Quatro anos depois, os Dave Matthews Band regressaram a Portugal para proporcionar um serão que durou mais de duas horas e meia. Houve tempo para quase tudo.

Num final de tarde de sábado, a agitação nas imediações da Altice Arena era palpável. Apesar da chuva que caía, isso não era suficiente para demover os fãs devotos de Dave Matthews Band.

A relação amorosa da banda norte-americana com o público português começou com um concerto, em 2007, nesta mesma sala. Desde então, o grupo teve mudanças na sua formação impulsionadas por diversos motivos.

A primeira deve-se à morte de Leroi Moore, o saxofonista original, em 2008. A segunda mudança consiste no despedimento de Boyd Tinsley, o violinista, devido à acusação por assédio sexuais a um músico da banda Crystal Garden.

Um público cosmopolita

Já no interior do pavilhão, o público que se juntava nas primeiras filas é sobretudo estrangeiro. Em várias conversas paralelas, ouve-se a língua italiana e inglesa, mas também o português. É prova que a música, mais específica a de Dave Matthews Band, consegue juntar vários povos numa só sala para presenciar, ao vivo, um concerto da banda oriunda de Charlottesville.

Ainda antes do concerto começar, é possível também observar alguns fãs a ostentar cartazes. Num deles lê-se: “DMB is Heaven and Dave is God” e outro contém a mensagem “King Carter”, referência ao ilustre baterista, Carter Beauford.

Rendidos ao primeiro acorde

Depois das 20h, Dave Matthews e companhia entram em cena perante uma plateia ansiosa. Começam o concerto com Grey Street do álbum Busted Stuff de 2002. O público entoa a melodia desde o primeiro acorde, momento que faz disfarçar os problemas de som na Altice Arena.

Já depois de terminarem o tema, a sessão de cantoria coletiva continua, numa tentativa de repetir o feito no anterior concerto. No entanto, nota-se que banda está surpreendida com Dave Matthews a agradecer num português quase perfeito.

Ouve-se, de seguida, Do You Remember com direito a uma confissão do vocalista. “Da última vez [em 2015] que estivemos cá, foi o primeiro concerto da digressão. Agora fizemos questão de ser a paragem”, refere Dave provocando uma reação calorosa.

Em Stand Up (for it), o teclista vibra com os seus sintetizadores e ouve-se também Stay or Leave do repertório a solo de Dave Matthews. A energia está ao rubro com os músicos a exibirem o seu virtuosismo em palco.

What Would You Say, do disco de estreia Under the Table and Dreaming, continua a soar irrepreensível, mesmo quando passam 25 anos do lançamento desse álbum. O alinhamento prossegue com Can’t Stop com Carter Beauford a improvisar na bateria com os cânticos do público na Altice Arena.

Tributos e um convidado especial

O concerto sobe um outro patamar quando Dave Matthews decide largar a sua guitarra durante uma música. O teclista começa a tocar a introdução de Sledgehammer de Peter Gabriel e a restante banda acompanha a ritmo. Apesar de terem um vasto repertório, o ADN musical dos norte-americanos nas jams, ou seja, no prazer de tocar tendo, como base, o improviso.

Segue-se Samurai Cop (Oh Joy Begin), do mais recente disco e, depois de terminada, Dave Matthews chama a palco um convidado especial. Entra o flautista brasileiro Carlos Malta e também uma sequência de luxo: Dancing Nancies, Warehouse, Jimi Thing e uma versão de Fly like an Eagle que mete o público nos céus.

As inevitáveis Everyday e Ants Marching fecham o alinhamento. A última destaca-se pelo “scat” de Dave Matthews e pelo acompanhamento vocal de verso por verso da plateia.

Depois disto, a banda sai de cena, mas regressa para um encore. Primeiro, Dave Matthews, sozinho em palco, canta Some Devil. O concerto acaba ao som de All Along The Watchtower, original de Bob Dylan com direito a incursões a Stairway to Heaven dos Led Zeppelin.

Mais de duas horas e meia de concerto, os Dave Matthews Band escreveram mais uma página na bela história de amor que têm com o público português.