A questão da sustentabilidade no mundo da moda tem vindo a ganhar um impacto cada vez maior e passou a ser uma filosofia adotada por várias marcas, nacionais e internacionais.

Deste modo, e para celebrar o Dia da Terra, o Espalha-Factos conversou com Cristiana Costa, criadora da NÄZ, marca de moda sustentável e com um ADN 100% português. O objetivo da conversa foi entender não só o que é ser uma marca totalmente amiga do ambiente, mas também quais os seus principais desafios.

Espalha-Factos: O que incentivou a criação da NÄZ?

Cristiana Costa: Como todas as boas startups, criei uma marca de roupa sustentável porque como consumidora não o conseguia encontrar a não ser que estivesse associado ao mercado de luxo, e  achei que não podia ser impossível criar roupa justa a um preço justo.

Lancei-me neste desafio, que nunca pensei que se tornasse o meu dia-a-dia. Principalmente o que me chocava era que todas as marcas que conhecia produziam em Portugal, no entanto não existia nenhuma marca portuguesa neste setor.

Divulgação NÄZ

EF: Qual é a filosofia por de trás da marca?

CC: A Näz tem como base os valores da sustentabilidade. Contudo, criar apenas mais uma marca sustentável não fazia sentido pelo que, e visto que acredito que o design deve ser democrático, quis inserir esse aspecto da “moda para todos” na marca, daí também a estética minimalista.

A filosofia da marca é um desafio constante entre estes três pilares: a sustentabilidade, a democracia e o minimalismo. É muito desafiante fazer peças para o dia-a-dia, mas muito mais fazê-las de um modo sustentável e com um preço não proibitivo mas justo.

EF: A quem se dirigem os vossos produtos?

CC: Os nossos produtos, que vão desde de moda a lifestyle, dirigem-se a toda a gente. Claro que estamos muito mais dentro de um nicho de pessoas conscientes dos problemas ambientais e sociais, no entanto acreditamos que isso não nos diminui, pois é uma fatia da sociedade que está em crescimento.

Mas somos também uma marca de esteticamente apelativa e acreditamos que chegamos a um público mais geral, de pessoas com um estilo de vida descontraído e mais minimalista também, que gostam de viajar e têm uma consciência muito grande do mundo e do que necessita. A nível de faixas etárias é difícil colocar a marca numa caixa pequena, pelo que definimos os nossos consumidores pelo estilo de vida mais do que a faixa etária ou género.

“É muito desafiante fazer peças para o dia-a-dia, mas muito mais fazê-las de um modo sustentável e com um preço não proibitivo, mas justo.”

EF: Numa indústria ainda bastante dominada pela fast-fashion, como é que a NÄZ pensa a apresentação dos seus produtos ao público?

CC: Sempre que fazemos uma campanha de comunicação ou sessão fotográfica tentamos sempre fugir aos estereótipos que nos são impostos pela indústria da moda.

Queremos que o nosso público se consiga identificar connosco, e consequentemente a nossa comunicação é, no geral, muito informal e de carácter informativo e genuíno, tal como a maneira como apresentamos os nossos produtos também. Trabalhamos com modelos reais, muitos são consumidores da marca, o que às vezes torna o trabalho mais desafiante. Mas acreditamos que, assim, as pessoas podem ver-se a elas mesmas com as nossas peças, pois trabalhamos com pessoas reais e para pessoas reais e todos os seus desafios, seja formas de corpos diferentes seja os dia-a-dia caóticos, a nossa roupa é feita a pensar nisso.

 

Divulgação NÄZ

EF: De que forma marcas como a NÄZ podem ajudar a indústria da moda a ser mais sustentável? 

CC: Creio que nós, como marca pequena, não fazemos uma grande diferença a nível da indústria em si. Acredito sim que fazemos uma grande diferença a nível dos consumidores. Temos uma grande responsabilidade de gerar informação viável como marca, e os consumidores, sendo mais informados vão exigir às grandes marcas essas mesmas mudanças.

Ou seja, aparecemos aqui como um fator de pressão social que obriga as grandes marcas a mudar para mostrarem também que elas também conseguem ser melhores, é um processo demorado, mas que já está a surtir efeito.

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EF: Quais os maiores desafios em ser uma marca totalmente sustentável?

CC: Os preços, sem dúvida. É difícil ser uma marca totalmente sustentável e estar a competir com os preços irreais que são impostos pela indústria.

Como não os conseguiríamos fazer, decidimos que iríamos  justificar os nossos preços aos clientes de modo a que eles entendam que pagam um preço justo. Nem sempre é fácil, principalmente porque há a ideia que sendo mais caro será uma peça que dura para a vida, mas não.

A nossa roupa tem imensa qualidade, os nossos tecidos são fantásticos, no entanto se usarem a peça no quotidiano, a não ser que seja um casaco, não irá durar a vida toda. O preço é mais elevado porque toda a gente envolvida no processo da peça recebeu um ordenado justo. Podem ver essa informação no nosso site, tanto quem faz as peças, como o porquê do preço final e também como cuidar melhor da roupa de modo a que ela dure mais tempo.

“Trabalhamos com pessoas reais e para pessoas reais e todos os seus desafios, seja formas de corpos diferentes, seja os dia-a-dias caóticos, a nossa roupa é feita a pensar nisso.”

EF: Qual o feedback que têm recebido desde o lançamento da marca?

CC: O feedback tem sido incrível!

No espaço de um ano crescemos imenso e tem sido quase avassalador este crescimento. Estamos muito gratas, nunca pensámos que, principalmente cá em Portugal, a  aceitação fosse tão grande e que nos fossem abrir os braços como têm sido.

EF: Em três palavras, como poderíamos definir a NÄZ?

CC: Sustentável, Democrática e Minimalista.

EF: Já tendo os vossos produtos em várias lojas europeias, quais são os planos para o futuro da NÄZ?

CC: Já tendo uma base de retailers fantástica pela Europa, que nos ajudam nos custos de produção da marca. Atualmente estamos a apostar muito no marketing digital, bem como novas parcerias muito interessantes que irão aparecer!

De momento, as peças NÄZ estão disponíveis, para homens, mulheres e crianças, no site oficial da marca, mas também em algumas lojas espalhadas por Portugal, tais como a Fair Bazaar (Príncipe Real), a Casa Mãe (Lagos) também na Anda Ver (Viseu).  Contudo, atualmente a NÄZ tem também está presente em países como Dinamarca, Suiça e Alemanha.