Não conseguimos escrever a história da literatura sem mencionarmos estes livros. Desafiaram teorias e crenças do seu tempo. Chocaram mentalidades e arrasaram os bons costumes da sociedade em que foram publicados. Originaram rumores, burburinhos e muita polémica.

No Dia Mundial do Livro, o Espalha-Factos dá-te a conhecer 10 dos livros mais controversos da história da humanidade:

Os Cento e Vinte Dias de Sodoma – Marquês de Sade, Donatien Alphonse François

Fonte: Wook

Violência como arma contra a Igreja, a família e o Estado. Em 1785 Donatien Alphonse François – mais conhecido como Marquês de Sade– escreveu Os Cento e Vinte Dias de Sodoma. A história que conta é a de quatro aristocratas libertinos que sequestram quarenta e seis jovens e os torturam durante meses.

Violações, violência gratuita, assassinatos, abusos sexuais contra crianças, são apenas alguns dos detalhes que recheiam a obra escrita pelo Marquês de Sade (que deu origem ao termo “sadismo”), enquanto estava priso na Bastilha em 1785.

O Marquês de Sade acabou por morrer num hospício, mas podes descobrir o livro aqui.

As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Fonte: Wook

Sim, leste bem. As Aventuras de Hucleberry Finn, o clássico de Mark Twain, tem estado no epicentro de muitas polémicas desde que foi lançado em 1885.

Racismo. Foi a principal acusação que a obra de Mark Twain enfrentou. Twain foi acusado perpetuar estereótipos racistas e de recorrer frequentemente ao uso de palavras ofensivas.

As acusações têm por base a personagem Jim, o escravo da família de Huck e a forma como o mesmo foi retratado durante o livro.

Mas não seria polémica se todos vissem o mesmo problema. Outros têm argumentado que mudar o livro é uma forma de censura e que Huckleberry Finn é o produto de uma importante reflexão da atmosfera social vivida no seu tempo.

No Dia Mundial do Livro, lembramos-te desta história que tanto pode ser lida como uma simples história de aventuras de um rapaz do Mississípi ou como uma procura pela liberdade.

Uma obra para redescobrir aqui.

1984, George Orwell

Fonte: Wook

1984 de George Orwell foi publicado em 1949 e rodeou-se de polémica mal foi apresentado ao mundo. Esse era de facto o objetivo de George Orwell que escrevia um aviso, na forma de uma sátira pessimista sobre a ameaça de uma tirania totalitária no futuro.

O “quando” foi determinante para a criação da polémica do livro. Foi publicado anos depois do final da II Guerra Mundial e encontrou um mundo dividido em dois, com duas superpotências a lutar pelo controle do mesmo.

Anos depois o livro de George Orwell tornou-se um clássico, um livro escrito à frente do seu tempo que pintou num quadro escuro um futuro controlado pelo temido Big Brother, que rouba à sociedade a sua liberdade e privacidade.

Um livro para descobrir aqui.

À espera no Centeio, de J. D. Salinger

Fonte: Wook

Publicado em 1951, À espera no Centeio rapidamente se tornou um bestseller. A obra de J D. Salinger tem como protagonista Holden Caufield, que é desde então considerado um ícone no mundo adolescente.

Um mundo profano, recheado de palavrões, perverso, sexual e subversivo é o que nos é apresentado pelo protagonista perturbado. Um dos melhores livros americanos de sempre, mas a polémica que o rodeia não acaba aqui já que está presente em três histórias de assassínios.

Depois de assassinar John Lennon, Mark Chapman lia o livro enquanto esperava a chegada da polícia. Uma cópia da obra de J. D. Salinger foi encontrada no quarto de John Kinkley Jr, que disparou e matou Ronald Reagan. Robert John Bardo trazia consigo uma cópia quando matou a atriz norte-americana Rebecca Schafer.

Mais detalhes sobre o livro  aqui.

Lolita, de Vladimir Nabokov

Fonte: Wook

Humbert Humbert, um professor de 38 anos que se apaixona por uma jovem de 12 anos. O professor torna-se padrasto da sua amante, mas nada os impede de se envolverem sexualmente. E assim se faz polémica.

Lolita, a obra de Vladimir Nabokov chocou o mundo em 1955 e foi durante muito tempo considerada um atentado pornográfico aos bons costumes.

Pedofilia e incesto. São os temas desconfortáveis que Nabokov decide explorar, num livro que nos transporta para um mundo que não compreendemos ou aceitamos, decidido a deixar ao leitor sentimentos díspares.

Atualmente, Lolita é considerado um dos melhores romances da história da língua inglesa, mas quando foi publicada, a obra de Nabokov incendiou reações e foi marcada como um escândalo.

Um clássico que podes descobrir aqui.

The Anarchist Cookbook, de William Powell, 1971

Fonte: Wook

William Powell com 19 anos apaixonou-se pelo movimento hippie e decidiu mudar o mundo. Anos depois dedicou parte da sua vida a ajudar jovens em risco, a dar aulas em diferentes escolas e a formar professores para saberem como lidar com crianças perturbadas. Antes disso escreveu um dos livros mais perigosos de sempre.

Em 1971, Powell estava convicto de que a única maneira de mudar o mundo era através da violência e do crime, por isso criou um livro para ensinar toda a população a fazer drogas e bombas.

As “receitas” escritas num estilo incendiário que apelava a adolescentes perturbados era um desastre à espera de acontecer- The Anarchist Cookbook.

O livro que te relembramos no Dia Mundial do Livro ficou ligado a dezenas de ataques terroristas. Entre eles estão a bomba escondida num aeroporto por separatistas croatas em 1976, bombardeamentos a clínicas de aborto nos anos 80 e o tiroteio em 2012, na estreia do filme The Dark Knight Rises.

Um livro de receitas diferente, sobre o qual podes conhecer mais aqui.

Versículos Satânicos, de Salman Rushdie

Fonte: Fnac

Um ataque terrorista num avião a caminho de Londres. O avião explode e dois muçulmanos caem à terra, transformando-se num anjo e num demónio.

O livro retrata muçulmanos como ignorantes, enganadores e pervertidos. As 12 mulheres de Mohammed são retratadas como prostitutas e a divindade de Mohammed é posta em causa.

Versículos Satânicos, escrito por Salman Rushdie em 1988, foi o livro que o autor admitiu ter sido o maior erro da sua vida.

A comunidade muçulmana respondeu à forma como era retratada. As livrarias que tinham o livro nas montras foram devastadas e grande parte dos livros queimados.

O líder religioso do Irão exigiu a execução do autor em 1989 o que forçou Rushdie a esconder-se durante anos e a passar a década seguinte rodeado de seguranças. Rushdie nunca foi apanhado, mas três dos seus tradutores foram esfaqueados e um morreu.

O livro foi banido de alguns países, mas tornou-se um bestseller noutros, como nos Estados Unidos. Polémico o suficiente para ti? Ajudamos-te a procurar a resposta aqui.

Heather Has Two Mommies, de Leslea Newman

Fonte: Goodreads

O livro que ilustra a história de uma menina, Heather, que está a entrar num grupo de teatro. No grupo de teatro Heather fica triste quando ouve todos os amigos a falarem dos pais. Mas dizem-lhe ser especial por ter duas mães.

Heather Has Two Mommies é uma história reconfortante sobre como todas as famílias são diferentes e a única coisa que importa é o amor. O livro de Leslea Newman tornou-se um dos favoritos para as crianças, mas os adultos tiveram uma reação diferente.

Publicado em 1989, é considerado um dos livros mais polémicos dos anos 90. Muitos pais diziam que os seus filhos seriam homossexuais se alguma vez lessem o livro, o mesmo foi banido de escolas e originou até uma campanha contra a comunidade LGBTQI+.

O livro foi republicado em 2015, onde encontrou muito maior aceitação do que no início dos anos 90. Parece que o mundo está a mudar e que já não é mais alvo de polémica.

Podes descobri-lo aqui.

A Desilusão de Deus, de Richard Dawkins

Fonte: Wook

Richard Dawkins talvez seja mais conhecido por ser um aguerrido ateu do que um autor da biologia. A Desilusão de Deus é o livro que Dawkins usa para apontar a religião como a principal causa dos males modernos como a guerra e a intolerância.

De onde vem a controvérsia? Richard Dawkins em algumas centenas de páginas conseguiu chocar toda a comunidade cristã e incendiar um debate cada vez maior entre religiosos e ateus.

A Desilusão de Deus chegou às livrarias em 2006 com um objetivo: provar que Deus não existe e que as religiões que lutam por ele são causadoras da maior parte dos males do mundo.

Uma obra acusada de ter a pretensão de tornar ateus todos os leitores religiosos e que procura trazer uma luz científica sobre a crença religiosa.

Um livro para descobrir aqui.

Waiting for Eden, de Elliot Ackerman

Fonte: Goodreads

Um veterano da Guerra do Iraque gravemente ferido e a sua mulher, Mary. Waiting for Eden toca na atual polémica em torno do direito a morrer e do suicídio assistido.

O livro é de 2018 e abre com “Eu quero que percebas a Mary e o que ela fez. Mas não sei se o vais fazer. Vais ter de pensar se no final farias a mesma escolha que ela, caso as circunstâncias fossem as mesmas. Que Deus te ajude”.

Elliot Ackerman puxa-nos para descobrirmos as ações de Mary, pondo-nos sempre no lugar do protagonista e desafiando-nos a enfrentar a polémica.

Sabe mais sobre o livro que promete incendiar reações aqui.

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