuda”, brinca Joana.

A colaboração de toda a equipa ajuda a decidir uma ementa completa e com maior precisão.

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PRESCRIÇÃO: DA EMENTA PARA A MESA

Para a mesa veio um pouco de tudo:

  • Sopa do dia: creme de beterraba;
  • Bruschetta de abacate e ovo (5,90 euros) e um matcha latte (3,50 euros) do menu Mind;
  • Bowl de açaí puro com proteína vegan, banana, frutos vermelhos e leite vegan com topping de granola, lascas de côco e frutos vermelhos (5,50 euros) do menu Power;
  • Bowl immunity feijão com chilli de feijão com cogumelos shitake, salada verde com laranja e rebentos, arroz com topping de granola salgada (8,9 euros) do menu Immunity;
  • Panqueca com chocolate (3,90 euros) do menu Detox.

Quase todos os pratos são vegan, gluten free e saudáveis, contrariando a ideia de que este tipo de alimentação não tem sabor. “Eu acho que ainda há muito a ideia de que a comida saudável e vegetariana é sem sabor. Eu era assim, não gostava de comer vegetariano. Rejeitava aquilo e ainda não tinha começado a comer. Não pode mesmo faltar sabor para as pessoas perceberem que a comida saborosa também é saudável e pode ser vegetariana”, refere a fundadora do projeto.

Em todos os pratos há também amor, porque, de acordo com Joana, o sabor só é notável quando há gosto por aquilo que se cria na cozinha.

DIAGNÓSTICO FINAL

Depois de provar e deixar os remédios atuarem no corpo, chega a altura de fazer o diagnóstico final da prescrição dada pelos “doutores”.

O creme de beterraba chama pela cor. Um rosa vivo que dentro de um frasco de vidro junta sabores equilibrados, com um travo suave a beterraba (não há que recear o sabor a terra deste tubérculo.

A bruchetta é uma boa entrada ou uma boa refeição acompanhada do creme de beterraba. O pão é estaladiço e contrasta com a textura dos ovos e do abacate.

A bowl immunity feijão é uma montanha russa de contrastes: o sabor forte do chilli de feijão vermelho combina muito bem com o sabor fresco e suave da laranja. O arroz dá consistência ao prato e os espinafres completam com os nutrientes necessários para fortalecer o sistema imunitário.

A panqueca de chocolate tinha tudo no sitio: sabor doce mesmo sem ter açúcar; a banana, o chocolate e as lascas de coco fazem um contraste entre sabores e texturas; fica bem acompanhada de uma bebida quente, como o matcha latte; e tem um aspeto instagramável.

“A gestora de redes sociais andou em cima de nós. As panquecas levaram dois meses para chegar à receita e aspeto ideal. São sem gluten, são vegan, sem açúcar e têm de ser bonitas, algo que é super raro nestas coisas. Ficam sempre com um ar boring”, conta Joana.

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PRÓXIMAS CONSULTAS

Para breve está a abertura de um novo espaço no centro de Lisboa. Mantém-se o conceito, juntando a alimentação, à terapia e aos workshops.

Enquanto a terapia está apenas na LX Factory, os workshops prosseguem e o próximo é um brunch e yoga com a Paula Cordeiro – Urbanista. Este é só um dos workshops que vão acontecer até ao verão.

O Therapist está aberto de Segunda-feira a Domingo entre as 9h30 e as 18h30.