Tinha 88 anos e morreu esta tarde, dia 15 de abril, na sua residência, em Lisboa. Maria Alberta Menéres era um nome sonante da escrita infanto-juvenil e uma das mais conceituadas escritoras portuguesas dos últimos anos.

A notícia foi avançada pela filha Eugénia Melo e Castro nas redes sociais e posteriormente confirmada pela Porto Editora em comunicado enviado à imprensa.

A jornalista, poetisa e autora de livros infantis

Nasceu em 1930, na cidade de Vila Nova de Gaia e chegou a ser professora de Língua Portuguesa e História, no ensino básico e secundário. A sua mais conhecida adaptação foi a de Ulisses, de Homero – uma adaptação feita para os alunos do 6.º ano. Recebeu vários prémios entre eles, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças em 1986.

‘Ulisses’ de Maria Alberta Menéres | Fonte: Fnac

Conta com uma obra poética vasta, tendo publicado 69 livros para crianças durante a sua vida contando com o devido reconhecimento internacional. Para além de livros para crianças, a autora chegou a escrever também para a televisão: entre 1974 e 1986 foi diretora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis da RTP e foi a criadora do conceito Pirilampo Mágico, após ter sido desafiada por José Manuel Nunes da Antena 1.

Confessou ao jornal Público, bem como noutras ocasiões da sua vida pública, que aprendeu a ler sozinha quando tinha apenas cinco anos. Auto didacta, desafiou-se a si mesma desde nova teimando em aprender sozinha. O gosto pela leitura era também familiar, sendo que o seu avô paterno desempenhou um papel importante para que Maria ganhasse o gosto pelos  livros e revistas. Há doze anos confessou, em entrevista ao jornal Público, que ficou com miopia muito nova: “Lia, lia, lia… Lia tanto que fiquei com miopia porque lia de noite, depois de o meu pai apagar a luz do quarto”.

Maria Alberta Menéres | Fonte: Portal da Literatura

O seu primeiro poema foi escrito aos nove anos:  “Num sibilar longínquo/ o mar rugia a chorar/ É que um segredo iníquo/ o fazia meditar.” Palavras fortes para uma menina tão nova, mas que sabia já qual a sua vocação. Anos mais tarde, em 1952, publicou o seu primeiro livro – Intervalo – e a partir daí nada mais a parou. Começou a escrever para crianças e jovens, com histórias que marcaram gerações e que tinham sempre uma vincada vertente pedagógica. Para além destes organizou ainda, em conjunto com o marido Ernesto Melo e Castro, a Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, nos anos 50.

Maria Alberta Menéres deixa um legado vastíssimo na escrita portuguesa e na vida de muitos jovens, hoje talvez já adultos. E como os livros nunca morrem, certamente continuará a fazê-lo mesmo depois de falecer.

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