Esta semana começa da pior forma com um incêndio violento a destruir a Catedral de Notre Dame, em Paris. O monumento, com quase 900 anos de história, demorou 180 anos a construir e abriu em 1163. Refazemos a cronologia dos acontecimentos.

Alarme às 18 horas

O alerta chegou pouco antes das 18h de Lisboa, eram 19h em Paris. A Portugal, os ecos chegavam pelas redes sociais. De acordo com o jornal Le Figaro, o incêndio começou num andaime utilizado nas obras de recuperação do edifício, com o sótão da catedral a ser rapidamente tomado pelas chamas. Neste momento, o incidente é investigado pela Procuradoria de Paris e a polícia já começou a interrogar os trabalhadores da empresa responsável pelos trabalhos de restauro que estavam a decorrer.

A UNESCO já prometeu ajudar nas obras de reconstrução do edifício. E a Fundação do Património vai lança na terça-feira uma “recolha de fundos nacional” para a reconstrução da Notre-Dame de Paris: “Esta ação de angariação de fundos iniciar-se-á na terça-feira, 16 de abril, a partir do meio-dia”, avança o site da fundação.

Em declarações prestadas na terça-feira (16), o secretário-geral da UNESCO adiantou que a organização já está em contacto com especialistas de modo a pôr em marcha “uma missão urgente” para “avaliar os danos, salvar o que pode ser salvo e iniciar medidas que permitam fazer correções a curto e médio prazo“.

Foto: Elsa Espin

A violência das chamas, muito potenciada pelo abundante material combustível – nomeadamente muita madeira – causou a queda do pináculo da catedral, ainda não eram 19h em Portugal.

Toda a estrutura esteve em chamas

Fonte da igreja afirma que o incêndio alastrou “a toda a estrutura” e explica que “da moldura, que data do século XIX de um lado e do XII do outro, não restará nada“. A combater o incêndios estiveram 400 elementos dos bombeiros, num incêndio que pela sua rapidez e violência se tornou muito complexo de combater, avançam fontes ligadas à proteção civil.

O teto, de acordo com a Reuters, colapsou totalmente. O fogo foi extinto na manhã de terça-feira (16), com o trabalho de rescaldo a ter durado toda a noite. “Ao longo da noite, o nosso trabalho consistiu em vigiar os resíduos de modo a que o fogo não reacendesse e fiscalizar a estrutura do edifício para garantir que não colapsava. Tivemos de garantir que as torres não eram tocadas e conseguimos”, explicou o porta-voz dos bombeiros parisienses, Gabriel Plus.

Estamos satisfeitos e gratos que, ao arriscar as suas vidas, os bombeiros tenham salvaguardado a estrutura dos dois campanários, as torres – e as obras de arte. Podemos agora confirmar que o fogo está completamente extinto“, completou o responsável.

Na manhã de terça-feira ainda não tinha sido possível apurar em que condições escaparam alguns dos objetos essenciais presentes na catedral, que poderão ter sido danificados pelo fogo, pelas altas temperaturas e também pela água usada no combate às chamas. O Guardian elaborou uma lista, que está a atualizar, com o estado do património que estava dentro do monumento.

Fotografias reveladas pelo jornal católico La Croix, que mostram o interior do edifício, dão uma visão de absoluta destruição deste marco histórico da capital francesa.

 

Imagens dos momentos de maior tensão na CNN

Com 127 metros de comprimento, 48 de largura e 43 metros de altura, a estrutura da catedral, inteiramente em madeira, terá consumido uma floresta inteira – 1300 árvores. O teto era mesmo chamado de “a floresta“, explica o Diário de Notícias. Este é um dos motivos para o avanço rápido do incêndio.

Num feliz acaso, e devido aos trabalhos de recuperação, 16 estátuas tinham sido retiradas do pináculo que colapsou. Foram retiradas a 11 de abril, quatro dias antes do incêndio, e deveriam regressar em 2022, depois de totalmente restauradas. Estão atualmente em Périgueux, Dordogne.

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Paris sempre Paris ferida na sua Catedral em chamas

O Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, referiu estar “triste por ver esta parte de nós a arder“, fazendo uma referência especial “a todos os católicos e franceses“. O político iria hoje falar à nação, num pronunciamento que cancelou, como reação à tragédia, tendo-se deslocado ao local em conjunto com o primeiro-ministro Édouard Philippe.

Marcelo Rebelo de Sousa já reagiu à tragédia, numa mensagem enviada ao congénere gaulês, “uma dor que nos trespassa o olhar e logo nos marca a alma, Paris sempre Paris ferida na sua Catedral em chamas, um símbolo maior do imaginário coletivo a arder, uma tragédia francesa, europeia e mundial. De Lisboa um abraço sentido“. António Costa considera que “É um pouco da nossa história da Europa que desaparece sob as chamas“, transmitindo a sua solidariedade ao presidente Macron e à autarca Anne Hidalgo.

Foto: Elsa Espin

A Catedral de Notre Dame assume um papel essencial na identidade francesa, sendo o “km zero” do país e considerada o ponto de partida de todas as estradas na nação gaulesa.

No entanto, esta não é a primeira vez que a Catedral enfrenta episódios de grande degradação. Após a Revolução Francesa, as estátuas tinham sido destruídas e os sinos derretidos, tendo entrado no séc. XIX bastante degradada e usada como armazém. Foi Napoleão, como imperador, que se coroou ali e deu uma nova honra ao local. Em 1831, quando Victor Hugo publicou O Corcunda de Notre Dame, acabou por dar-lhe um lugar eterno na cultura popular, que seria prolongado pela adaptação da Disney com o mesmo nome.

Atualizado às 11h23 de terça-feira, 16 de abril.