A cada agosto que passa, a freguesia de Madalena, no coração de Tomar, abre portas para a música nacional. É à nobre aldeia de Cem Soldos que a comunidade melómana chega, não para nela se instalar, mas para a viver, de coração escancarado — e para os céticos, basta um dia na tarimba de Tomar, lado a lado com os naturais da aldeia, entre comida e bebida.

Para os felizardos da imprensa, esse dia pode ser 16 de abril — em autocarro trilham os quilómetros que os separam do burburinho de Lisboa ou do Porto, para saborear o evento de antecipação e conhecer em primeiríssima mão o cartaz do Bons Sons. O Espalha-Factos esteve lá e conta-te tudo.

Em jeito de grande abertura, a Orquestra Filarmónica Gafanhense traz a sua mescla eletrónico-orquestral ao Palco Zeca Afonso. Já no encerramento, o prolífico Moullinex promete desenhar uma festa colaborativa com uma panóplia de artistas ainda por anunciar.

Repetentes de energia renovada para brilhar em Cem Soldos

São treze os repetentes de edições anteriores que são convocados para trazer concertos especiais ao festival de Cem Soldos: a 8 de agosto, os Diabo na Cruz atuam no Palco Lopes-Graça e o recém-nomeado Palco António Variações recebe Joana Espadinha e Benjamim, a dupla que encabeçou O Material Tem Sempre Razão, o primeiro disco a solo de Espadinha.

Os leirienses First Breath After Coma unem esforços com o compositor e produtor Noiserv no dia 9 — em que também atua Peixe (ex-Ornato) ao lado dos locais Lodo — num reconfigurado palco Zeca Afonso. É este palco que, no dia 11, acolhe a mistura de Sopa de Pedra com Joana Gama. O Palco António Variações continua com fulgor a 10 de agosto, com Glockenwise e JP Simões, e a 11, com o cruzamento de Sensible Soccers e Tiago Sami Pereira.

O grande Palco Lopes-Graça receberá no dia 8 os Fogo Fogo; no dia 9 os Budda Power Blues & Maria João e o fado de Hélder Moutinho, a par com Tiago Bettencourt e o retorno dos Pop Dell’Arte no dia 10, antes das promissoras performances de Dino d’Santiago e Júlio Pereira no último dia.

No Palco Zeca Afonso, o som inovador de Stereossauro e os Miramar são as estrelas do dia 10, seguidos de Luísa Sobral e uma parceria do grupo a capella Sopa de Pedra com Joana Gama.

A fusão do punk com a música de raiz africana leva Scúru Fitchádu ao Palco António Variações no dia 9, que terá também os Paraguaii. O palco cujo nome homenageia o visionário português que marcou os anos 80 terá também Glockenwise + JP Simões e Baleia Baleia Baleia no dia 10, seguidos de Tape Junk e Sensible Soccers em aliança com Tiago Sami Pereira no dia 11.

Os Palcos Aguardela e Amália recebem apenas um artista por cada dia. O primeiro aposta na eletrónica: além da festa de encerramento gerida por Moullinex, os nomes que poderão ser vistos são DJ João Melgueira, DJ Narciso (da Príncipe Discos) e DJ Ride. Já no segundo, haverá Senza, Afonso Cabral, o regresso de Três Tristes Tigres e Ricardo Toscano em associação a João Paulo Esteves da Silva.

A alguns passos do Palco Amália, a Igreja deixa de ser o Palco MPAGDP (Música Portuguesa A Gostar Dela Própria) para tomar a forma do Palco Carlos Paredes, selecionando Francisco Sale, Rui Souza, Valente Maio e Ricardo Leitão Pedro. Mas a música nacional volta a ter orgulho de si mesma num lagar de Cem Soldos, onde o Palco MPAGDP se reconfigura para receber Carlos Batista, Vénus Matina, Cal, Adélia, Mil Folhas, Pequenas Espigas, Telma e Vozes Tradicionais Femininas (da Sertã).

Haverá ainda um sortido de atividades, em adição aos projetos e performances que serão expostos no Auditório Agostinho da Sousa, como COEXISTIMOS de Inês Campos, Danza Ricercata de Tânia Carvalho, Nem A Própria Ruína de Francisco Pinho, João Dinis Pinho e Dinis Santos, e a já tradicional exibição das Curtas em Flagrante.