Não, o próximo capítulo da saga A Song of Ice and Fire não está já aí, mas se és fã da família incestuosa dos Senhores dos Dragões estás com sorte. O novo livro de George R. R. Martin promete deliciar os leitores passando a pente fino as raízes dos reis Targaryen. Mas… e se a origem dos Targaryen estiver não na história dos livros, mas nossa própria História?

Os Targaryen vêm-se como divinos e separados dos comuns mortais. Orgulham-se da ligação única que têm com os seus dragões e acreditam, como estes, que não podem ser queimados. Mas George R.R. Martin prova-nos nos seus livros que sempre teve outros planos e pontos de vista que não nos são estranhos para o clã que nos deu Daenerys.

Promoção para a 8.ª temporada de Guerra dos Tronos. Fonte: HBO

Valyria e o Império Romano

Historicamente os Targaryen têm um pouco de civilização romana, egípcia e normanda. Vamos começar do princípio, a Casa Targaryen não é de Westeros, é uma antiga família nobre de Valyria.

E Valyria começou como uma pequena civilização numa península que acabou por se transformar num grande império. Conquistaram todo o mundo conhecido, construíram estradas, desenvolveram armas e criaram uma República onde todas as famílias ricas governariam em conjunto, em vez de se ajoelharem perante um único líder.

Valyria é muito parecida com… Roma, só que à República Romana, George R. R. Martin decidiu acrescentar dragões que expelem fogo e senhores loiros com olhos púrpura.

Game of thrones: daenerys

Daenerys e Drogon. Fonte: HBO

Como o império romano moldou o mundo que conquistou à sua imagem, Valyria fez o mesmo em Essos. Em Uma Canção de Gelo e Fogo, em Essos, mesmo que não se fale valiriano, este foi o idioma que serviu de base para se construírem os dialetos locais, tal como o latim na Europa deu origem ao francês, português, espanhol, durante séculos e até hoje. O Valiriano é, por isso, um latim “paralelo”.

E tal como Roma, a Velha Valyria, o império que parecia inabalável, eventualmente caiu, numa catástrofe que destruiu toda a península e que só nos lembra Pompeia.

Só uma família nobre dos senhores dos dragões sobreviveu à Perdição de Valyria e chegaram a um novo continente, como o Império Romano chegou e conquistou a Grã-Bretanha – embora seja preciso fazer acrobacias para mudar a linha temporal da chegada dos romanos às ilhas britânicas. E sim, os romanos também construíram uma enorme muralha no norte para impedir a entrada dos selvagens, ou escoceses, se preferires.

A obsessão com o sangue puro do Egito

Game of Thrones

Frota de Daenerys. Fonte: HBO

Manter as linhagens “puras” por qualquer meio necessário. A História da Dinastia Plotomaica do Egito frequentemente casava irmãos para conseguir preservar o sangue puro que lhe dava direito ao trono.

Uma linhagem assim tão pura paga os seus custos e esta dinastia egípcia foi marcada por governantes instáveis, exemplo que George R. R. Martin seguiu à letra para criar personagens como O Rei Louco. Mas também, à imagem dos Targaryen, a Dinastia Ptolemaica ficou conhecida pelas rainhas poderosas que teve. O melhor exemplo é a sua última rainha, Cleópatra VII (sim, essa Cleópatra).

Sede de conquista normanda

Daenerys Targaryen e Jon Snow. Fonte: HBO

A Conquista de Aegon é um retrato fantástico da conquista de Guilherme, o Conquistador dos sete reinos da Inglaterra. Sem lagartos voadores que cuspiam fogo, mas com outros paralelos claros.

Os normandos foram descendentes de vikings que se instalaram no norte de França, casaram com os locais e adotaram a sua cultura. Depois partiram de França, atravessaram o mar e conquistaram os reinos ingleses que dominaram durante três séculos. Como terminou a dinastia normanda?

Com um usurpador… como Robert Baratheon, o usurpador que reivindicou o trono e acabou com a dinastia Targaryen. Depois seguiu-se o caos, onde num piscar de olhos se passaram séculos de governos estáveis para uma altura em que praticamente qualquer família de alto nascimento poderia reivindicar o trono, abrindo Inglaterra, ou Westeros, para a guerra dos tronos ou guerra das rosas, a representação histórica da trama que marca Uma Canção de Gelo e Fogo. Por esta altura estamos tão confusos como tu.

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