No dia 15 de Abril, por volta  das 18:50h (17:50 em Portugal Continental), um incêndio consumiu a Catedral de Notre Dame, um ícone na cidade de Paris, deixando para trás danos incalculáveis.

Construída em 1160, mas apenas finalizada cem anos depois, a Catedral é, de acordo com o site oficial do monumento, visitada por cerca de 13 milhões de visitantes por ano.

Ainda não é certo se os sinos, obras de arte e símbolos históricos conseguiram ser totalmente salvos pelos bombeiros,  porém o Espalha-Factos deixa-te aqui uma lista daqueles que sobreviveram:

AS ROSÁCEAS

Conhecida por “Rosa do Sul”, ou Rose du Midi, a rosácea de três janelas é, segundo o site oficial do monumento, “uma das maiores obras-primas do cristianismo.”

Foi o porta-voz da Catedral, André Finot que confirmou as rosáceas mais antigas permanecem intactas, sem danos visíveis.

Site Oficial da Catedral de Notre Dame

A peça foi oferecida pelo Rei Saint Louis (Luís XI) e projetada pelos mestres Jean de Chelles e Pierre de Montreuil, e  representa as “flores do paraíso.” A obra foi finalizada em 1260, com cerca de 13 metros de diâmetro e 19 metros de altura.

Contrariamente a outras rosáceas presentes na arquitetura da catedral, a “Rosa do Sul” é uma homenagem ao Novo Testamento dividida em 84 painéis, que estão espalhados em quatro círculo, e representam cenas da vida de S.Mateus, entre outras.

O ÓRGÃO GRANDE DE NOTRE DAME

Desenhados na própria arquitetura da Catedral de Notre Dame, os órgãos, de acordo com o site oficial do monumento, são “um dos principais elementos da vida litúrgica e musical da catedral.”

Foi temida a destruição do Grande órgão, no entanto o ministro da Cultura francês, Franck Reister, confirmou esta terça-feira (16) que este sobreviveu às chamas, contudo terá de ser restaurado.

O Grande Órgão é um dos três órgãos que estão no interior da catedral, e é considerado um dos maiores de França, composto por 8 mil tubos e cinco teclados. Não há certezas relativamente à sua data de origem, mas os responsáveis do monumento confirmam que desde do século XIII até ao século XVIII o Grande Órgão já passou por vários restauros.

“O Grande Orgão”, Site Oficial da Catedral de Notre Dame

Este era geralmente tocado durante os cultos de domingo, e também durante a temporada de concertos da Associação de Música Sacra, em Notre-Dame. Para além disto, em 2012, o Grande Órgão deu início às festividades do 850º aniversário de Notre-Dame.

Relativamente aos restantes órgãos, o seu estado ainda não é conhecido.

AS PINTURAS

Apesar do corpo de bombeiros de Paris ter salvo a maioria dos quadros que se encontravam no interior da catedral, o ministro da Cultura francês, em comunicado, adianta que devido à sua dimensão, algumas obras não conseguiram ser retiradas do monumento e, como tal, o seu estado ainda está por apurar.

De entre as várias peças, destacam-se importantes nomes do mundo da pintura, tais como Jacques Blanchard, Laurent de La Hyre, Aubin Vouet, Charles Poerson, Sebastien Bourdon,  Charles Le Brun, Nicolas Loir, cujas as obras estavam inseridas na série “Mays”, realizadas entre 1630 e 1707.

A completar as galerias da catedral estavam também as obras “La Visitation”, pintada por Jacques Jouvenet, em 1716, e a obra de Antoine Nicolas “Saint Thomas d’Aquin, Fontaine de Sagesse”. O estado de ambas ainda está por apurar.

“La Descente du Saint- Espirit”, Jacques Blanchard (1634). Site Oficial da Catedral de Notre Dame

ESTÁTUA DE “NOTRE DAME DE PARIS”

As estátuas que se encontravam no interior da Catedral de Notre-Dame, tal como foi divulgado por diversos canais de televisão de todo o mundo, foram salvas do incêndio.

Entre resgatadas está incluída a “Notre Dame de Paris”, uma das mais conhecidas representações da Virgem, de entre as 37 que fazem parte do reportório da catedral, que foi transferida para Notre Dame em 1818.

“Notre Dame de Paris”, Site Oficial da Catedral de Notre Dame

Das restantes estátuas que não conseguiram ser retiradas ainda não existe qualquer informação, no entanto os bombeiros parisienses mantém-se em busca pelas mesmas.

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A COROA DE ESPINHOS

Considerada uma das peças mais preciosas presentes em Notre Dame, o ano de origem da Coroa de Espinhos não é totalmente conhecido, mas foi por ação do monarca Luís IX de França, que a coroa foi trazida desde de Jerusalém para Notre-Dame.

” A Coroa de Espinhos”
Fotografia: Philippe Lopez/AFP/Getty Images

A peça apenas podia ser observada na primeira sexta-feira de cada mês, e muitos fiéis creem, segundo avnça o Observador,  “que terá partículas da Coroa de Espinhos que crucificou Jesus Cristo.”

O salvamento desta obra torna-se bastante especial, uma vez que foi resgatada pelo padre Jean-Marc Fournier, que decidiu juntar-se aos bombeiros de Paris para ajudar não só a apagar o fogo, como também a salvar relíquias que compunham a catedral.

A TÚNICA DE SÃO LUÍS

Para além da Coroa de Espinhos e da Estátua de Notre Dame de Paris, outro objeto sagrado que foi salvo das chamas foi a túnica de São Luís.

Feita a partir de linho, a túnica pertenceu ao Rei Luís IX, o último rei francês a ser canonizado santo, em 1297, que participou na Sétima Cruzada e morreu durante a Oitava Cruzada em 1270.

Anna Hidalgo, perfeita da cidade de Paris, confirmou o salvamento da peça.

O incêndio ficou oficial extinto passadas 15 horas de ter deflagrado, e várias organizações e instituições privadas, como por exemplo o grupo grupo LVMH,  já manifestaram a sua solideriedade para com França. Em comunicado à imprensa, o atual presidente de França, Emmanuel Macron já garantiu a reconstrução da Catedral de Notre Dame, sublinhando que através da união o povo francês vai conseguir ultrapassar esta tragédia.